Novelas

Os altos e baixos de 'Verão 90', há uma semana no ar

Entremeando a ficção com material de arquivo dos anos 1980/90, ela trouxe de volta aquele Rio ensolarado já visto muitas vezes na faixa das 19h

Patrícia Kogut, de Agência O Globo

“Verão 90” , novela de Izabel de Oliveira e Paula Amaral com direção artística de Jorge Fernando (e geral de Marcelo Zambelli), estreou na Globo com um capítulo delicioso. Entremeando a ficção com material de arquivo dos anos 1980/90, ela trouxe de volta aquele Rio ensolarado já visto muitas vezes na faixa das 19h.

Foto: Reprodução | TV Globo
Têm sido muitas as sequências na praia, hoje e no passado, em Ipanema e em Saquarema. A reconstituição de época embaralha as duas décadas, mas sem qualquer prejuízo para o resultado. Acompanhamos, às vezes fora da ordem cronológica, imagens de Tancredo Neves, de Ulysses Guimarães, do Circo Voador do Arpoador e da queda do Muro de Berlim. Um baú assim revirado com competência sempre enriquece uma produção. Esse recurso, aliás, está muito bem costurado à trama —ponto para a direção.

As estrelas do elenco já se destacaram. Isabelle Drummond (Manu) e seu par, Rafael Vitti (João Guerreiro), têm talento e química. Claudia Raia (Lidiane) domina o tom de comédia exigido pela novela. Dira Paes (Janaína) e Humberto Martins (Herculano) tiveram ótimas cenas nesses capítulos iniciais e Jesuíta Barbosa (Jerônimo Guerreiro) construiu um vilão amargurado muito promissor. Luiz Henrique Nogueira (Jofre) brilha com um personagem ótimo, o de faz-tudo de Lidiane.

As caracterizações são certeiras e Quinzinho (Caio Paduan) é um exemplo disso: parece egresso do túnel do tempo. O figurino de Marília Carneiro representa outro ponto alto, assim como a abertura (Alexandre Romano), em sintonia com a história. Por outro lado, os cenários lembram os de histórias latinas, como “Betty, a feia”. Mas a produção de arte compensa essa fragilidade com o visível esforço de garimpo de objetos de cena originais daquelas épocas.

Porém, a história ainda não se apresentou completamente. Até aqui, “Verão 90” está mais próxima de uma coleção de esquetes divertidos, coloridos e eventualmente repetitivos. Um exemplo é a dinâmica da ação entre Manu e Lidiane. A novela está no ar há uma semana e o público já perdeu a paciência com a subserviência de Manu. Ela não se irrita nunca com a mãe, que só faz envolvê-la em situações de grande constrangimento? Essa “dramaturgia de situação” terá de caminhar para algum lugar para que o enredo ganhe corpo e empolgue. É caso de acompanhar.