De Resenha

Balé Folclórico da Bahia traz encantamento e apoteose no espetáculo “Pantheon dos Orixás”; confira

Companhia está em cartaz no Teatro Miguel Santana, no Pelourinho. Apresentações acontecem às segundas, quartas e sextas, às 19h.

Arlon Souza
27/05/2022 às 16h02

3 min de leitura

Assistir a um espetáculo do Balé Folclórico da Bahia (BFB) é sempre uma experiência que nos toca em diversos aspectos culturais que formam a nossa identidade afro-brasileira. Porém, para muito além da tradição, vamos estar sempre diante de uma obra artística muito consistente em encenação, dramaturgia, direção e coreografia. E sem limitações impostas por nenhuma escola, seja ela clássica, moderna ou contemporânea. O grupo é um corpo híbrido, tanto pela essência quanto pela prática, numa trajetória internacional que já dura mais de 30 anos. E some a tudo isso a primorosa formação e desempenho técnico dos artistas que compõem seus elencos.

Foto: Genilson Coutinho / Divulgação Acervo De Resenha

Esta semana estive novamente diante de uma das obras mais emblemáticas e longevas do BFB: “Pantheon dos Orixás” (1996); que no contexto do significado da palavra “panteão” (do grego, pantheion) podemos entender como templo dos deuses ou como um conjunto de deuses de uma religião politeísta. Embora esse aspecto cultural e religioso de matriz africana seja o eixo dessa criação, as diversas manifestações da cultura popular, a exemplo do maracatu, da capoeira, do samba de roda, entre outros, constroem uma narrativa ao mesmo tempo lírica, mágica e apoteótica. Acrescentando ainda que esta montagem é um desdobramento de um dos espetáculos do repertório da companhia: “Corte de Oxalá”.

O virtuosismo da dança dos orixás (Ogum, Oxum, Oxóssi, Iansã e Omolu), em harmonia com a percussão, os cantos, indumentárias e a iluminação cênica, nos transportam para uma dimensão mítica e ancestral. A coreografia, assinada por Zebrinha e Vavá Botelho, não se basta à reprodução fidedigna dessas danças, mas na introdução de um tratamento estético contemporâneo, compondo uma dramaturgia em que essas personagens contracenam e apresentam diversos elementos, símbolos, ritos e características dos seus universos e de suas histórias. Uma passagem que ilustra bem isso é o momento em que os dançarinos – atuando como Ogum, Oxóssi e Iansã –  formam um triângulo amoroso, que tem base na mitologia afro-brasileira.

Dadas as devidas dimensões e componentes, podemos dizer que “Pantheon dos Orixás” é, ainda, como outros espetáculos do grupo, um musical “afro-brasileiro-popular-contemporâneo”. Nele, a fluência e a variação do xirê dialogam harmoniosamente com os princípios cíclicos e circulares das danças africanas. E me perdoem aqui o spoiler: mas o solo de berimbau, que num determinado trecho toca “Asa Branca” (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) é puro êxtase. 

Há atualidade no enredo, no estilismo mais cênico e funcional dos figurinos, na própria costura das manifestações da cultura popular, na fusão rítmica e musical e também nos solos, duetos e outros formatos muito dinâmicos, vibrantes e vigorosos que emocionam e arrebatam. São muitos tons de África, de Bahia, de Nordeste, de Brasil, que nos afetam em lugares profundos da nossa subjetividade. Entre o humano e o divino, é de tirar o fôlego e nos embevecer de vitalidade.

Balé Folclórico da Bahia – “Pantheon dos Orixás”

  • Quando: Às segundas, quartas e sextas
  • Horário: 19h
  • Onde: Teatro Miguel Santana, no Pelourinho
  • Duração: 55 minutos
  • Ingresso: R$ 60,00 (meia entrada promocional, válida para todos por tempo determinado).
  • Mais informações no site: www.balefolcloricodabahia.com.br

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