Brasil

Bolsonaro nomeia novo diretor-geral da Polícia Federal

O presidente Jair Bolsonaro nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souza para o cargo

Gustavo Maia, Marco Grillo e Aguirre Talento, da Agência O Globo
- Atualizada em

O presidente Jair Bolsonaro nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souza para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal. A nomeação saiu em edição extra do Diário Oficial. Atual secretário de Planejamento da Abin, Alexandre Souza era subordinado a Alexandre Ramagem. Ele tem o apoio do diretor-geral da Abin para ocupar o cargo na Polícia Federal.

O delegado foi superintendente da Polícia Federal em Alagoas de março de 2018 até setembro do ano passado, quando deixou o posto para integrar os quadros da Abin. Souza começou a carreira na PF em Rondônia, onde conheceu Ramagem. Lá, ele atuou no setor de repressão a crimes financeiros e também foi corregedor da corporação no estado. Em Brasília, na sede da PF, foi chefe do Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos.

Souza passou por diversos cargos em que atuou no combate à corrupção, o que também foi citado como um ponto positivo por colegas de Polícia Federal.

Na PF, há uma avaliação de que ele exercerá apenas um “mandato-tampão” enquanto Bolsonaro não resolve o impasse jurídico em torno da nomeação de Ramagem. Fontes apontam que está sendo costurado um acordo para que ele seja indicado a um cargo da PF no exterior em setembro, para liberar a direção-geral para Ramagem.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a nomear Ramagem, ligado à sua família, para o cargo, mas recuou depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar suspendendo a posse dele. Na decisão, Moraes acatou pedido do PDT, que argumentou que as relações entre Bolsonaro e Ramagem poderiam resultar em interferência do presidente na instituição.

Após a decisão de Moraes, Bolsonaro publicou nesta quarta-feira outro decreto, em edição extra do Diário Oficial da União, tornando sem efeito a nomeação de Ramagem para comandar a PF e a sua exoneração do cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ao pedir demissão, o ex-ministro Sergio Moro afirmou que o presidente estava tentando fazer interferências políticas na PF, frear inquéritos contra seus aliados e obter informações de inteligência do órgão, atitudes que Moro considerou inadmissíveis.

O ministro também transcreveu trechos das declarações de Moro sobre a pressão de Bolsonaro para trocar a direção da PF. "Mas o grande problema é que não são tanto essa questão de quem colocar, mas sim porque trocar e permitir que seja feita a interferência política na PF. O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele que ele pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência, seja diretor-geral, superintendente e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas", afirmou Moro ao anunciar seu pedido de demissão.

Bolsonaro, por sua vez, declarou: "Sempre falei para ele: 'Moro, não tenho informações da Polícia Federal. Eu tenho que todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas, para poder bem decidir o futuro dessa nação'". Esse pedido foi considerado indevido pelo ministro Alexandre de Moraes.