Moda e Beleza

Marca de Emicida leva a moda das ruas para a passarela do SPFW

Rapper cantou ao vivo no desfile; confira os destaques do segundo dia da semana de moda

Gabriela Cruz (gabriela.cruz@redebahia.com.br)
O segundo dia de São Paulo Fashion Week terminou ao som de Emicida. O músico colocou quem estava na tenda montada no Parque do Ibirapuera, nesta segunda-feira (24), para dançar após o desfile de estreia sua marca, LAB, comandada por ele e por seu irmão Evandro Fióti. Geniais, eles transformaram uma linha de roupas que já dava super certo, fruto de um desdobramento de sua gravadora de hip hop e rap, em uma grife que uniu a força dos seus discursos à informação de moda.
O rapper Emicida comanda a estreia de sua marca LAB no SPFW (Fotos: Agência Fotosite/divulgação)
O primeiro pulo do gato foi chamar o estilista João Pimenta, que já tinha vestido Emicida para a capa de um disco, para ser o diretor criativo da LAB. Ao lado dos rappers, ele elaborou uma coleção a partir da figura de um samurai negro, Yasuke, misturando Oriente e África, a força do guerreiro e do povo negro. “Queríamos uma coleção que dialogasse com os valores do LAB, como inclusão e transformação, e a coisa fluiu”, explica Fióti.   O que se viu foi uma (a princípio) improvável – e perfeita – coleção recheada de estampas étnicas e gráficas aplicadas em peças oversized superbem estruturadas (João Pimenta é mestre em alfaiataria), como quimonos e casacos com ombreiras com capuzes e golas imensas, além de calças que iam aos extremos da legging à pantalona. A cartela de cores foi enxuta: preto, branco e vermelho. Ao todo, foram 26 looks mesclando peças comerciais e conceituais vestidos por um casting 80% negro e cheio de convidados. Esse foi o segundo pulo. 

A produtora baiana Loo Nascimento, modelo plus size e a cantora Ellen Oléria: diversidade na passarela

Em tempos de empoderamento, nada melhor para apresentar uma moda que lida com a diversidade do que levar a variedade das ruas para a passarela, colocando nela gente gorda, com vitiligo, artistas como os cantores Seu Jorge – de saia plissada – e Ellen Oléria, e amigos, como a produtora e estilista baiana radicada em São Paulo, Loo Nascimento, ela mesma dona de uma marca que também dialoga com temas como autoestima e luta contra o preconceito, a DressCoração. O próprio Emicida desfilou e cantou, fazendo a trilha do desfile ao vivo. Na primeira fila, mas gente conhecida: o cantor Criolo aplaudiu os amigos de pé, acompanhado de toda a plateia.  
Compre já
Quem gostou do que viu já pode entrar no ecommerce da marca e escolher sua peça favorita. Nem todas serão vendidas, mas grande parte do desfile foi feita para ser comercializada. “A gente já nasceu nesse sistema (o see now buy now – veja agora, compre já), embora só agora a indústria da moda esteja migrando e se adaptando a isso. “Eu tenho 27 anos, Emicida tem 30 e nosso geração já consome as coisas assim mesmo, então para nós não foi uma grande novidade”, explica Fióti, que já tem loja on line há sete anos e vende a LAB em 30 pontos do país. “A ideia é ampliar em 30% nos próximos meses”, revela. Teve mais da rua
O streetwear também deu o tom no início do segundo dia de SPFW. Ao som da trilha sonora incrível criada pelo produtor Max Blum só com hits pop cantados acapella - Diamonds e Umbrella, de Rihanna; Halo, de Beyoncé; Paparazzi e Alejandro, de Lady Gaga, entre outros - o vão interno do MASP recebeu o desfile da À La Garçonne.

À La Garçonne, de Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch, abre segundo dia da semana de moda

A marca de Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch trouxe tudo que se precisa para bater perna em qualquer metrópole do mundo. Sobreposições de peças, umas com cara de nova e outras que parecem ter sido garimpadas em brechós; mistura de texturas, principalmente moletom e renda; comprimentos variados, com predominância do mídi; oversided em calças, vestidos e jaquetas pintadas à mão; muito p&b com pinceladas de cores fortes.
Parcerias
Para dar conta de tanta coisa, a marca ampliou suas parcerias. A Hering, que já tinha feito moletons e camisetas na coleção passada, veio também com vestidos e abrigos. Já a Colombo cuidou da alfaiataria. Teve ainda tênis com a Converse e joias com Hector Albertazzi, criadas a partir de sucatas. Ah, sabe o see now buy now? Também vale para a À La Garçonne. As camisetas e moletons chegaram na loja da marca logo após o desfile. O restante aparece nas araras e prateleiras nesta quarta-feira. Viagens
Reinaldo Lourenço foi para a Suécia e Patricia Viera para a Ilha de Páscoa, na Polinésia Oriental. Os destinos serviram de inspiração para os estilistas criarem coleções ricas detalhes, ultrafemininas, que encheram os olhos de ambas as plateias.

Coleção de Reinaldo Lourenço recheada de peças ultrafemininas

O estilista começou o desfile com uma série de peças em alfaiataria, com predominância de blazers e casacos. Até chegar aos vestidos, ora com estampas que flertam com roupas do folclore sueco ora com o brilho do paetê namorando com a leveza do tule. Tudo arrematado com acessórios de Camila Klein, que criou a linha a quatro mãos com Lourenço.

A modelo baiana Lorraine na passarela de Patricia Viera: couro com riqueza de detalhes

Os vestidos também foram destaque no desfile de Patrícia Viera, expert em transforma couro em desejo. Ela sabe como ninguém fazer o material ser rígido ou fluido, receber interferências e recortes, tudo a favor de uma modelagem rica que deixar qualquer mulher elegante.
O SPFWTRANS42 continua nesta terça-feira (25), com os desfiles de Fernanda Yamamoto na Estação Pinacoteca, Lolitta na Livraria Cultura do Iguatemi, Experimento Nohda no Teatro Oficina, Abrand e Lilly Sarti na Sala Ibirapuera, montada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A maior semana de moda da América Latina segue até sexta-feira.