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Entidades lançam plataforma para combater fake news e discutir gênero e sexualidade no Brasil

Relatório traz panorama geral das políticas destinadas às mulheres e à população LGBTQIA+ e análise dos retrocessos sofridos nos últimos três anos de governo

Redação iBahia
29/07/2022 às 6h30

4 min de leitura
Foto: Reprodução

Foi lançada nesta sexta-feira (30) uma plataforma digital criada com o objetivo de discutir questões de gênero e sexualidade, além de outros assuntos, e combater fake news sobre os temas no Brasil.

Batizado de Escola Nacional de Gênero e Sexualidade (Gêneros), o projeto é uma parceria entre a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas (INNPD), a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), e a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA).

A plataforma é fruto de um processo de pesquisa conduzido durante a pandemia e foi construída com financiamento da entidade WPF.

Juntas, as frentes reuniram especialistas que produziram um relatório e formataram o espaço digital para a difusão das informações.

A página já está disponível, mas o lançamento oficial será marcado por uma live, que está marcada para acontecer às 19h no canal de Youtube da Iniciativa Negra.

Estão previstos para participar do encontro a antropóloga Luana Malheiro (RENFA), a advogada Dandara Rudsan (RENFA e Iniciativa Negra) e a jornalista Symmy Larrat (ABGLT).

A mediação é da socióloga Nathalia Oliveira, co-fundadora da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas.

Relatório

De acordo com os grupos, a ideia é que o conteúdo da plataforma fortaleça discussões antirracistas e de direitos humanos, como transgeneridade, redução de danos no uso de drogas, sexualidade, classe e gênero.

Com isso, as entidades esperam construir uma contranarrativa ao que classificam como uma “crescente ofensiva antigênero no país”, dando ao público ferramentas de formação e disseminação de informações contra “retrocessos”, como a teoria da “ideologia de gênero”.

Foto: Reprodução

O termo é classificado pelas frentes como uma “expressão depreciativa usada pelo conjunto de setores conservadores internacionais contrários às discussões relacionadas a pautas LGBTQIA+ e de direitos humanos, voltadas para o debate sobre equidade de gênero, sexualidade e direitos reprodutivos”.

“Estes setores vêm desenvolvendo estratégias de fomento às discussões junto à opinião pública, para criação de base ideológica que sustenta as medidas dos poderes legislativo e executivo contrárias às pautas supramencionadas, configurando um retrocesso a conquistas consolidadas”, conta Dandara Rudsan, pesquisadora da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas.

Segundo os grupos, o argumento de que essa “ideologia” faria parte de um plano mundial para destruir o modelo de família cristã e a heterocissexualidade chegou ao Brasil com força a partir da discussão sobre currículo escolar, e manteve um campo de ação do conservadorismo em espaços de poder como o Executivo Federal, o Legislativo e o Judiciário. As entidades apontam ainda o tema como grande influenciador nas discussões das eleições de 2018.

Ainda no relatório produzido ao decorrer do estudo, consta um panorama geral das políticas destinadas às mulheres e à população LGBTQIA+ e uma análise dos retrocessos sofridos nos últimos três anos de governo, segundo apontam as entidades.

“Não pretende ser uma análise exaustiva — pois certamente há muito mais a examinar no contexto brasileiro —, mas consideramos que o que reunimos foi o suficiente e relevante para os propósitos do projeto”, conclui Dandara.

SERVIÇO
Lançamento da plataforma Gêneros (Escola Nacional de Gênero e Sexualidade)
Sexta-feira (29), às 19h, no YouTube na Iniciativa Negra
Participação de Luana Malheiro (RENFA), Dandara Rudsan (RENFA e Iniciativa Negra) e Symmy Larrat (ABGLT). Mediação de Nathalia Oliveira, co-fundadora da Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas.

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