Entenda

Drag baiana viraliza na web ao ser convidada para animar velório: ‘Achei que era pegadinha’

Scarleth Sangalo conversou com iBahia sobre a situação que ganhou a internet nesta semana

Lucas Mascarenhas
06/05/2022 às 10h56

3 min de leitura
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A morte é um tema bastante delicado para algumas pessoas, mas para outras é apenas um ato de passagem para um novo plano, como é o caso da contratante de Scarleth Sangalo, drag e transformista de Salvador que recebeu convite para animar um velório na capital baiana.

Em conversa com iBahia, Scarleth revelou que teve um estranhamento inicial ao ser convidada. “O convite surgiu através do WhatsApp, um rapaz entrou em contato comigo e perguntou se eu fazia animação em velório. Então a partir dali eu achei que era uma pegadinha, alguma coisa estranha”, contou.

“A irmã entrou em contato comigo e conversou que a irmã dela era muito alegre e divertida e gostaria de uma drag para animar no velório. E assim a gente foi acertando os detalhes do figurino, uma cabeça colorida que remetesse à ‘Priscilla, a Rainha do Deserto’ e começamos a procurar detalhes onde eu pudesse animar”, completou.

A partir do conhecimento de quem era a pessoa homenageada, Scarleth ajustou sua performance ao que a idosa gostava em vida, para tratar a homenagem de forma mais saudosa possível.

“Daí eu sugeri a ela que ao invés de dublar alguma música no final, eu poderia cantar. E ela ‘ah, ela gostava muito de Gonzaguinha’ e foi aí que eu casei com a música ‘O que é, o que é’, que é uma música que falar de ‘viver e não ter a vergonha de ser feliz’, é um questionamento sobre a vida”, revelou.

“Foi bacana porque todo mundo queria estar lá. As pessoas participaram, bateram palmas e foi muito receptivo mesmo. Foi um velório muito diferente”, continuou.

Resistência

Mas nem tudo são flores, houve uma resistência de quem estava no local e não entendia o motivo da homenagem cheia de alegria e glitter.

“A situação toda foi porque a sala dela foi a número 4, então eu tinha que passar da primeira para a quarta. Quando eu desci do carro, pra eu entrar para sala eu tinha que passar pelas outras, então os olhares das outras pessoas, a forma que as outras pessoas falavam. Porque eles não entendiam, eles não sabiam o contexto, o porque que tinha uma drag dentro do cemitério”, explicou.

Sobre a repercussão, a transformista conta que não esperava tantos contatos e revelou que não planeja se aproveitar da situação: “Não esperava essa repercussão toda, tanto que tudo eu estou mandando para a família dela pra que as pessoas não achem que eu estou aproveitando dessa situação para me promover, até mesmo porque eu não preciso disso. Eu já tenho uma fama no meio LGBT, trabalho com animação há 22 anos e o boca a boca sempre foi muito a minha referência”.

Por fim, ela não descarta uma comemoração do tipo em seu próprio velório. “Quem sabe no meu velório, né? Eu posso decidir, pode ter uma banda de fanfarra, pode ter uma drag. Acho que o importante é comemorar essa passagem de uma forma alegre, de uma forma divertida, como eu sou”, finalizou.

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