Artista completa e madura, Daniela Mercury sintetiza os ritmos brasileiros em novo show


Daniela Mercury: “Eu venho da Bahia, e lá, nós celebramos a alegria, a vida”

A menina baiana que agitou o vão livre do Museu de Arte de Sao Paulo –  em 92 -, cresceu e apareceu. Sua passagem por São Paulo no Masp foi histórica; nenhum outro cantor se apresentou por ali, a agitação foi tanta que chegou a danificar as estruturas da construção de Lina Bo Bardi.Depois disso, a carreira de Daniela Mercury disparou. Ela pode ser considerada a primeira estrela baiana vinda da Axé Music com repercussao nacional e principalmente, que se manteve no sucesso. Atrás dela vieram Ivete Sangalo, Claudia Leite e todas as outras. É sexta-feira a noite em Manhattan e Daniela surge toda de branco rodeada por seis bailarinos do Bale Folclórico. No início do show, uma grande pintura transparente inspirada em Carybé cobre toda a frente do palco. Daniela dança atrás em saudação aos orixás, abrindo o seu espetáculo. Faz um pot pourri de clássicos da música brasileira, conversa com a platéia em português e em inglês. A Bahia está presente o tempo todo em seus comentários. “Eu venho da Bahia, e lá, nós celebramos a alegria, a vida, nos somos a pérola negra do Brasil”.Daniela começa a turnê nos EUA com o pé direito. Ela não buscou a suntuosidade de um Madison Square Garden, não foi suspensa por cabos a sair voando e tão pouco apareceu em elevadores. Daniela carrega a simplicidade da Bahia. Seu show foi feito com folhas para homenagear o orixá Iansã, com lenços, tecidos, dança precisa, gestos expressivos. Daniela Mercury é uma artista completa: canta, dança, tem opiniões fortes e sinceras sobre politica.Performance madura, fez o show com profissionalismo, uma de suas marcas. Daniela é uma embaixadora brasileira. Durante o show convida a todos a irem ao Brasil, ao Carnaval da Bahia, falou de Copa do Mundo, das Olimpíadas. A segunda parte do show destoa por começar mais intimista, mas a platéia gosta e aprova, canta junto. O show tem o momento percussivo com a apresentação de um pandeiro, xequerê e triângulo. No final, claro, Daniela transforma o teatro em verdadeiro carnaval da Bahia com sucessos como “Zumzumbaba”, dominando a platéia com as brincadeiras feitas nas ruas de Salvador, botando todos para correr, se jogar de um lado pro outro, como faz do alto do seu trio.Um trecho do Hino Nacional no final do show era dispensável, mas fazia sentido para a platéia que estava ali. “Canibália” é a sintese de ritmos brasileiros, influenciado pela latinidade, pela África. Seguindo a máxima da antropofagia de Oswald de Andrade, Daniela faz um show conceitual, amarrado, passeando por clássicos da música popular como “Águas de Março”, de Tom Jobim.A participação do Balé Folclórico da Bahia dá leveza e enche o show de criatividade com momentos de beleza e pura poesia. Em momento em que o Brasil está no auge, Daniela acerta a mão. “Eu espero que Nova Iorque também seja dos brasileiros. Quero que exista aproximação entre as duas Américas, pelo amor e pela paz”, diz a cantora pouco antes de terminar.Em tempos sombrios, com a crise batendo a porta dos americanos que agora estão nas ruas no que alguns falam que é a segunda revolução americana, nada como um show de celebração da alegria para se esquecer as dores.  “Eu trago a luz do sol, eu trago a luz que vem lá do sul, eu trago o sol do sul da América”, canta Daniela. Os americanos estão, de fato, precisando.Veja vídeos do show em Nova Iorque:[youtube tKkqRAKG9UM][youtube XvV8nFO8aqE]