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Receita Federal alerta para 'Golpe do Amor'

Criminosos conhecem vítimas em sites de relacionamento e pedem dinheiro para que elas liberem 'presentes' em aeroporto de Guarulhos

Agência O Globo
A Alfândega da Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, informou, nesta segunda-feira, que vem recebendo um número crescente de ligações de vítimas do chamado 'Golpe do Amor' ou 'Don Juan'. O golpe tem início pelas redes sociais e em páginas de relacionamento e termina com a exigência de valores para que as vítimas tenham acesso a bens e documentos que estariam retidos no aeroporto.
De acordo com a Receita Federal, a maioria das vítimas são mulheres solteiras, de todas as regiões do Brasil. A maior parte delas são moradoras de São Paulo, mas há registros também de casos no Rio de Janeiro. Até o momento, apenas dois homens entraram em contato dizendo ser vítimas do golpe. Em média, a Alfândega recebe entre 3 e 4 ligações por dia.
A Receita Federal em Guarulhos já recebeu relatos de casos em que criminosos fizeram propostas de casamento e anunciaram que mandariam caixas contendo presentes como óculos, bolsas, celulares e, em muitos casos, dinheiro em espécie em dólares, libras ou euros. Segundo o auditor fiscal Ricardo Luís de Mattos, os golpistas se passam por estrangeiros em boas condições financeiras. Em um dos casos, o criminoso informou à vítima que um anel de noivado aguardava por ela no aeroporto.

— Eles se identificam como estrangeiros com boas condições financeiras e aparentam não ter um português muito bom. É um golpe que dura alguns meses, segundo as vítimas, já que eles estabelecem um relacionamento com elas. Alguns dizem que vão enviar os supostos presentes e outros falam que vão enviar até os documentos para agilizar o casamento. Eles dizem que tudo fica retido aqui no aeroporto e que as vítimas precisam pagar uma taxa para que seja liberado. O anel de noivado foi uma foto que uma das vítimas nos enviou. O homem disse que o anel estaria esperando por ela - explicou.
Em uma das conversas enviadas por uma vítima, o criminoso pede que ela efetue o pagamento da suposta 'taxa de liberação': "Se você me ama, vá e pague eles". A média de valores pedidos pelos criminosos varia de R$ 2 mil a R$ 20 mil. Em geral, os criminosos fornecem uma conta corrente de pessoa física para o depósito. Nos casos em que as vítimas depositam os valores, ou quadrilha exige novos pagamentos alegando outros empecilhos na retirada das mercadorias ou os criminosos desaparecem.
Segundo o auditor fiscal, a Receita Federal não exige qualquer pagamento em espécie ou por meio de depósito em conta corrente.
— Este tipo de golpe é antigo, mas tem se tornado frequente recentemente. Algumas vítimas ligam aqui para a alfândega perguntando sobre os produtos antes do pagamento e são informadas do golpe. Algumas nem chegam a pagar, mas ligam para perguntar se é um procedimento correto. Não é. Orientamos as vítimas que procurem a polícia e registrem ocorrência - disse Ricardo.
A Receita Federal ainda esclarece que todos os tributos aduaneiros administrados pelo órgão são recolhidos por meio Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). Em caso de dúvidas, o contribuinte pode procurar as Unidades de Atendimento da Receita Federal. Procurada pelo O GLOBO, a Polícia Federal informou que os registros devem ser feitos na delegacia de cada área.