Se a IA faz o trabalho de um iniciante, como vamos formar especialistas?
Inteligência Artificial tem 'assumido' tarefas. Nesse novo cenário, empresas e profissionais precisam repensar onde começa o aprendizado de carreira

Todo especialista já foi iniciante. Já teve que pesquisar, fazer anotações, já errou, buscou capacitação para evoluir profissionalmente e percebeu que nada chega de mão beijada. Acertos e erros, dentro do mercado de trabalho, são essenciais na formação de um profissional. Antes de dominar a profissão e ascender na carreira, todo mundo precisou executar as tarefas mais simples e observar e aprender com profissionais mais experientes. Mas a Inteligência Artificial tem interferido nessa lógica.

Até entendo quando empresas me procuram para dar treinamento para equipes na otimização de tempo com o uso das inteligências artificiais (IAs) como por exemplo: pesquisa preliminares, organização de informações, elaboração de relatórios, análise de dados, produção de textos e apresentações. Mas sempre deixo uma provocação para os gestores: se a empresa começar a delegar tarefas às inteligências artificiais, que normalmente seriam executadas por profissionais juniores, como ela vai formar profissionais para ocupar cargos pleno e senior?
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As IAs otimizam o tempo. Mas podem comprometer ou até eliminar uma etapa essencial para a aprendizagem e formação de um profissional. Se uma pessoa não precisa mais fazer determinadas tarefas, como ela vai desenvolver o raciocínio crítico necessário para avaliar aquilo que a tecnologia entrega?
Aqui vão 3 pontos importantes que empresas, gestores e profissionais precisam prestar atenção nesse novo cenário/desafio:
- Profissionais devem usar a IA para otimizar, não para pular o aprendizado. Quem está começando precisa entender o processo antes de, simplesmente, terceirizá-lo.
- A habilidade de analisar deve estar bem desenvolvida antes de dar qualquer comando. O prompt pode ser excelente, mas sem a capacidade crítica de análise e ajustes, as pessoas acabam “desaprendendo” a questionar, comparar, interpretar e até tomar decisões.
- Nesse novo cenário, as empresas precisam ter a consciência de que precisam continuar formando profissionais. Treinamentos, workshops, palestras, programas de educação continuada e exercícios que alimentem raciocínio, capacidade em articular explicações para uma tomada de decisão e a habilidade em cruzar conhecimentos e repertório.
O uso das inteligências artificiais até ajudam na formação de profissionais, mas nunca deve atropelar a oportunidade das pessoas aprenderem sem elas. Aqui fica uma reflexão: a gente sabe o quanto as IAs podem facilitar as nossas vidas, inclusive no trabalho; mas quais são as experiências que continuam sendo necessárias para formar bons profissionais?
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