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Viajar conectado ajuda a evitar perrengues de viagem; saiba como

Além das operadoras locais, que normalmente tem quiosques e lojas em todos os lugares com comercialização de chip, algumas empresas vendem o famoso “chip de viagem”

Erick Issa*

Em tempos de smartphones, tablets e aplicativos, quando todo mundo está conectado o tempo todo, pode ser muito difícil viajar e deixar o celular de lado. É fato que muita gente busca desconectar em uma viagem, até mesmo na tentativa do que chamam de “desintoxicação”. Embora períodos offline também sejam necessários, muitas vezes estar sem conexão pode atrapalhar mais do que ajudar, principalmente se você estiver em viagem ao exterior.

Aqui no Brasil, a situação é menos complicada, porque, a depender da sua operadora, você terá conexão liberada durante a viagem, a não ser que não haja sinal na cidade destino. Nesses casos, ainda é possível usar o Wi-Fi do hotel, de uma pousada, bares e restaurantes e até mesmo redes públicas de internet. Sendo assim, é possível se desconectar e usar a internet apenas quando for necessário.

Entretanto, estar sem conexão fora do país pode ser um pesadelo, ainda mais com a barreira linguística. Uma coisa é viajar pelo Brasil, onde todo mundo fala português e qualquer necessidade basta recorrer ao bom e velho pedido de informação, mas outra coisa bem diferente é precisar de uma informação fora do país, não conseguir se comunicar ou até mesmo não ser entendido. Nesses casos, a conexão de internet é essencial para te salvar de possíveis perrengues de viagem.

Como viajante, por muito tempo me aventurei pelo exterior sem chip de viagem na tentativa de economizar dinheiro, mas, muitas vezes, o barato saiu caro e me deixou em situações constrangedoras. Nas primeiras viagens, quando não tinha muita experiência, andava pelas ruas atrás de lojas e restaurantes com Wi-Fi grátis para saber qual caminho tomar ou mandar notícias para os parentes.

Uma dessas viagens, contudo, acabei passando por um perrengue daqueles. Foi no País de Gales, em 2014. Ao sair do hotel, utilizando a rede de internet de lá, consegui chegar ao centro da cidade, mas na hora de voltar acabei me perdendo e passei cerca de 3h rodando e pedindo informações para encontrar o caminho do hotel. Foi bem tenso! Eu estava sem internet no celular e absolutamente ninguém sabia informar a localização do hotel, já que é comum hotéis de redes terem diversas unidades numa mesma cidade, ainda mais em se tratando da capital de um país.

Você deve estar se perguntando como eu consegui voltar ao hotel, não é mesmo? Não foi fácil, mas, depois de rodar de carro pela cidade (tinha alugado um carro para essa viagem no Reino Unido), parei no estacionamento de um hospital e foi quando encontrei uma rede de internet aberta, me permitindo pesquisar pelo Google Maps o bendito caminho de volta ao hotel.

Depois dessa lição, passei a viajar sempre conectado. Como eu faço isso? Depende muito! Em países como Argentina, Chile e Equador, acabei comprando um chip de uma operadora local, colocando uma recarga e desta forma ficando livre para usar a internet. Como dizemos no dito popular: é uma mão na roda. Em Buenos Aires, com o sistema público de transporte conectado ao Google Maps e com apps sobre horários e linhas de ônibus, não passei um perrengue sequer. Sempre que ia a algum lugar, pesquisava nos aplicativos qual linha de ônibus pegar ou qual a direção do metrô, ou se precisava fazer alguma baldeação.

Erick Issa conectado durante viagens (Foto: Acervo Pessoal/Erick Issa)

Então, a ideia é que você pesquise e faça o que for melhor para a sua realidade. Além das operadoras locais, que normalmente tem quiosques e lojas em todos os lugares com comercialização de chip, algumas empresas vendem o famoso “chip de viagem”. Na maioria dos casos, é possível comprar o chip ainda no Brasil, receber pelo Correio ou retirar fisicamente em alguma loja. Para saber o que é mais vantajoso entre usar uma operadora local ou levar com você um chip de viagem internacional, realmente será necessário pesquisar.

Quando a viagem é para apenas um país, costuma ser mais vantajoso usar um chip de operadora, a exemplo do que acontece no Brasil com Claro, Vivo, Tim ou Oi. Mas se você for viajar por vários países da Europa, provavelmente será mais vantajoso comprar um chip de viagem internacional, afinal pode ser um transtorno desnecessário ter que trocar de operadora e chip em cada país que você entrar. Uma operadora da Itália pode até funcionar na Espanha, ou uma de Portugal na Inglaterra, por exemplo, através do serviço de roaming, mas dificilmente os planos serão os mesmos em cada país, obrigando a pagar taxas elevadas.

Minha primeira experiência com chip internacional, durante uma viagem de 20 dias aos Estados Unidos - quando passei por Miami, Orlando, Los Angeles, São Francisco, Las Vegas e Nova York -, me deu a certeza de que nunca mais posso viajar sem estar conectado.

Com o chip de viagem, tive conexão o tempo todo para criar conteúdo durante as viagens. Postei fotos, stories e ainda fiz live direto de pontos turísticos disputados. Digo a vocês que não tem nada melhor do que não depender de Wi-Fi gratuito e muito menos de hotel, que muitas vezes não pega no quarto ou é lento que nem uma tartaruga. Minha viagem pelos Estados Unidos foi bem mais proveitosa conectado o tempo todo.

Erick Issa conectado durante viagens (Foto: Acervo Pessoal/Erick Issa)


Vou listar alguns motivos vantajosos para viajar com internet:

  • O Wi-Fi de quatro hotéis que me hospedei ou era muito lento ou não pegava no quarto; alguns passeios duraram o dia inteiro, o que me obrigaria a ficar incomunicável todo esse tempo; o mundo não para, então se você tem necessidade de se informar, assim como eu, que sou jornalista, melhor estar conectado; Google Maps e alguns outros mapas necessitam de conexão; e, em algumas cidades, o Maps informa não apenas a linha, trem ou ônibus a ser pego, mas também os horários que os mesmos vão passar, o que necessita de internet. 
  • Na última viagem internacional que fiz, antes da pandemia, durante o carnaval de 2020, passei por Paris e Londres. Também viajei conectado, o que evitou um potencial perrengue de viagem. Acontece que saí do hotel de madrugada com destino à estação de trem de Paris para seguir viagem até Londres. O Google Maps me informou qual linha de metrô pegar com a necessidade de uma baldeação. Segui com as malas pelas noites frias de Paris, mas ao chegar na estação para fazer baldeação, descobri que naquela madrugada a mesma estava fechada para manutenção. 
  • O que eu faria se não estivesse conectado? Provavelmente entraria em desespero e perderia o trem, afinal a noite estava fria, não havia ônibus na rua, e era impossível seguir andando, já que a distância ainda era grande. Como estava conectado, esse foi mais um perrengue evitado. Ao sair da estação de metrô, pedi um carro pelo aplicativo de transporte e cheguei em tempo na estação de trem, passando pela imigração e concluindo minha ida até Londres.

Esses são apenas alguns dos relatos e motivos para evitar viajar sem internet. Ter conexão no exterior deixa a viagem mais confortável e segura. Já se imaginou fora do brasil, num perrengue, sem conexão alguma, não podendo falar com ninguém ou pedir ajuda? Fiquem ligados e evitem riscos desnecessários.


*Erick Issa
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