Salvador

"A gente vai entrar com uma ação contra o Estado", diz mãe de Kelly Cyclone sobre vídeo

Em imagens, corpo de Kelly aparece dentro da sala de perícia no Instituto Médico Legal, local com acesso restrito a funcionários do órgão

Anderson Sotero | Redação CORREIO (anderson.sotero@redebahia.com.br)
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Há onze dias, Kelly Cyclone foi assassinada em Lauro de Freitas

Em um minuto e 56 segundos, o vídeo intitulado Kelly Cyclone no IML, postado no site Youtube, expõe com detalhes o corpo de Kelly Sales Silva, minutos antes de ser necropsiado no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues. As imagens focalizam o rosto, ferimentos e as tatuagens da jovem, assassinada  a tiros e facada em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, após sair da festa de pagode Salvador Fest.Diante da publicação, a Secretaria da Segurança Pública determinou que o Departamento de Polícia Técnica instaure uma sindicância para apurar a autoria do vídeo divulgado na internet com imagens do corpo.


Segundo a SSP, o corregedor do DPT, o perito criminal Jorge Braga Barreto, já designou uma comissão para apuração do fato.  Como o autor do vídeo fala na gravação, a perícia tentará identificar o dono da voz. A sindicância tem 30 dias para apresentar relatório. 


“As imagens apresentadas estão sendo analisadas pela Corregedoria da instituição para que sejam tomadas, com extremo rigor, as medidas correcionais que a situação exige”, reforçou o DPT. O diretor do DPT, o perito criminal Raul Barreto Filho, será substituído hoje pelo também perito Élson Jeffeson Neves da Silva, mas o órgão negou ontem, através de nota, que a mudança tenha relação com a divulgação das imagens.


Já a família de Kelly considerou a atitude “uma falta de respeito” e pretende processar o Estado. “Quando a gente acha que está ficando melhor, vem uma bomba dessas. Essa não é a imagem que a gente gostaria de guardar de minha filha. Ela não teve paz em vida e não estão deixando ter nem depois de morta”, lamentou a mãe de Kelly, a comerciante Maria Aparecida da Silva.


“Já falei com meu advogado e a gente vai entrar com uma ação contra o Estado. Lá, só quem tem acesso é funcionário do IML, como é que permitiram fazer um negócio desses? Quem fez isso foi uma pessoa sem caráter”, complementou a mãe.


O vídeo feito dentro das instalações do IML, local com acesso restrito a funcionários do órgão, vazou na internet e foi postado no Youtube anteontem por um usuário identificado como “llincoln100”. As imagens exibem o corpo vestido com a camisa da Seleção Argentina e um short jeans, dentro de uma bandeja de remoção de cadáveres. Primeiro, a câmera se aproxima do rosto que ainda está com olhos abertos e depois focaliza a barriga da jovem, onde manchas escuras exibem a violência com que foi morta. Depois, ainda mostra parte das 20 tatuagens de Kelly Doçura, como também era conhecida. Na descrição do vídeo, o usuário que postou escreveu “Kelly Cyclone ou Kelly Doçura morta no IML. Vá com Deus!!”. Polícia investiga duas hipóteses para o assassinato
Onze dias após Kelly Cyclone ter sido assassinada, a polícia ainda não identificou a autoria do crime. Duas hipóteses são investigadas. Na primeira, a jovem teria sido morta por motivo  passional. O autor seria Carlos Gustavo Cohen Alencar Braga, o Gustavinho, 26 anos, que a teria  ameaçado após ela ter recusado seu pedido de namoro. O rapaz, que é filho de um policial civil, foi ouvido por agentes da 23ª Delegacia de Polícia, no dia 19, e negou envolvimento no crime. Em depoimento, ele contou que Kelly foi morta por homens que estavam num Focus prata que teria interceptado o veículo dele (um Gol também prata), no centro de Lauro de Freitas. A segunda versão aponta como autor do crime Wellington Nunes, o Mão, traficante da localidade de Casinhas, no final de linha de Lauro de Freitas. O crime estaria relacionado com a guerra do tráfico - Kelly  era namorada do traficante Toni Rogério, o Tonny, que, mesmo preso na 23ª Delegacia, em Lauro, continua no controle das bocas da Rua 4, na comunidade de Vila Praiana.