Histórico

Promotor baiano assume como primeiro professor titular negro da Faculdade de Direito da UFBA

Heron Gordilho assumiu o cargo na sexta-feira (05)

Redação iBahia
06/08/2022 às 9h27

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Foto: Divulgação

Após 131 anos da fundação da Faculdade de Direito da UFBA, a universidade elegeu o primeiro professor titular negro na última sexta-feira (05).

O promotor de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e professor de Direito ambiental da instituição, Heron Gordilho, tomou posse do cargo após ser aprovado por uma comissão julgadora depois de apresentar um memorial.

Gordilho agradeceu pela conquista, mas afirmou não se sentir honrado pelo fato de ser o primeiro professor titular negro da instituição.

“Queria ser o centésimo. Tenho orgulho, sim, de alcançar esse cargo. O último membro do Ministério Público que ocupou esse cargo foi professor Calmon de Passos, como professor catedrático […] A nossa sociedade, mesmo sendo composta por 80% de pessoas negras, precisou de 131 anos para um professor negro ocupar esse cargo. Precisou professor Edvaldo ir para a USP para ocupar esse lugar”, iniciou.

“É essa desigualdade socio-racial que eu luto para que tenha algum tipo de compensação porque uma sociedade menos desigual, menos estratificada significa menos violência, mais desenvolvimento”, completou.

Foto: Divulgação

O presidente da AMPEB – Associação do Ministério Público da Bahia, Adriano Assis, comemorou o fato como uma conquista que extrapola o individual.

“O colega Heron, que é um professor muito reconhecido na Bahia, no Brasil e no exterior, onde já participou de atividades acadêmicas em vários países, como Estados Unidos e França, traz uma conquista para a própria sociedade baiana, pois se trata do primeiro professor negro a alçar à condição de titular na Faculdade de Direito da UFBA. A nossa satisfação é dupla, por se tratar de um colega do MP e por ele ter atingido um dos maiores níveis de ascensão na academia, sendo um docente com uma trajetória brilhante”, disse.

A filha de Heron Gordilho, Mariana Gordilho, é estudante de direito e também homenageou o pai após a conquista.

“É uma honra muito grande e foi muito merecido. Ele estuda continuamente e tenta combater através de ações, mais do que com discursos, problemas relacionados ao preconceito e a questões raciais. Espero que sirva de inspiração para outras pessoas, como serve para mim, vê-lo abordando a quebra de sistemas pré-concebidos”, comemorou, por fim.

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