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Gestão e Carreira

Fui palestrar para universitários e saí aprendendo uma lição

Simpósio feito por estudantes mostrou profissionalismo além da área acadêmica: liderança e trabalho em equipe sendo desenvolvidos antes do diploma

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Cristiano Saback

15/06/2026 às 12:59 - há XX semanas
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Em pleno sábado, fui convidado para ministrar uma palestra com o tema: "Gestão de Carreira na Enfermagem: marca, desenvolvimento profissional e oportunidades". Como sempre, cheguei com, no mínimo, uma hora antes do combinado; aproveitei para sentar entre os mais de 300 estudantes que assistiam ao evento e observar. Cheguei preparado para compartilhar experiências, provocar reflexões e mostrar caminhos para quem está começando a construir a trajetória profissional. Mas, mesmo antes de subir ao palco, fui surpreendido. Confesso que esperava encontrar um evento mediano, feito por universitários, mas o que encontrei foi muito maior: um profissionalismo que supera muitos eventos planejados por empresas.


					Fui palestrar para universitários e saí aprendendo uma lição
Foto: Arquivo Pessoal

Vi estudantes assumindo responsabilidades que muitos profissionais só experimentam depois de anos no mercado de trabalho. Credenciamento organizado, programação de palestras fluindo, recepção aos convidados, sala VIP para palestrantes e corpo docente, produção de conteúdo, cobertura em vídeo e comunicação entre equipes. O cuidado com cada detalhe estava evidente; os imprevistos também, mas o jogo de cintura falou mais alto. O evento transmitiu profissionalismo do início ao fim.

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Mais que um simpósio, vi universitários vivendo uma experiência real de desenvolvimento profissional.

A coordenadora do curso de enfermagem, Danuza Melo, estava ali, presente, acompanhando tudo. A professora responsável pela disciplina que demandou a “tarefa”, a enfermeira Mirthis Sento-Sé, estava acompanhando de perto também, além de outros membros do corpo docente. Todo mundo ali engajando o trabalho desenvolvido pelos seus “pupilos”. A enfermeira Daniela Fagundes, do HGE (Hospital Geral do Estado), estava entre as palestrantes. Ela explanou e evidenciou seu compromisso com a gestão, melhoria contínua e cuidado com os pacientes.

Conheci estudantes que representam muito bem a geração Z, com um comportamento profissional, ainda sem o diploma na mão. Gabriel Ronaldo orquestrava o evento (ele era o responsável pelo convite dos palestrantes); Ana Cristina, Cauã, Ilana e Alana demonstravam organização. Lucas, estudante de publicidade, estava lá, responsável pela produção audiovisual. Enquanto muitos falam sobre a importância da interdisciplinaridade, eles “simplesmente” estavam colocando-a em prática: a enfermagem dialogando com a comunicação e a comunicação fortalecendo a enfermagem. E é exatamente assim que o mercado funciona ou, no mínimo, deveria funcionar.

Durante a minha palestra, apresentei provocações que sempre faço aos universitários: carreira não é construída apenas com motivação e palavras bonitas. Ela exige planejamento, escolhas estratégicas, atualização constante e muito trabalho. Conversamos sobre posicionamento profissional, construção de marca, oportunidades na enfermagem, tendências do mercado, vagas reais de emprego, possibilidades de especialização, pós-graduação, MBA, mestrado e sobre a importância de cada decisão tomada ainda durante a graduação. Ao final, deixei uma mensagem simples: desconfiem das promessas de sucesso fácil. Não existem carreiras sólidas construídas por atalhos. Nem tudo que reluz é ouro.

Nada do que foi entregue naquele sábado foi por acaso. Houve planejamento, reuniões, erros, ajustes, negociação, responsabilidade e muito esforço.

Nos processos de consultoria de carreira que realizo com universitários, acompanho jovens na construção de currículos e do LinkedIn, treino para entrevistas de emprego e fazemos mapeamento de cargos, funções e salários. E o que tenho encontrado é muito parecido com o que vi naquele simpósio: jovens criativos, curiosos, preparados para aprender, capazes de assumir responsabilidades e dispostos a crescer.

Ao mesmo tempo, prestando consultoria e dando treinamentos para empresas, escuto de gestores que essa geração chega despreparada para o mercado de trabalho. Será? Será que estamos olhando para esses jovens pelos critérios certos?

Talvez existam duas inteligências caminhando na mesma direção, mas que ainda não conseguiram se encontrar: a de universitários que desenvolvem competências e habilidades muito antes da formatura e a de organizações que ainda procuram exatamente essas competências e habilidades sem perceber que elas já estão sendo construídas.

Quem trabalha com gente tem que gostar de gente. Aliás, isso vale para qualquer profissão. Depois do que presenciei no sábado passado, acrescento mais uma convicção: motivação inspira, mas é o trabalho bem-feito que transforma estudantes em profissionais e sonhos em carreira. O mercado talvez ainda não esteja enxergando todo o potencial dessa geração.

Falo com propriedade: através das consultorias, palestras e treinamentos que realizo direcionados para universitários, vejo competência, maturidade, criatividade, colaboração e um desejo genuíno de fazer a diferença.

Esse é o futuro do mercado de trabalho e, talvez, seja hora de começarmos a olhar para ele com mais atenção.

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