Oratória: você pode ser competente e ainda assim parecer despreparado
Profissionais tecnicamente bons perdem força quando não conseguem organizar raciocínio, defender ideias, apresentar projetos ou responder sob pressão

Falar numa reunião para os chefes e colegas, liderar, dar entrevistas ou falar numa conferência são desafios que podem aparecer a qualquer momento na nossa trajetória profissional. O que antecede esses momentos, muitas vezes, é o frio na barriga, as mãos suando ou o coração acelerado. Até quem tem experiencia pode sentir algum nervosismo em algumas situações em que precisa se expor. É preciso prestar atenção, porque a maneira como a gente se comunica interfere diretamente naquilo que a gente tem de mais precioso na carreira: a nossa competência e posicionamento profissional.

Tem muita gente que domina tecnicamente bem o assunto, conhece profundamente o trabalho que faz e tem excelentes ideias, mas se não consegue organizar a comunicação e adaptá-la a quem está ouvindo, corre o risco de parecer menos preparado do que realmente é. Importante destacar que as pessoas e o mercado de trabalho também formam percepções a partir da maneira como nos comunicamos.
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Construir uma boa oratória não é apenas para subir em um palco diante das pessoas e dar uma palestra. A necessidade do desenvolvimento dessa habilidade aparece em situações comuns no cotidiano profissional: reunião com a diretoria, reunião com os liderados, apresentação de resultados, negociação com o cliente, em uma entrevista de emprego, numa conferência, diante da câmera ou quando alguém faz
aquela pergunta que a gente não previu no roteiro. E improvisar não significa falar qualquer coisa, é preciso ter repertório para ter jogo de cintura em situações como essas.
Melhorar a nossa forma de comunicar exige autoconhecimento, percepção e treino. É preciso a criar a consciência dos próprios vícios de linguagem, entender como a voz está sendo utilizada, observar postura e gestos, aprender a respirar melhor, organizar raciocínio e desenvolver a capacidade de síntese. Inclusive, negligenciamos muito tudo aquilo que “falamos” além as palavras: postura, expressões faciais, movimentação das mãos, velocidade da fala, pausas e a forma como o nosso corpo e voz podem ocupar espaços. Quando a linguagem verbal e a não verbal estão desalinhadas o público percebe. Às vezes a gente até diz que está seguro, o problema aparece quando o nosso corpo comunica exatamente o contrário.

Aqui vão 3 dicas para sua oratória:
- Organize seu pensamento. Estabeleça prioridades da sua comunicação de acordo com o tempo que você tem pra falar. Identifique a prioridade, a mensagem principal e construa início, meio e fim.
- Corpo e voz trabalhando a favor da mensagem. Falar, argumentar, negociar e explicar demanda consciência do corpo, sem ela a sustentação de tudo que está sendo dito pode ser quebrada.
- Mesmo os bons comunicadores continuam treinando, porque se comunicar não é simplesmente aprender a interpretar um personagem ou decorar frases de impacto.
É preciso construir recursos para que a nossa comunicação esteja à altura da competência que já temos.
Conhecimento técnico abre portas, sim. Mas em algum momento você vai entrar por uma delas, olhar para alguém e ter que explicar uma ideia, defender uma decisão, conduzir uma conversa e demonstrar segurança naquilo que você fala. A pergunta é: quando esse momento chegar, a sua comunicação vai reforçar a sua competência ou esconder parte dela?
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