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Fabiano Lacerda

Voltar ao natural

Nem sempre o cuidado está em fazer mais, às vezes está em voltar ao básico

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Fabiano Lacerda

28/04/2026 às 11:52 - há XX semanas
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Existe algo que a gente vem esquecendo, talvez por viver cada vez mais cercado de telas, concreto e pressa.

Eu, por exemplo, tento algumas vezes ao longo do ano me colocar em contato com florestas mais densas. Não como lazer apenas, mas como uma forma de retornar a um estado interno que a rotina, aos poucos, vai afastando sem que a gente perceba. E toda vez que faço isso, algo muda. Não de forma espetacular, mas de um jeito silencioso e profundo, como se o corpo encontrasse um ritmo que já conhecia, mas que tinha sido deixado de lado.

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					Voltar ao natural
Foto: Freepik

A gente se acostumou a viver em estado de alerta. Responde mensagem rápido, come sem perceber, dorme mal, acorda cansado e segue funcionando como se isso fosse normal. Só que o corpo não entende esse ritmo como natural. Ele responde. E responde com estresse, com cansaço, com dificuldade de manter hábitos que exigem constância, inclusive na forma como nos alimentamos e cuidamos de nós mesmos.

Quando a gente se coloca em ambientes naturais, algo começa a se reorganizar. Não é só uma sensação de calma. Existe uma regulação acontecendo. Estudos mostram que o contato com áreas verdes pode reduzir o cortisol, que é o hormônio do estresse, e aumentar a atividade de células importantes do sistema imunológico, como as chamadas células NK, responsáveis por proteger o organismo. Parte desse efeito está relacionada aos fitoncidas, substâncias liberadas pelas árvores que interagem com o nosso corpo de forma positiva.


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Foto: Freepik

No Japão, essa experiência ganhou nome: Shinrin-yoku, ou banho de floresta. Surgido na década de 1980 como uma estratégia de saúde pública, ele propõe algo simples e ao mesmo tempo profundo, caminhar de forma desacelerada, respirar com mais consciência e se permitir estar presente no ambiente, ativando os sentidos. Não se trata apenas de caminhar, mas de uma experiência imersiva, quase meditativa, que favorece o bem-estar mental e físico.


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Foto: Freepik

E talvez o mais importante seja entender que isso não exige cenários perfeitos ou viagens distantes. O banho de floresta pode acontecer em parques urbanos, em espaços com bastante verde, desde que exista a possibilidade de desacelerar de verdade. No Brasil, inclusive, essa prática começa a ganhar mais espaço, com estudos e iniciativas, como as da Fiocruz, que buscam integrar esse tipo de cuidado ao próprio sistema público de saúde.

Mas, para além dos dados e dos nomes, o que mais chama atenção é a experiência. A respiração muda, o corpo desacelera, a mente deixa de correr na mesma velocidade. E isso contrasta diretamente com o modo como a gente vive hoje. Mais tela, mais estímulo, mais respostas imediatas. Até mesmo quando o assunto é saúde emocional, cresce a ideia de que dá para substituir o processo de escuta e elaboração por soluções rápidas, automatizadas, como se fosse possível terceirizar o encontro consigo mesmo.


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Foto: Freepik

Cuidar da saúde emocional também passa por escolhas simples, mas que exigem presença. O ambiente em que você está, o tempo que você passa diante de uma tela, a qualidade do seu sono, a forma como você se alimenta, os espaços de pausa que você se permite. Tudo isso regula, ou desregula, o corpo e a mente.

Talvez o que esteja faltando não seja mais uma estratégia nova, mas um retorno ao que é básico e, ao mesmo tempo, profundamente transformador. Menos excesso, mais presença. Menos pressa, mais contato.

A pergunta que fica não é sobre fazer mais, mas sobre mudar o lugar de onde você vive: quanto da sua rotina hoje realmente favorece o seu equilíbrio emocional?

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