Balé Teatro Castro Alves dança Gilberto Gil; veja detalhes do espetáculo


Foto: Divulgação / Maurício Serra

O BTCA sempre foi um nascedouro intenso de criações. No espetáculo ‘Viramundo’, esses corpos voltam a nascer, brotando das raízes mais genuínas da nossa cultura, das nossas matrizes afro-nordestinas. Ao terceiro sinal, a obra já apresenta um dos componentes do seu DNA, a genética sertaneja. Desabrochando a partir daí uma série de leituras cênicas e coreográficas para a vida e a obra do cantor, compositor e imortal Gilberto Gil. São corpos em diáspora, retirantes, emigrantes, e neles todas as sensações e situações que se estabelecem nas itinerâncias percorridas pelos dançarinos no palco.

Com direção de Duda Maia, artista reconhecida pelos principais prêmios nacionais de Teatro, ‘Viramundo’ (título de umas das canções de Gil), além de uma obra coreográfica, é também um concerto dançado, no qual cada intérprete dança a sua versão das diversas fases, faces e facetas dos 80 anos de Gil. Embora o fio condutor seja a música do homenageado, nosso olhar é instigado por outros múltiplos caminhos e perspectivas possíveis dessa narrativa; que se inspira em vertentes culturais, políticas, filosóficas, entre outras, desse grande mestre da MPB.

‘Viramundo’ nos conta em fragmentos a vida de Gil e, em suas muitas simbologias, os muitos trânsitos da história contemporânea do Brasil , que acaba contando muito sobre nós,  sobre o que nos forma, sobre as nossas lutas e glórias. Uma epopeia carnavalizante. É puro frisson. É divertido. Romântico. É realce! Quanto mais purpurina, melhor!

A trilha sonora original composta  pelo maestro Ubiratan Marques, que será executada ao vivo pela Orquestra Afrosinfônica, nos leva por um manancial rítmico e sonoro que, ao se embrenhar das nossas matrizes culturais e do universo gilbertiano – com novos arranjos – interfere de maneira cirúrgica na dramaturgia. Essa alquimia entre concerto e companhia é dividida em três movimentos: o 1º, Sertão; o 2º, Tropicália; e o 3º, Expresso 2222. Já a direção de cena e a coreográfica desenham o espaço de uma forma muito fluida, precisa e dinâmica. E é visível o resultado orgânico que se conseguiu através de um trabalho conduzido com a autonomia criativa dos dançarinos.

Um processo de criação coletivo, colaborativo, visceral e humano, demasiadamente humano. Abraços, encontros, reencontros e partidas. A expressividade de corpos carregados de afeto e dramaticidade. A pulsação de manifestações brincantes da cultura popular. Observando por um prisma universal, é possível sentir em nós o fardo e a bagagem que carregamos e um painel de tudo aquilo que  está entranhado no nosso corpo, ao longo dessa nossa existência.

Idealizado por Ana Paula Bouzas, diretora artística do BTCA, “Viramundo” traz em seu corpo de baile  todo o elenco da companhia, juntando diferentes gerações: Adriana Bamberg, Agnaldo Fonsêca, Ângela Bandeira, Cristian Rebouças, Dayana Brito, Dina Tourinho, Douglas Amaral, Evandro Macedo, Fátima Berenguer, Fernanda Santana, Gilmar Sampaio, Jai Bispo, Joely Pereira, Konstanze Mello, Lílian Pereira, Luís Molina, Luíza Meireles, Maria Ângela Tochilovsky, Mirela França, Mônica Nascimento, Paullo Fonseca, Renivaldo Nascimento (Flexa II), Rosa Barreto, Ruan Wills e Solange Lucatelli.

Vá na fé, que a fé não costuma faiá.

Espetáculo “Viramundo” – Balé Teatro Castro Alves e Afrosinfônica

  • Dias: 01, 02 e 03 de julho.
  • Horário: Sexta e sábado, às 21h; e no domingo, às 20h.
  • Onde: Sala Principal do Teatro Castro Alves
  • Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), filas de A a Z11
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Vendas: Os ingressos para o espetáculo podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Castro Alves ou no site e aplicativo Sympla

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