Roberto Carlos faz ode ao amor em show na Bahia e diz: ‘a gente pode amar quem a gente quiser, independentemente de gênero’


Foto: Joilson César/AgNews

Ele sempre correu demais…Aos 81 anos, Roberto Carlos pode não estar mais em ritmo de aventura como em um dos títulos do filme que estrelou na década de 60, mas o eterno rei continua a pulsar corações e arrancar suspiros da plateia que lotou o segundo dia de show do projeto Emoções, nesta quinta-feira (9), no resort Iberostar, em Praia do Forte, Litoral Norte da Bahia.

Falar da experiência de assistir a um show de Roberto é ter sempre cuidado para não cair no clichê, afinal, existe algo mais clichê do que o amor? E foi exatamente o que o rei proporcionou ao público: uma ode ao amor. Apesar da plateia majoritariamente contemporânea ao cantor, era perceptível a interação entre gerações que Roberto proporciona nos shows e que se estende aos lares brasileiros.

Não é um risco dizer que é impossível que exista alguém que nunca tenha escutado uma música do rei, mesmo em tempos do Metaverso. “Detalhes”, “Outra Vez”, “Se Você Pensa”, “Sua Estupidez”, “Como Vai Você”, “Emoções”, “Além do Horizonte” e tantos outros clássicos estiveram no repertório.

A saudade do público transbordava em coro uníssono durante todas as canções do artista. E que artista. E que vitalidade. Acompanhado por músicos bem humorados e que o acompanham há uma longa jornada, Roberto esteve muito à vontade no palco, sempre com seu traje azul e branco. Cantou, brincou, interagiu e até dançou.

Telões com imagens que seguiam as músicas e exibiam o próprio Roberto, na tentativa de aproximar ainda mais o artista do público, compuseram o cenário perfeito para a volta do rei em solo baiano. “Eu não sou muito de falar, sou de cantar”, disse em um dos momentos do show.

Apesar da declaração, Roberto Carlos participou de entrevista coletiva com jornalistas, e também com a presença do público, horas antes do jantar que antecedeu o show. Na ocasião, Roberto falou sobre carreira, gosto musical, deu conselhos, falou sobre composições, o “vício” na novela Pantanal e respondeu sobre um possível feat com a cantora Anitta, à qual ele elogiou a trajetória artística.

‘Amor não tem gênero’

No mês em que é celebrado o orgulho LGBTQIA+, Roberto disse ao iBahia que o amor não tem gênero e todos os relacionamentos devem ser respeitados. “A gente pode amar quem a gente quiser, independentemente de gênero. Eu respeito todo tipo de relacionamento porque as pessoas merecem ser felizes. E a gente tem que respeitar a felicidade do outro”, disse durante a coletiva.

“Se alguém ama alguém do mesmo gênero, enfim, eu acho que a gente tem que respeitar porque cada um é cada um, cada um tem sua escolha, tem sua preferência sexual, tem sua tendência sexual também. Então eu acho que a gente tem que respeitar…Se não faz mal pra alguém, não tem porque resistir, se opor a isso”, defendeu Roberto.

Foto: Joilson César/AgNews

E é essa a bandeira do amor que fora sempre levantada por ele e será sempre o ponto alto das apresentações do rei. “Olha”, “Lady Laura”, “Mulher Pequena”, “Esse Cara Sou Eu”, “Cavalgada”, “Você em Minha Vida” e “Desabafo” seguiram o tom romântico do show, que durou quase duas horas.

E não poderia faltar outros dois momentos que também caracterizam Roberto: a religiosidade e o “iê iê iê”. Foi assim com “Nossa Senhora”, “Jesus Cristo”, “Calhambeque” e “Ilegal, Imoral ou Engorda”, o que reforça a versatilidade das composições “com tudo e sobre tudo”.

“Vem de tudo que eu vejo, de tudo que eu sinto, de tudo que eu ouço, porque eu faço música de tudo, né. Faço música até do que eu invento, mas principalmente do que eu vejo e olho na vida, nas pessoas, tudo pra mim é um ensinamento e é um motivo para eu fazer uma canção. Eu sou muito atento a tudo que acontece na minha frente. A vida é minha grande inspiração”, disse.

Foto: Joilson César/AgNews

Com taças personalizadas e distribuídas ao público, Roberto cantou “Champagne”, única internacional no show do projeto Emoções. Antes, fez uma homenagem à banda que o acompanha com uma canção em que destaca todos os integrantes.

Com a plateia quase subindo ao palco, ele iniciou o encerramento da apresentação e, como tradição, entregou rosas brancas e vermelhas ao público. Como numa disputa de buquê de casamento, mulheres, homens e até adolescentes se aglomeravam para conquistar um pouquinho do rei, afinal, ele sempre dá um “pitoque” [bitoca] na flor antes de entregar.

E foi assim que o segundo show de Roberto Carlos, na semana do Dia dos Namorados, terminou. Com corações aquecidos, a plateia foi se dispersando…E para quem acompanhou de perto a performance do rei após quase dois anos sem voltar aos palcos por causa da pandemia teve a certeza de que Roberto nunca parou na contramão.

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