Baiana recebe prêmio internacional com projeto que trata água de cisterna usando luz do sol


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Água potável e saneamento básico como um direito para todos é um dos seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar da meta ser uma realidade distante do semiárido brasileiro, que sofre com a seca e baixa infraestrutura, pessoas e projetos buscam novos caminhos.

A baiana Anna Luísa Bezerra, natural de Salvador, é uma delas. Escolhida como umas 26 personalidades mundiais premiadas pela empresa estadunidense Bloomberg, a soteropolitana teve seu nome divulgado na edição anual da lista New Economy Catalyst. Neste ano, o projeto selecionou pessoas que desenvolvam uma economia global mais sustentável.

Dentre as mais de 300 iniciativas avaliadas, estava o “Aqualuz”, idealizado pela baiana, que se trata da primeira tecnologia que torna possível tratar água de cisterna usando a luz do sol.

Premiado pela ONU e UNESCO, o dispositivo domiciliar já é usado em regiões do Nordeste e semiárido brasileiro, tratando a água da chuva e tornando-a limpa para consumo.

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A startup Sustainable Development & Water For All, idealizada por Anna, ainda é responsável por outras quatro tecnologias, uma delas para prevenção do Coronavírus, o “Aquapluvi”, um lavatório com acionamento por pedal, instalado em Salvador durante pandemia de Covid-19.

A sede da empresa fica localizada no Caminho das Árvores, em Salvador. Atualmente, o projeto beneficia mais de 5 mil pessoas em 15 estados do Brasil. “Nossa objetivo é aumentar ainda mais nosso impacto em escala global, já que sabemos que o acesso à água e saneamento muda tudo”, conta Anna.

No ano de 2022, o projeto alcançou cerca de cem famílias em situação de vulnerabilidade residentes do leste do estado de Alagoas.

Em fevereiro, as comunidades de São Luiz Triunfo, São Luís Timbosinho, Sucupira, São Macário, Chã da Jaqueira da Floresta e Olhos D’Água/Sapé receberam o produto e ações educacionais com orientações sobre o uso.

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De criança curiosa a cientista premiada

A conexão entre Anna e ciência foi despertada muito cedo. Observar, tentar entender o porquê e criar novas possibilidades motivou, aos 15 anos, o inicio de uma carreira cientifica.

“Comecei estudar fenômenos físicos que transformaram a humanidade e em Literatura, li Vidas Secas”, conta. O contexto vivido pelos personagem se tornou a principal motivação da cientista. Ela conta que após a leitura foi tocada pela difícil realidade vivida por famílias das zonas rurais do semiárido, devido a falta de água.

Aos 17 anos, começou sua primeira graduação e através do empreendedorismo deu inicio a Safe Drinking Water For All – SDW, a startup que atualmente se chama Safe Drinking Water For All – SDW, e atua criando impacto socioambiental através do desenvolvimento sustentáveis.

A ciência não recebe muito apoio e eu não conseguia encontrar formas de produzir e financiar o Aqualuz para quem mais precisava

Conta a pesquisadora

Foi durante um projeto da Universidade que Anna deu o primeiro passo. “Passei em uma incubadora da universidade, mas o único incentivo que tinha era uma bolsa de R$400”, conta a cientista, que apesar do pouco valor, usou a bolsa e inscreveu a iniciativa em premiações que potencializaram o projeto.

Novos desafios

Além da baiana, a edição de 2022 selecionou mais outros dois brasileiros: Edu Lyra, CEO e Cofundador da Gerando Falcões, e Taynaah, CEO da Moeda Semente.

Ao todo, as empresas foram indicadas para as áreas de agricultura, finanças digitais, aprendizagem, ciências da vida, espaço e a qual Anna foi premiada: “A Transição Verde: Transportes, Indústria e Energia”.

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Ainda durante este ano a empresa baiana concorre a outra premiação, dessa vez com voto popular. O “Prêmio Bayer de Inovação Social para mudar o curso da água” vai selecionar empreendedores sociais com projeto parecidos com o da Anna. Desta vez, a única representante nordestina é a empresa baiana com uma premiação de € 35.000. Confira aqui o link para votação.

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