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Levantamento

Monitor da Violência: Bahia é o estado com mais mortes violentas no país

Primeiro semestre registrou queda de 4,4% em assassinatos

Redação iBahia • 17/08/2023 às 14:10 - há XX semanas

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					Monitor da Violência: Bahia é o estado com mais mortes violentas no país
Foto: Reprodução/g1

A Bahia lidera, pelo 5° ano consecutivo, como o estado com mais mortes violentas no país. Os dados são do Monitor da Violência, produzido por jornalistas do g1, com base em números coletados com órgãos de segurança pública. O método de trabalho envolve Pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que revisam e analisam os números. Os textos e infográficos são produzidos pelo g1 e tanto o núcleo de estudos como o fórum produzem conteúdos sobre o tema.

Ainda segundo o levantamento, o número de assassinatos caiu em 4,4% na Bahia, no primeiro semestre de 2023. O dado leva em consideração a homicídios dolosos (quando o assassinato é intencional), feminicídios (quando as vítimas são mortas na condição de mulheres), latrocínios (quando a vítima é assassinada para que o roubo seja concluído) e lesões corporais seguidas de morte.

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O percentual de queda deste primeiro semestre no número de assassinatos é superior ao nacional, que registra 3,4%, em comparação a 2022. No mesmo período do ano passado, o estado registro 2.360 mortes provocadas pelos crimes violentos letais intencionais. Neste ano foram 2.515, 115 mortos a menos.

Em número absoluto, significa uma média de 13,89 mortes por dia no primeiro semestre. Janeiro foi o mês com maior número de assassinatos na Bahia e também no Brasil. Nos meses seguintes, o país apresentou baixa progressiva nas mortes violentas, enquanto o estado baiano teve oscilações nos registros.

Ao g1 Bahia, o titular da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner, destacou que o objetivo é manter os números em declínio, com o uso da tecnologia e capacitação das equipes policiais, que atuam na identificação de pessoas foragidas da Justiça.

"Comemoramos a queda, mas sabemos que temos muito trabalho. Destaco a maior reestruturação da Segurança Pública já implementada no estado, com a criação de novos comandos e departamentos nas quatro forças de segurança, investimento forte em tecnologia e na construção e reforma das unidades policiais em toda a Bahia", disse ao g1.

Facções criminosas

De acordo com os pesquisadores em segurança pública que a atuação das facções criminosas é a principal causa de mortes violentas no Brasil. Isso porque, a maioria dos assassinatos registrados têm alguma relação com a criminalidade, mesmo que as vítimas não tenham ligação com o tráfico de drogas.

Essa mortes podem ser provocadas diretamente em disputas por territórios para o tráfico ou pelos chamados "tribunais do crime"; u indiretamente, com vítimas de balas perdidas ou mesmo de moradores que "cruzam" territórios de facções diferentes, para visitar parentes, por exemplo.

Para enfrentar os grupos criminosos, a SSP-BA lançou uma força integrada junto com a Polícia Federal, em agosto. Policiais federais, civis, militares vão trabalhar com peritos técnicos e bombeiros, para identificar e prender membros do crime organizado.

"Reafirmamos o compromisso de uma atuação integrada, nos níveis estadual e federal, de combate a esse tipo de crime transnacional. Com a integração trabalharemos lado a lado, em um mesmo espaço, compartilhando informações e analisando relatórios de inteligência para atuação contra o crime organizado", disse o secretário.

Mais facções criminosas = mais mortes violentas

Os registros de crimes letais na Bahia ficam na frente dos casos contabilizados em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que são berços das duas maiores facções criminosas do país.

A explicação pode estar na mudança das dinâmicas de poder das facções criminosas, a partir da interiorização de grupos sudestinos e a pulverização do comércio de drogas e armas.

Ao g1 Bahia, Dudu Ribeiro, pesquisador e coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia explicou a situação.

"Cada estado tem uma dinâmica, uma micro-organização de parte significativa do comércio de substâncias. No Rio de Janeiro existem menos facções que o Nordeste, mas há uma atuação forte de milícias. O Nordeste tem um número grande de organizações regionais ligadas às facções sudestinas, então acabam sendo muitas organizações que vão disputar o mercado e o território, o que incentiva a produção de novos conflitos", argumentou o pesquisador.

Ainda segundo ele, a atual política de segurança pública empregada pelo Estado, com base na lógica conflitos, ocupações violentas e mortes em operações, na chamada "guerra às drogas", reforça a forma de atuação das facções criminosas.

"Só que a 'guerra às drogas', não é contra as substâncias, é contra pessoas – sobretudo pessoas negras que estão em territórios vulneráveis. A dinâmica faccional do Brasil é influenciada diretamente pela dinâmica prisional. Isso retroalimenta a força das organizações criminosas e, obviamente, o que é produzido de violência da prisão extravasa também para as cidades baianas", analisou Dudu.

Números em queda

Se destacar apenas os homicídios dolosos do total de mortes violentas, a queda semestral é de 3,8%. O número é levemente maior em casos de feminicídios, com cerca de 4,7%.

Outros dados em queda são os de lesões corporais que terminam com mortes e os de latrocínio. As lesões seguidas morte decresceram em 26,6%, caindo de 30 para 22 casos. Já os latrocínios tiveram queda de 16,27%, com um total de 36 casos registrados, em comparação com os 43 registros de 2023.

Monitor da Violência

O Monitor da Violência, uma parceria entre o g1, o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, tem como objetivo discutir a questão da violência no país e apontar caminhos para combatê-la.

O primeiro projeto estreou em setembro de 2017. Todos os desenvolvidos pela parceria seguem um rito:

  • a pauta é discutida em conjunto entre todos os parceiros;
  • para balizá-la, é utilizada a metodologia acadêmico-científica do NEV e do FBSP;
  • o levantamento dos dados é feito por jornalistas do g1, que também fazem a investigação in loco;
  • pesquisadores do NEV e do FBSP revisam e analisam os dados (demandando, por vezes, ajustes e nova apuração);
  • textos e infográficos são produzidos pelo g1 e tanto o NEV como o FBSP produzem artigos analíticos sobre o tema.
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