Saúde

Saiba como proteger a pele dos efeitos nocivos da poluição

Assim como os raios solares, ela também degrada colágeno

Talita Duvanel, de Agência O Globo
No início, era o sol — com todos os malefícios de seus raios ultravioletas para a pele. Agora, a lista de inimigos de um rosto firme, sem manchas e rugas cresceu, e a poluição é o novo alvo a ser combatido. A péssima qualidade do ar dos espaços urbanos levou uma porção de cientistas a se perguntar qual seria o efeito dessa exposição e a descobrir que as partículas de poeira, fumaça e tantas outras moléculas degradam o colágeno, assim como o UVA e o UVB do sol. Resumo da ópera: não é só o nosso sistema respiratório que sofre com a sujeira que sai dos canos de descarga.
— Hoje, em cidades mais desenvolvidas, vemos pacientes fotoenvelhecidos bem cedo, e, por causa disso, de uns três anos para cá, começaram-se a estudar mais os efeitos dos agentes poluidores na pele — diz a dermatologista Marcia Linhares. — E eles acabam sendo muito parecidos com os do cigarro.
Ambientes poluídos, segundo um estudo publicado no Jornal da Academia Europeia de Dermatologia, criam condições “perfeitas” para que o organismo produza radicais livres (responsáveis por destruir as moléculas de colágeno, a proteína responsável por dar firmeza) e ganhe inflamações que arrasam a barreira e a microbiota cutânea. O resultado disso, dizem os médicos, é uma pele sem viço, ressecada e com manchas persistentes. Um estudo da Sociedade Americana de Dermatologia Investigativa chegou à conclusão de que um rosto exposto a poluentes tem 20% a mais de chances de ficar manchado nas regiões da testa e do queixo.
— Dependendo do grau de poluição da cidade, os resíduos obstruem os poros e aumentam o estresse oxidativo. Isso está relacionado com uma pele mais opaca e com envelhecimento — explica a dermatologista Juliana Neiva.
Em muita gente, no entanto, os efeitos podem ser o aparecimento de acne e de desagradáveis irritações, como a dermatite atópica.
— A poluição obstrui os poros, e a resposta disso é o aparecimento de acne em muitas pessoas adultas — diz Marcia Linhares.
Como viver numa sociedade com 100% de veículos elétricos e zero dependência da queima de combustíveis fósseis é um sonho extremamente distante o jeito é tentar se proteger com os escudos disponíveis: os antioxidantes. Eles interceptam os radicais livres, antes que eles possam degradar outras moléculas importantes, como o colágeno, por exemplo. E já viraram figurinhas fáceis nas prescrições dos dermatologistas ao redor do mundo.
— Entre as substâncias com essa função, destaco as vitaminas C e E, o betacaroteno, o resveratrol, a melatonina, o ácido ferúlico, o chá verde, o selênio, a coenzima Q10, o licopeno, o chá branco e o hibisco — diz a dermatologista Paula Bellotti.
Apesar de existir a possibilidade de se combinar tais ingredientes em pílulas para uso oral (o que a indústria da beleza chama de nutricosmésticos), a vitamina C para uso diretamente na pele continua sendo a favorita dos médicos por ter seus efeitos amplamente estudados e comprovados.
— A vitamina C é o carro-chefe, e a combinação dela com o ácido ferúlico é bastante interessante. Um ajuda a manter a estabilidade do outro, e a ação é amplificada — explica Juliana Neiva, que aconselha o uso dos produtos tópicos diariamente, pela manhã, antes do filtro solar.
O.k., pele protegida, mas e o cabelo? Eles também sentem os resíduos de um ar sujo, e os efeitos podem ir muito além de um simples fio oleoso. Afinal, a gente pode até esquecer, mas couro cabeludo também é pele.
— A poluição chega até a causar queda capilar. Claro que nem sempre é o fator preponderante, mas temos que investigar se ela tem influência na queixa do paciente — diz Marcia Linhares.
Limpezas específicas do couro cabeludo, feitas em consultórios médicos, podem ajudar a combater os malefícios dos agentes poluentes que entopem o bulbo capilar e comprometem o crescimento e a força dos fios.
— Quanto mais recomposto o couro, mais qualidade tem o cabelo — explica Juliana Neiva, que não é muito afeita a xampus de limpeza profunda. — Eles acabam sendo usados de forma errada e podem irritar a região.