Música, Abolição e imprensa negra em debate na Biblioteca Pública


Os dois próximos encontros do curso ‘Conversando Com Sua História’ deste mês de junho trazem como temas a história do negro na Bahia. No dia 14.06 será abordado “O semeador de orquestras – História de um maestro abolicionista”, ministrado pelo jornalista e professor da Faculdade São Bento, Jorge Ramos. No dia 21 será com a professora substituta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Meire Lucia Alves, que falará do tema: “A cor da notícia: discursos sobre o negro na impressa baiana (1888-1937)”. Ambas as questões abordam assuntos relacionados à identidade negra, individual e coletiva, na sociedade entre o final do século dezenove até metade do XX. Os encontros acontecem na Sala Kátia Mattoso, na Biblioteca Pública do Estado (Barris), sempre às 17h. O curso é gratuito e quem freqüentar pelo menos 75% das aulas recebe certificados. As inscrições podem ser feitas diariamente, das 9h às 17h, pelo telefone 3117- 6067 ou através do email: cmb.fpc@fpc.ba

Tema – Músico, escritor, pesquisador e compositor, qualidades que definem o autodidata e abolicionista negro Manuel Tranquilino, cuja história foi tratada no resumo-bibliográfico feito pelo professor Jorge Ramos. De acordo com o palestrante, o fato da cidade de Cachoeira ser exportadora de fumo para o continente europeu e um dos principais caminhos do comércio brasileiro da época possibilitou que a cidade se tornar-se um centro de debates e reflexões intelectuais e artísticas. Nesse contexto, o maestro Traquilino tornou-se um grande líder abolicionista, cujos valores eram avançados para a época. “Ele antecipou em algumas décadas valores que viriam a ser consagrados como a defesa da ecologia e dos direitos humanos”, afirma. E ainda segundo o professor, o músico tinha contato direto com pessoas como Eduardo Sax, filho do criador do Saxfone, Adolphe Sax, um renomado fabricante de instumentos musicais, além de pesssoas como os abolicionistas Joaquim Nabuco e Eduardo Carige.

“Tranquilino foi fundador de seis filarmônicas e compôs músicas importantes como Airosa Passeata, que aborda a abolição da escravatura”, disse Jorge Ramos, que resaliza pesquisas sobre a história de Cachoeira.

Imprensa Negra – A segunda conferência analisará, a partir dos estudos da professora Meire Alves, a imagem dos negros veiculada pela Imprensa Baiana depois da Abolição da Escravatura. A pesquisadora destaca que, além de abordar a cobertura do negro na mídia, correlacionará a abordagem com os estereótipos racistas na sociedade baiana nos cinqüenta anos subseqüentes à Abolição.
Perfil – Jorge Ramos é professor com especialização em Metodologia e Didática do Ensino Superior, pela Faculdade São Bento da Bahia. Ensinou Jornalismo nas seguintes faculdades: Olga Metting, 2 de Julho e a Faculdade de Comunicação da UFBA.  Exerce atualmente a Gerência de Jornalismo da TV Educativa da Bahia (TVE). Meire Lúcia Alves é Licenciada, mestra e também possui o bacharelado em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão pela UNEB. Atualmente é professora substituta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Curso – Promovido desde 2002 pelo Centro de Memória da Bahia, unidade da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, o curso Conversando com sua História oferece aulas gratuitas e semanais ministradas por diferentes historiadores e pesquisadores. No próximo mês de julho, o projeto entrará em recesso, só retornado no mês de agosto.