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Políticas de inclusão social e de ações afirmativas do Brasil atraem atenção do governo estadunidense

Departamento de Educação americano elogiou Estatuto da Igualdade Racial e a atuação da Faculdade Zumbi dos Palmares

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Dois famigerados projetos do estado brasileiro, criados na última década, foram alvos da apreciação da secretária-adjunta para Direitos Civis do Departamento de Educação americano, Russlynn Ali. O Estatudo da Igualdade Racial e o Bolsa-Família, ambos criados na gestão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, foram elogiados pela secretária na última segunda-feira, dia 29, de passagem por São Paulo. Em palestra realizada na Faculdade Zumbi dos Palmares, ela também avaliou positivamente os impactos trazidos pela instituição, especialmente pelo seu objetivo de formar lideranças.

Ontem, Russlynn esteve em Brasília, comandando uma equipe de reitores de universidades americanas com forte tradição nas questões raciais. O grupo veio com o intuito principal de anunciar parcerias, programas de intercâmbio e outras ações com importantes centros brasileiros. Embora tenha um forte histórico de lutas raciais, os Estados Unidos, por decisão da Suprema Corte, vetam qualquer tipo de cota racial enquanto critério de seleção nas universidades ou em outros espaços.

Denúncia de racismo
No mesmo dia em que a secretária discursava na Faculdade Zumbi dos Palmares, uma nova denúncia de racismo dentro de uma universidade brasileira ganhou destaque. O procurador e professor da Faculdade de Direito do Mackenzie, também em São Paulo, Paulo Marco Ferreira Lima,  ameaçou dar voz de prisão a uma aluna do 5º semestre do curso num episódio ocorrido na última sexta-feira, dia 26. De acordo com Paulo Marco, depois de sua aula,  a estudante identificada apenas como 'Tatiana',  abordou, de maneira ofensiva, o professor para questionar sua metodologia. A situação só foi controlada quando o procurador chamou os seguranças para retirá-la da sala. O assunto, entretanto, não parou por aí.

Marco Antônio Ferreira Lima, irmão de Paulo Marco e também procurador e professor da Mackenzie, acusou a aluna de racismo no Facebook, afirmando que a estudante usou expressões como "negro sujo" e proferiu frases como "preto não pode dar aula na Mackenzie" e "preto não pode ter poder". A estudante, que se diz humilhada com o ocorrido, contou com o apoio do Centro Acadêmico João Mendes Jr. "Não podemos permitir que em nossa faculdade, um ambiente exclusivamente acadêmico, pessoas desse tipo continuem a desrespeitar nossa Constituição, em uma perfeita cena de abuso de autoridade", afirma a nota publicada e assinada  pelo diretor geral do C.A., Rodrigo Rangel.