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Gestão e Carreira

Comunicação, pertencimento e cultura: sua empresa está preparada?

Diálogos Nordeste reuniu lideranças em Salvador, para discutir como a comunicação, cultura, pertencimento e reputação geram valor para as empresas

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Cristiano Saback •

- há XX semanas
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A Bahia é feita de três pessoas: eu, você e quem a gente conhece Suely Temporal, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)

Como profissional que dá treinamentos, palestras e consultorias, sempre fui interessado em eventos que trazem discussões sobre os desafios das organizações. Por isso, na semana passada, fui participar do Diálogos Nordeste, evento realizado no dia 15 de outubro, na Arena Fonte Nova, em Salvador. O que eu não imaginava era sair de lá com tantas reflexões e insights para novos projetos e soluções que, ainda durante a programação, comecei a transformar minhas anotações neste artigo.


					Comunicação, pertencimento e cultura: sua empresa está preparada?
José Luis Ovando (Supera Comunicação) e Cintia Liberato (ABERJE Nordeste). Foto: Cristiano Saback

Foram horas de debates, palestras e troca de experiências, interrompidas apenas pelos intervalos do coffee break e almoço. O público permaneceu atento até o encerramento, que incluiu uma visita técnica aos bastidores da Arena Fonte Nova. O conteúdo abordado durante todo o dia justificou esse interesse: comunicação, cultura, liderança, pertencimento e reputação; que, na medida que foram sendo abordados, percebemos a sua interdependência na gestão empresarial.

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Promovido por uma parceria entre a Aberje Nordeste (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e a Supera Comunicação, o Diálogos Nordeste recebeu profissionais de diferentes estados e registrou uma demanda de participantes maior do que a sua capacidade. O que levou à reflexão de Cíntia Liberato, Diretora da Aberje Nordeste e Gerente de Comunicação da Bracell: “O mercado quer e tem espaço para que a gente traga mais eventos como esse e movimente cada vez mais o mercado de comunicação na Bahia”, afirmou. Destacou, inclusive, a intenção de ampliar as conexões entre diferentes mercados.

José Luís, da Supera Comunicação, explicou que a proposta ultrapassa a realização de encontros pontuais: “Nós entendemos o Diálogos como uma plataforma de relacionamento”. A iniciativa busca aproximar profissionais, compartilhar conhecimentos e ampliar conexões entre diferentes mercados.

Quando a comunicação transforma comportamentos

Um dos principais aprendizados foi compreender que comunicar valores significa transformá-los em prática. Para isso é preciso integrar comunicação, lideranças, recursos humanos, segurança, operações e vários outros setores.

Vivian Barbosa, Coordenadora de Comunicação Interna da Bracell, apresentou a Segurança do Trabalho como exemplo. Em vez de concentrar a comunicação apenas nas regras, a empresa procura demonstrar ao colaborador o significado de adotar práticas seguras, para que ao final do trabalho volte para casa, para os seus e sua família: “É papel muito relevante da comunicação interna olhar para essas demandas e traduzir isso para algo que, no dia a dia, vai fazer a diferença real na vida do profissional”, destacou.

Para Danielle Luz, Líder Regional de Comunicação e Marketing da Energisa, a formação de lideranças é considerada fundamental. Ela chamou a atenção para os profissionais que assumem funções de gestão depois de uma trajetória técnica: “Cabe muito às organizações olharem para essa liderança e dar a ela essa formação e ferramentas necessárias”, afirmou. Ela falou da importância da Academia de Líderes, que trabalha, entre outras competências, o papel do gestor como comunicador.

A participação da comunicação nas decisões foi outro ponto relevante levantado por Ana Flávia Esteves, Gerente de Comunicação do Grupo 3 Corações, que explicou que a sua área integra a Diretoria de Gente e participa do planejamento de iniciativas voltadas para os colaboradores: “A gente não só leva as decisões, a gente ajuda a pensar o que vai ser levado”, falou explicando que a comunicação deixa o lugar de apenas divulgar e passa a contribuir para a construção de estratégias.

Pertencimento que ultrapassa os limites da empresa

Luana Nunes, Gerente de Comunicação Empresarial da Embasa, destacou o projeto Histórias que Conectam (projeto institucional de 2026), que reúne vivências de profissionais e moradores, do estado da Bahia, beneficiados pelos serviços de abastecimento de água e saneamento, como resultado das relações construídas entre colaboradores e comunidades.

Ela lembrou que: “muitos profissionais são das próprias localidades onde trabalham. São pessoas que conhecem a necessidade da população e acompanham as transformações provocadas pela chegada dos serviços. A gente pertence àquele lugar. A gente é daquele lugar”.

Para Luana, essas histórias ajudam a tornar visível um trabalho que, muitas vezes, só é percebido quando há conexão e sensação de pertencimento: “Ao compartilhar essas experiências, a empresa também aproxima a sociedade da sua missão.”

Reputação é um ativo estratégico

A reputação apareceu como consequência dessa combinação de práticas, comportamentos e relações.

Victor Pereira, Gerente de Relações Institucionais da Aberje, destacou que: “A reputação influencia negociações, fortalece a confiança e pode fazer a diferença diante de uma crise. Mas, não se constrói de maneira imediata. Exige ética, transparência e consistência ao longo do tempo. Pensar em comunicação hoje é pensar em reputação”, afirmou.

A dimensão prática desse ponto, apareceu na palestra de Thaise Muniz, Gerente Comercial, Comunicação e ESG na Arena Fonte Nova; que mostrou o planejamento necessário para receber grandes públicos em jogos, shows e eventos corporativos. Entre os cases citados, Thaise trouxe o Viradão, operação que ficou conhecida por transformar rapidamente, em 12 horas, a estrutura do Show de Gilberto Gil (que aconteceu num sábado) num gramado livre para um clássico do futebol: o Ba-Vi que aconteceu no dia seguinte. Esse case demonstrou a importância da integração de equipes, do planejamento e da capacidade de resposta.

Após a explanação, fomos convidados para uma visita técnica aos bastidores da Arena Fonte Nova, do Gramado ao topo de operações.

Eventos como esse precisam ser uma constante

Ao longo do evento Diálogos Nordeste, ficou claro que a região tem experiências relevantes para compartilhar e muito a ganhar com a realização de eventos como esse. Receber profissionais de diferentes estados e experiências fortalece a circulação e troca de conhecimento, amplia relacionamentos e valoriza o mercado regional no cenário nacional.

Entre tantas reflexões sobre confiança e relações humanas, Suely Temporal, Presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), arrancou risadas e aplausos da plateia ao traduzir, com humor, uma característica da conexões construídas na Bahia: “A Bahia é feita de três pessoas: eu, você e quem a gente conhece”.

Como profissional que atua com palestras, treinamentos e desenvolvimento de pessoas, saí do evento convencido de que a educação continuada não pode ser tratada como uma ação eventual dentro de uma empresa. Capacitações não são apenas pílulas motivacionais. Quando bem planejadas e realizadas com constância, ajudam a desenvolver competências técnicas e comportamentais, fortalecer liderança, aprimorar o trabalho em equipe e manter os profissionais conectados aos valores e objetivos das organizações.

A comunicação engaja e fortalece a cultura de uma empresa, mas são as pessoas que, quando bem treinadas, se comprometem e transformam cultura em resultados.

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