Toda indústria precisa diminuir seus riscos para poder lucrar. O Cinema não faz diferente, e, consciente do posicionamento de seu consumidor, sabe que apostar em adaptações de quadrinhos e livros infanto-juvenis é quase certeza de dinheiro no bolso. “Maze Runner” (2014) obteve a “modesta” soma de 340.000 dólares em sua bilheteria, cerca de 10 vezes o valor de seu custo de produção, o que para a Fox foi mais do que um incentive para encomendar de imediato sua continuação. Maze Runner – Prova de Fogo segue a história de Thomas e seus colegas de labirinto do ponto onde seu longa anterior pausou. Como mesmo anuncia sua divulgação, fugir do labirinto era apenas o começo, e agora a turma tem se vê envolvida diretamente no embate contra a C.R.U.E.L, organização misteriosa que arquitetou sua prisão e tem papel fundamental no mundo distópico encontrado por eles após sua fuga.
O longa segue a lógica de video-game traçada pelo seu predecessor, dividindo seu roteiro como fases de um jogo, “quests” que são conquistadas para enfrentar o próximo chefão. Se o conflito anterior era sair de um labirinto que se modificava automaticamente de um dia para o outro, o jogo agora é atravessar um deserto em busca de uma possível cura para o mau que devastou o mundo. Este, que era o grande mistério do longa anterior, frustra o espectador em sua descoberta pela simploriedade da resposta: Um apocalipse Zumbi.Agora, com as cartas na mesa, toda a força do filme anterior, que se mantinha justamente na expectativa do público para entender o que estava acontecendo, torna “Prova de Fogo” um mero exercício de ação. Suas sequências chamam atenção pela criatividade de seus planos, que exploram com sabedoria os diversos níveis da cena, estabelecem bem a geografia de seus cenários, mas não geram empatia como história. Não existe um tom de urgência e muito menos de perigo devido a aparente força de uma “zona de segurança” que envolve toda sua lógica “PG-13”, o que diminui drasticamente o impacto de suas mirabolantes cenas de ação.
Seus personagens são tão esquecíveis quanto seus nomes e a individualidade tão bem construída em seu predecessor se esvai pela falta de motivação individual de cada um. Coloco como exceção aqui dois novos nomes no elenco, o do carismático Giancarlo Esposito como Jorge, o líder de um grupo periférico com interesses bem definidos e o de sua assistente, que, apesar de protagonizar algumas das cenas mais interessantes do longa, me desculpo ao afirmar que seu nome também se esvai de minha mente pela falta de interesse provocado pelo filme. O jogo de interesses amorosos que envolvem o coração de Thomas se torna um apêndice tão pouco aproveitado que nem chega a incomodar tanto, mesmo que sobre um gosto um tanto quanto forçado na boca.Embebido por clichês que facilitam sua digestão por seu público alvo, Maze Runner – A Prova de Fogo abre mão do silêncio, dos olhares e diria até que um tanto da sutileza que pede um ambiente pós-apocalíptico e escolhe ao invés disso abastecer seus diálogos com frases rápidas de efeito que sugerem rapidamente o contexto passado. Tiraram os garotos de um labirinto como ratos e os colocaram em uma roda de laboratório para observarmos, assim como o próprio filme, correrem e correrem sem saírem do lugar.
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