Ídolo corintiano, Marcelinho Paulista é diretor de time baiano


Se depender da experiência adquirida pelo gestor de futebol do Jacuipense fora de campo, o time do interior tem tudo para fazer uma boa campanha no Campeonato Baiano e conquistar uma vaga no Campeonato Brasileiro da Série D. Revelado pelo Corinthians, o ex-meia Marcelinho Paulista assumiu o departamento de futebol do Leão do Sisal e já planeja metas ousadas.

Marcelinho passou pelo Avaí antes de chegar à Bahia

No currículo, Marcelinho acumula passagens por divisões de base do Flamengo e Corinthians, onde geriu o futebol de base. No ano passado, o ex-jogador esteve à frente da gestão de futebol do Avaí. A ideia de atuar como dirigente surgiu ainda antes da aposentadoria. Depois de sair do Almeria, da Espanha, Marcelinho se graduou e buscou especializações em gestão esportiva.

Se fora de campo a carreira está apenas no início, dentro de campo a história é outra. Com mais de 20 anos de experiência, Marcelinho Paulista atuou com grandes jogadores nos diversos clubes em que passou. E não faltam histórias. A maioria deles no Corinthians, clube onde conquistou a Copa do Brasil em 1995. Em contato com iBahia Esportes, o ex-jogador falou sobre o início da carreira, os momentos na Seleção Brasileira, a mudança dos gramados para a gestão esportiva e o carinho que recebe da torcida nos lugares que passa.  Você começou sua carreira no Corinthians e ao longo dela atuou em muitos times de massa. Como é para um jogador começar logo em um grande clube que tem cobranças por títulos e boas apresentações?
Essa questão da cobrança já se inicia aos 13 anos de idade. Qualquer torneio tem pessoas cobrando. Isso gera uma seleção natural e muito cruel, que é daquele que suporta a pressão, aquele garoto que chega ao time profissional já chega sabendo da pressão que ele vai enfrentar. Todos passam por esse processo. Hoje nós vivemos um momento onde a informação é muito mais rápida. E essa cobrança, essa linha, é mais suave.

Você fez sua carreira em grandes clubes do Brasil e alguns do exterior. As pessoas na rua te reconhecem?
Quem viveu a década de 90, que foi muito boa, quando cruza com alguém é sempre lembrado. A pessoa vem com o filho, comenta, tira foto. Antes o jogador criava raiz, identificação com o clube. Hoje esse processo é mais difícil. Mas esse carinho é mais em São Paulo. Aqui na Bahia é menos, mas quando alguém reconhece também começa a falar.

Em 1996, Marcelinhou ficou com o bronze olímpico ao lado de jogadores como Roberto Carlos, Dida e Luizão 

Como foi essa mudança dos gramados para para a gestão de clubes? Você sentiu dificuldades?
O meu último clube profissional foi o Almeria, da Espanha. Quando eu retornei ao Brasil eu já vinha com algo bem montado na cabeça, sobre o que eu queria fazer. Eu me graduei e entrei como treinador na base do Flamengo. Rodei por diversas categorias e então fui para o Corinthians, onde fui convidado para assumir o departamento de futebol de base. Depois recebi o convite para gerir o futebol profissional do Avaí. A gente foi trabalhando dentro disso. Fiquei um ano e acabei recebendo o convite da Jacuipense. Não tive dúvida de que a vivência dentro de campo está me ajudando nessa nova jornada.

Quais são as metas e expectativas para o futuro do Jacuipense?
A gente está com esse processo no Jacuipense e a ideia é trazer a equipe para perto dos grandes da Bahia. Para isso, a gente sabe que tem que se estruturar. Às vezes, para permanecer na primeira divisão do Campeonato Baiano, não precisa montar grandes times, não é difícil, mas para precisamos nos estruturar para expandir a Jacuipense a nível nacional. Vamos tentar através da Copa Estado Bahia uma vaga na Série D. Esse é o nosso foco”, explicou o gestor. Você pensa em usar sua experiência e conhecimento para firmar parcerias com clubes do eixo sul/sudeste?
Eu vivi toda minha vida no sul do país e vejo um potencial imenso no Nordeste. Basta você está pronto para receber esse potencial. Temos que fazer um garimpo nessa região. Nossa ideia é formar aqui e mandar para fora. Não pensamos em trazer do sul para cá, mas mandar para lá no futuro. Dentro de campo você conviveu com grandes jogadores e treinadores. Nesse período você vivenciou alguma resenha, alguma história engraçada nos jogos ou vestiários?
Resenha tem muitas, principalmente com o Edílson e o Vampeta. Naquela época tinha muita gente boa no time. Uma vez no vestiário teve um bate boca com o Edílson e o Rincón. O Rincón grandão foi partindo para cima do Edílson, aí o Capetinha falou: “ei, não vem para cima de mim não que eu sou pequeno, vai para cima do Vampeta aí que é grande”. E o Vampeta de lá gritou: Ei, não vem não. Não tenho nada a ver com isso não”. Era muito bom”.
Você participou das Olimpíadas de Atlanta em 1996 e estava cotado para disputar a Copa do Mundo de 1998, na França. Você ficou frustrado por não ter sido lembrado para Mundial?
Eu tive uma participação em seleções de base bem intensa.  Fui campeão do mundo e joguei as Olimpíadas. Foi um período ótimo. Eu estava dentro de uma relação, tive três ou quatro convocações em 1997, e isso cria uma expectativa. Mas eu sabia o nível dos jogadores que a seleção tinha e aí você tem a consciência. É um sonho para qualquer jogador disputar uma Copa do Mundo, mas para mim não foi frustração não. Você teve alguma frustração no futebol?
No futebol você tem um torneio que ganha, outro que perde e para muitas pessoas você vive em um mundo de glamour, mas é tudo muito desgastante. Minhas frustrações foram as normais: lesões, o olhar diferente de um técnico, que às vezes chega e tira você da equipe titular, essas coisas.*Supervisão do editor de Esporte, Rafael Sena