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Candomblé

Justiça da Bahia mira juiz que tirou foto de sacerdotisa de exposição

Apenas a foto da sacerdotisa foi retirada, enquanto uma imagem com santo católico foi mantida no espaço

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Redação iBahia

28/06/2026 às 17:23 - há XX semanas
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O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Camaçari. A decisão, publicada no Diário de Justiça Eletrônico na última sexta-feira (26), visa apurar a conduta do magistrado após a retirada de uma fotografia que retratava uma sacerdotisa de Candomblé de uma exposição no Fórum Clemente Mariani.


					Justiça da Bahia mira juiz que tirou foto de sacerdotisa de exposição
Sacerdotisa do Candomblé denúncia intolerância religiosa após ter foto retirada de exposição em fórum de cidade da Bahia. Foto: Idafro

Segundo o g1, o episódio ocorreu em março de 2026, durante uma mostra cultural realizada nas dependências do fórum. Entre as obras expostas estava o retrato de Solange Borges, chefe de cozinha e Makota no Candomblé, vestindo trajes tradicionais de sua religião.

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O juiz solicitou a remoção imediata da imagem sob o argumento de que a obra seria incompatível com o princípio da laicidade do Estado. No entanto, a Corregedoria do TJ-BA destacou um ponto central: outra fotografia da mesma exposição, que retratava uma mulher segurando uma imagem de Santo Antônio, não foi questionada pelo magistrado e permaneceu no local.


					Justiça da Bahia mira juiz que tirou foto de sacerdotisa de exposição
Foto com representação de um santo católico foi mantida na exposição. Foto: Idafro

Investigações em curso

A Corregedoria aponta que o tratamento desigual dispensado às obras sugere um possível viés discriminatório. O PAD irá investigar se a conduta do juiz configura:

  • racismo religioso institucional;
  • quebra dos deveres de imparcialidade;
  • desrespeito ao dever de igualdade;
  • conduta incompatível com as atribuições do cargo.

O magistrado será notificado formalmente e terá o prazo de 15 dias para apresentar sua defesa prévia.

Histórico da denúncia

Após a remoção da fotografia em março, a sacerdotisa Solange Borges, em conjunto com o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro), acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A entidade solicitou a reintegração imediata da obra e a abertura de procedimento disciplinar.

Em resposta, no dia 5 de março, o TJ-BA determinou que a imagem fosse recolocada na exposição. Até o momento, o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade não se manifestou sobre a abertura do processo, e a assessoria da 1ª Vara da Fazenda Pública de Camaçari informou que não fará comentários.

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