Cinema

Cinco curtas nada clichês sobre pessoas com deficiência

Para quem busca mais conscientização e quer sair do óbvio, existem curtas-metragens que ensinam e emocionam ao mesmo tempo. Confira e dê play agora mesmo nos vídeos que tratam de inclusão social, apresentando diferentes tipos de deficiência

Por Henrique Leão e Vanessa Brunt, do Não Óbvio

O mês de dezembro possui datas relevantes para dar visibilidade para as pessoas com deficiência, portanto, nada mais justo do que reunir produções sobre o assunto para quem deseja mais conscientização e quer sair do óbvio.

Os curtas-metragens são, segundo o Dicionário Houaiss, “produções audiovisuais de até 30 minutos que podem ter intenção estética, informativa, educacional ou publicitária”.

Esses pequenos filmes, muitas vezes, fazem críticas à diversas pautas sociais e sobre as lacunas da sociedade, e muitos abordam a temática da acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência (PCD), sendo reconhecidos em diversos prêmios nacionais e internacionais.

Recentemente, o Superior Tribunal Federal suspendeu decreto que obrigava a criação de instituições escolares apenas para PCDs, o qual, “especialistas consideraram que a alteração representa um retrocesso em uma luta de 30 anos pela inclusão social”, o que torna esses curtas nada óbvios ainda mais importantes para entender a luta dessa população.




The Present (O presente) conta a história de um garoto, agarrado aos vídeo games, que recebe como presente um cachorrinho que não tem uma perna. Primeiro, os dois não se entendem, o menino rejeita o pequeno animal pela sua deficiência física. Até que a empatia surge e o final é uma história de amizade e superação.



O curta–metragem “Tamara” trabalha temas como inclusão, tolerância e diversidade. “Tamara”, produzido por criada por House Boat Animation Studio, é um curta–metragem de animação que conta a história de uma menina surda que sonha em ser bailarina.



A vida de Leonardo, um adolescente deficiente visual, muda com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. O jovem vive a inocência da descoberta do amor e da homossexualidade, ao mesmo tempo em que lida com o ciúme da amiga Giovana.

1. As Cores das Flores



O curta espanhol, elaborado pela ONG ONCE (Organização Nacional dos Cegos da Espanha), retrata o desafio de Diego, aluno de uma escola da Espanha que possui deficiência visual, ao ter que escrever uma redação sobre as cores das flores.

Durante seus quase 4 minutos de duração, a produção mostra como Diego conseguiu escrever o texto sobre algo extremamente visível sem conseguir ver, com a ajuda de seu colega de sala.

O filme não só retrata os desafios da pessoa com deficiência visual como também mostra a importância da inclusão da mesma no ambiente escolar para seu desenvolvimento, de maneira simples e didática, sensibilizando as pessoas que não possuem essa condição.

☌ Direção: Miguel Bemfica
☌ Gênero: Drama
☌ Lançamento: 2011
☌ Duração: 4 minutos

2. Ian




O filme, que possui diversos prêmios, é inspirado na história real de Ian, menino argentino que possui paralisia infantil. O curto surge a partir de sua mãe, a qual criou a Ian Foundation e escreveu um livro sobre a inclusão e isolamento de crianças com deficiência.

O curta mostra Ian, um menino que quer brincar no parquinho assim como todas as outras crianças, mas por conta da sua dificuldade de mobilidade, sempre é isolado e ridicularizado pelos colegas.

A narrativa não possui nenhuma fala, apenas sons das reações das personagens e trilha sonora, com o intuito de  torná-lo acessível para pessoas de qualquer idade e de qualquer país.

Além das barreiras interpessoais que Ian enfrenta, a produção também revela a falta de acessibilidade arquitetônica nos lugares, contribuindo também para seu isolamento e exclusão social, revelando que as pessoas e os locais, em geral, não sabem lidar com PCDs, tornando essa produção necessária para todos.

☌ Direção: Abel Goldfarb
☌ Gênero: Animação
☌ Lançamento: 2019
☌ Duração: 10 minutos

3. Dicas de Convivência



Este curta é um documentário, produzido pelo Instituto Maria Gabrilli, tem por intuito educar as pessoas para a convivência com PCDs.

A produção se mostra bastante ilustrativa, revelando situações cotidianas em que pessoas sem deficiência avaliam as que possuem como seres incapazes de executar ações do dia a dia, como andar na rua sozinho quando se tem alguma condição visual ou física, comprar um livro quando se tem ausência de audição, e por aí vai.

Essa necessidade de se mostrar prestativo, geralmente, surge de um pensamento de que PCDs não são auto suficientes e necessitam de alguém para ajudá-los a todo momento,  quando na verdade buscam apenas viver de maneira independente.

O documentário é didático do começo ao fim, esclarecendo dúvidas sobre a maneira de viver dessa população, e desmistifica mitos sobre a deficiência física e intelectual, nos oferecendo reais dicas de como conviver com PCDs.

☌ Direção: Ariana Chediak
☌ Gênero: Documentário
☌ Lançamento: 2013
☌ Duração: 15 minutos

4. Por que Heloísa?



O curta é uma adaptação do livro “Por que Heloísa?”, de Cristina Soares, onde é retratada a história de uma menina com paralisia cerebral em diversos contextos de sua vida.

O filme retrata a vida escolar, familiar e social de Heloísa, a qual reage sempre com humor e tranquilidade às barreiras do mundo inacessível: calçadas e banheiros públicos inacessíveis e falta de inclusão na escola.

Esta animação é uma ótima porta para abrir o debate não só da inclusão de PCDs no ambiente escolar como também em ambientes de convívio social, como restaurantes, parques e estabelecimentos comerciais.

☌ Direção: Sérgio Lopes
☌ Gênero: Animação
☌ Lançamento: 2015
☌ Duração: 11 minutos

5. Don’t Look Down on Me



Jonathan Novick é um homem estadunidense que mora em Nova Iorque e possui nanismo acondroplástico, erroneamente conhecido como pessoas anãs.

Durante este documentário, Jonathan não só explica o que essa condição genética como também mostra o dia a dia dele, com os preconceitos e tratando ele como uma atração apenas por ter uma estatura muito pequena.

O curta traz a discussão sobre a ridicularização desta deficiência e mostra os comportamentos capacitistas que muitas pessoas assumem ao se relacionar ou simplesmente ver uma PCD.

Jonathan, ao final da produção, traz a reflexão: “Pense em qual parte do dia de uma pessoa com deficiência você quer ser”.

☌ Direção: J
onathan Novick
☌ Gênero: Documentário
☌ Lançamento: 2014
Duração: 6 minutos