A convocação da Seleção Brasileira sempre mobiliza o país. Discutimos quem merece estar na lista, quem vive melhor fase, quem decide jogos grandes e quem pode carregar o peso de uma Copa do Mundo. Mas existe uma pergunta curiosamente pouco presente no debate: quem cuida da saúde mental da Seleção?
A Seleção não é formada apenas pelos jogadores em campo, existe uma estrutura inteira atravessada pela pressão, pela exposição e pela expectativa coletiva que uma Copa produz. Comissão técnica, auxiliares, médicos, analistas, preparadores físicos, fisiologistas e dirigentes também sustentam esse ambiente. Ainda assim, esse tema raramente entra na conversa pública.
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Haverá psicóloga ou psicólogo acompanhando a Seleção? E, se houver, qual será o lugar real desse cuidado dentro da estrutura? O silêncio em torno disso diz muito sobre a forma como o futebol brasileiro ainda lida com o sofrimento emocional. Durante muito tempo, criou-se no esporte a ideia de que suportar pressão em silêncio era sinônimo de força, como se sujeitos altamente expostos, cobrados e transformados em símbolos nacionais não fossem atravessados por tudo isso.
Só que a Copa do Mundo não testa apenas desempenho físico. Ela testa ansiedade, medo, ego, frustração, pertencimento e a capacidade de sustentar críticas diante de milhões de pessoas projetando expectativas quase impossíveis. Há ainda algo mais delicado: o jogador da Seleção deixa de ser visto como sujeito e passa a ocupar um lugar de fantasia coletiva, o herói, o salvador, a promessa de reparação simbólica de um país inteiro. E nenhum sujeito sustenta esse lugar sem efeitos. Ainda assim, o cuidado emocional segue tratado como acessório no esporte de alto rendimento. Falamos com naturalidade sobre lesões musculares, mas seguimos tratando sofrimento psíquico como algo secundário, especialmente quando envolve homens em contextos de exigência constante de força e invulnerabilidade.
Penso que uma das perguntas mais importantes antes do início da Copa do Mundo é: quem está preparado para não se perder dentro do peso emocional que um país inteiro deposita sobre um único time?
Para mim, a questão não é apenas quem vai jogar. Mas quem, dentro e fora dele, consegue sustentar a humanidade de quem foi transformado em expectativa.
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