Coisa de Cinéfilo

Faltou mais loucura em ‘Dr. Estranho no Multiverso da Loucura’

Longa constrói um roteiro com inúmeras possibilidades, em multi universos e várias versões dos personagens

Marcela Gelinski
14/05/2022 às 18h00

4 min de leitura
Foto: Divulgação

Quais são as possibilidades de vários universos que compor a realidade e/ou onde temos várias versões de nós mesmos? Será que em outra dimensão paralela o nosso ‘eu’ alcançou os objetivos que tenta arduamente nesta aqui? Doutor Estranho no Multiverso da Loucura traz essa ideia juntamente com a dinâmica com Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen, Vingadores: Ultimato), que está inebriada com a função de viver em uma realidade onde seus filhos estejam vivos.

Assim segue o roteiro, construindo caminhos para o desenvolvimento e aprofundamento de personagens importantes, assim como a chegada de novos, como é o caso de America Chavez (Xochitl Gomez). A garota consegue passear entre os multiversos e vivenciar as diferentes realidades. Algo que é claramente almejado por Wanda. Ela começa, então, a ser perseguida pela mesma, que manda diversos monstros para roubar o seu poder. No meio do caminho, ela esbarra com o nosso Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch, Ataque dos Cães), que sonha com a outra realidade. Descobrimos que é possível saber de outros universos durante os nossos sonhos.

Quando eles começam nessa jornada de tentar salvar America, fugindo entre as dimensões, algumas realidades vão sendo colocadas para Stephen. Ele percebe que sua arrogância é um elemento comum entre os universos, algo que o leva a ser um vilão (ou quase isso) em diversas oportunidades. A reflexão vem e ele começa a entender que o excesso de poder tem um lado muito obscuro. Falando em obscuro, esse é um filme com toque sincero de terror, um traço prometido e cumprido pelo diretor Sam Raimi (Homem-Aranha – 2002).

À medida que a história avança, a insanidade de Wanda vai se tornando ainda pior, com mortes e terror por onde passa. O filme faz uma conexão com os Illuminatti, com o aparecimento super esperado de Capitã Marvel (Maria Rambeau), professor Xavier (Patrick Stewart), Senhor Fantástico (John Krasinski), Capitã Carter (Hayley Atwell) e Raio Negro (Anson Mount). É uma parte super bacana e interessante de se acompanhar no filme. Pena que tem um desfecho rápido demais com a morte de todos pela mão da Feiticeira Escarlate. Achei que faltou aproveitamento do elenco incrível que foi reunido ali.

O que decepciona, no entanto, é que essa loucura de Wanda não tem a finalização mais grandiosa possível. O grande ápice não é tão grande assim e ela desiste muito fácil de seus objetivos quando percebe que os seus filhos em outras dimensões não são seus filhos da realidade, portanto não transferem o afeto para ela. Faltou tempo de tela, neste momento, para nos inserir num sentimentalismo que justificasse o filme como um todo. E faltou, a meu ver, ela enlouquecendo ainda mais e por completo quando as coisas não saem conforme o planejado.

O mais difícil para Strange é notar que ele não fica junto com Christine em nenhum dos universos que visita, mostrando o quanto suas histórias são feitas para trilhar caminhos separados. É aí também que ele entende a sua importância no multiverso e a necessidade de controlar suas emoções para lidar e aplicar corretamente um poder tão grandioso.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é um bom filme que completa ainda mais o universo Marvel e a continuidade de histórias que viemos acompanhando ao longo dos anos. No entanto, falta ser excelente pois ele não arrisca mais do que o ambiente seguro. Falta um click no filme que torne ele realmente incrível, tal qual poderia ser ou como seu trailer nos fez pensar que seria. Tem um quê de decepção no resultado final, a bem verdade é essa.

Veja trailer completo

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