Mistério

Jornalista britânico e indigenista da Funai desaparecem na Amazônia; PF investiga

Os dois trasitavam entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte quando sumiram. Eles tinham ido para a região para entrevistas e uma reunião, e deveriam ter retornado no domingo (5)

Redação iBahia
06/06/2022 às 18h42

4 min de leitura
Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira
Foto: Reprodução

O indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e o jornalista britânico Dom Phillips, que é colaborador do jornal inglês The Guardian, estão desaparecidos há mais de 24h no estado do Amazonas. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). A Polícia Federal apura o caso.

Em nota enviada para o iBahia pela Univaja – organização que é integrada por Bruno, os dois trasitavam entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte quando sumiram. Eles tinham ido para a região para entrevistas e uma reunião, e deveriam ter retornado no domingo (5). Equipes fazem buscas na região.

“Às 14h, saiu de Atalaia do Norte uma primeira equipe de busca da UNIVAJA, formada por indígenas extremamente conhecedores da região. A equipe cobriu o mesmo trecho que Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips supostamente teriam percorrido, percorrendo, inclusive, os ‘furos’ do rio Itaquaí, mas nenhum vestígio foi encontrado. A última informação de avistamento deles é da comunidade São Gabriel – que fica abaixo da São Rafael – com relatos de que avistaram o barco passando em direção a Atalaia do Norte. Às 16h, outra equipe de busca saiu de Tabatinga, em uma embarcação maior, retornando ao mesmo local, mas novamente nenhum vestígio foi localizado”, diz a nota.

No comunicado, a organização ainda ressalta que o indigenista conhece muito bem a região, informou que Bruno costumava sofrer ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores, e detalhou que a última intimidação havia ocorrido na semana passada, alguns dias antes do desaparecimento.

“Ressalte-se que Bruno Pereira é pessoa experiente e profundo conhecedor da região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos. Os dois desaparecidos viajavam com uma embarcação nova, 40 HP, 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem e 07 tambores vazios de combustível”. Enfatizamos que na semana do desaparecimento, conforme relatos dos colaboradores da UNIVAJA, a equipe recebeu ameaças em campo”, completou.

Foto: Reprodução/Instagram

Em nota publicada nas redes sociais, a Funai informou que está acompanhando o caso, e reforçou que Bruno Araújo não estava a serviço da Fundação quando desapareu.

“A Funai informa que acompanha o caso, está em contato com as forças de segurança que atuam na região e colabora com as buscas. Cumpre esclarecer que, embora o indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira integre o quadro de servidores da Funai, ele não estava na região em missão institucional, dado que se encontra de licença para tratar de interesses particulares”, diz a nota.

Bruno e Phillips

Ao longo da última década, Bruno Aaraújo Pereira foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte, que compreende justamente a área onde ele foi visto pela última vez. O servidor deixou o cargo em 2016, durante um intenso conflito registrado entre povos isolados da região.

Em 2018, Bruno se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai), quando chefiou a maior expedição para contato com índios isolados dos últimos 20 anos. Contudo, foi exonerado do cargo em outubro de 2019, após pressão de setores ruralistas ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

Conforme a Univaja, nos últimos anos, ele atuava na sede do órgão, em Brasília.

Bruno faz expedições com Phillips na região onde os dois sumiram desde 2018, de acordo com o Guardian.

O jornalista mora em Salvador e faz reportagens sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como Washington Post, New York Times e Financial Times, além do Guardian. Ele também está trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.

Em uma rede social, Jonathan Watts, editor do Guardian, disse que o jornal está preocupado e procurando informações sobre o colaborador.

“O Guardian está muito preocupado e procurando urgentemente informações sobre o paradeiro de Phillips. Estamos em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível”, escreveu Watts.

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