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Proposta do orçamento de 2023 prevê redução de 95% nos recursos do programa de moradias populares do governo

Especialistas apontam risco de paralisação das obras, já que documento prevê apenas R$ 34,1 milhões para o programa Casa Verde e Amarela

Redação iBahia • 16/09/2022 às 8:57 • Atualizada em 16/09/2022 às 11:57 - há XX semanas

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					Proposta do orçamento de 2023 prevê redução de 95% nos recursos do programa de moradias populares do governo
Foto: Agência Brasil

A proposta de orçamento 2023 enviada pelo Ministério da Economia ao Congresso Nacional, no fim de agosto, prevê um valor que é 95% menor do que o empenhado em 2022. O programa Casa Verde e Amarela – principal programa de construção de moradias populares do governo - teria apenas R$ 34,1 milhões.

De acordo com reportagem divulgada pelo G1, hoje, a dotação do programa está em R$ 665,1 milhões – quantia já considerada insuficiente para a construção de novas habitações, segundo avaliação do Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pelo projeto.

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O Casa Verde e Amarela foi uma iniciativa do governo Jair Bolsonaro (PL) para substituir o Minha Casa, Minha Vida, programa criado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além do orçamento federal, o programa também conta com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas os repasses da União para o Casa Verde e Amarela representam a maior fatia.

Questionado sobre a redução do orçamento do programa, o Ministério da Economia admitiu que "os recursos previstos ficaram aquém da necessidade e da vontade do Governo Federal", mas argumentou que a definição do valor final caberá ao Congresso Nacional, durante a votação do orçamento.

Déficit habitacional

Déficit habitacional é o termo usado para se referir ao número de famílias que vivem em condições precárias de moradia ou que não possuem casa. De acordo com o último levantamento da Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional no Brasil estava próximo de 6 milhões de moradias em 2019.

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Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, entre 2019 e 2022, o governo entregou 1,4 milhão de casas, considerando os dois programas: Minha Casa, Minha Vida – até 2020, e o Casa Verde e Amarela, a partir de 2020. Ainda de acordo com a pasta, todas as casas subsidiadas entregues para o grupo mais vulnerável foram frutos de contratos firmados antes de 2018.

O que dizem os especialistas

Na avaliação da coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, Ana Maria Castelo, o orçamento previsto para 2023 pode impedir a continuidade das obras, que estão em andamento e que tinham sido retomadas após a criação do Casa Verde e Amarela. A especialista avalia ainda, entrevista ao g1, que a redução do valor para o programa pode ser vista como um enfraquecimento da política pública.

Ana Maria Castelo apontou que, ao longo dos anos, a participação do recurso público no programa diminuiu "significativamente", sinalizando, segundo a especialista, que a política habitacional "não é mais relevante" para o governo.

Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), além do problema social, a falta de recursos gera insegurança para as empresas responsáveis pelas obras em curso. Por outro lado, Martins explica ainda que a queda de recursos da União não afeta os financiamentos do programa, que contam com recursos do FGTS.

Famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal de até R$ 8 mil podem solicitar financiamento com recursos do FGTS, através da Caixa Econômica Federal.

O Conselho Curador do FGTS define anualmente uma reserva de recursos para subsidiar o programa. Segundo a coordenadora do FGV IBRE, Ana Maria Castelo, nos últimos anos, “o programa praticamente rodou com (recursos) do FGTS”.

O que diz o governo

Questionado sobre a redução de recursos no próximo ano, o Ministério do Desenvolvimento Regional disse que “as necessidades de recurso para o orçamento de 2023 foram formalmente encaminhadas pela pasta ao Ministério da Economia”.

Em nota ao g1, a Economia admitiu que “os recursos previstos ficaram aquém da necessidade e da vontade do Governo Federal” por conta do “elevado nível de indexação e rigidez alocativa das despesas”.

A pasta argumentou ainda que a definição do valor final cabe ao Congresso Nacional, um ambiente que, segundo a Economia, é “legítimo” e “sensível” aos anseios da sociedade.

"Não podemos esquecer que a discussão em torno do valor final a ser destinado no próximo ano para esse Programa ocorrerá no Congresso Nacional, o ambiente legítimo, e com certeza, sensível aos anseios e escolhas da sociedade em torno das políticas públicas consideradas mais relevantes”, defendeu o ministério.

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