Compositor revela que Joelma mudou letra de “Príncipe Encantado” por causa da religião: 'Não se sentia mais confortável'
Em entrevista exclusiva a Kadu Brandão, compositor Beto Caju contou que a cantora apresentou a nova versão aos autores
A volta da música “Príncipe Encantado” às paradas musicais, 24 anos depois da criação, trouxe uma pergunta sobre a versão cantada por Joelma. Nela, a cantora retirou referências à “mesa de Quijá” e às cartas de baralho presentes na letra original.

Em entrevista exclusiva ao colunista Kadu Brandão, Beto Caju, que compôs a música com Marquinhos Maraial, afirmou que a alteração partiu da própria artista.
Leia também:
"Na verdade, não fomos eu e Marquinhos que modificamos a letra. Foi a própria Joelma que fez a alteração. Por uma questão da fé dela e do momento que vive hoje, ela não se sentia mais confortável cantando aquelas referências da versão original. Então, ela modificou aquele trecho, apresentou a nova versão para mim e para Marquinhos Maraial e pediu a nossa aprovação como autores. Nós aprovamos e respeitamos totalmente a decisão dela", conta Beto Caju para Kadu Brandão.
A relação de Joelma com a religião já era pública durante a trajetória na Banda Calypso. A cantora é evangélica e, recentemente, subiu ao palco com Rey Vaqueiro para regravar "Príncipe Encantado", que voltou a viralizar na voz do cantor de forró/piseiro.
Na hora de cantar, Joelma mudou a letra e tentou que o público cantasse a nova versão, o que não aconteceu. "Quem sabe um sonho possa me mostrar / Mesmo que meu coração fique em pedaços", cantou Joelma. Já Rey Vaqueiro manteve a letra original do hit que se tornou atemporal.
"Eu respeito muito a Joelma, a história dela e a fé de cada pessoa. Ela encontrou uma maneira de continuar cantando a música sem entrar em conflito com aquilo em que acredita hoje, e para nós estava tudo certo. Até porque 'Príncipe Encantado' nunca foi uma música sobre religião ou qualquer tipo de crença. Aquilo era apenas um elemento dentro da história de uma mulher apaixonada, querendo descobrir se o homem que amava ainda pensava nela", pondera Beto Caju.

Afinal, o que significa “Quijá”?
Beto contou que criou a letra em 2002, em Porto de Galinhas, a partir de uma melodia deixada por Marquinhos Maraial em uma fita cassete. Um filme a que havia assistido inspirou a cena com copo sobre a mesa, bola de cristal, cartas e uma foto 3x4.
A expressão “mesa de Quijá”, segundo ele, nasceu de uma leitura equivocada da palavra Ouija, nome associado ao tabuleiro usado em práticas de comunicação com espíritos. “Vi escrito ‘OUIJA’ e, na minha cabeça, interpretei aquilo como ‘Quijá’”, recorda em conversa com Kadu Brandão.
Quando percebeu a diferença, a música já havia sido gravada pela Banda Calypso e se tornado conhecida. “Quijá pode não estar no dicionário, mas está na história de ‘Príncipe Encantado’”, brinca Beto.

Retorno financeiro com novo viral
O compositor disse estar grato por ver a canção chegar a uma nova geração, embora considere cedo calcular se a recente repercussão já gerou retorno financeiro.
"Toda vez que uma música volta a ser executada, ouvida, gravada e ganha força nas plataformas, naturalmente existe a possibilidade de gerar novos direitos autorais. Mas ainda é cedo para transformar essa viralização especificamente em números e dizer: 'entrou tanto por causa disso'. Direito autoral tem todo um caminho de arrecadação e distribuição. O que posso dizer é que, para o compositor, ver uma obra antiga voltar a ter esse consumo é maravilhoso artisticamente e também pode representar uma nova vida comercial para a música. Eu sempre digo: música boa é patrimônio. Às vezes ela dorme, mas não morre", analisa Beto Caju
Ele também comentou “Carta Branca”, sucesso do Ara Ketu e da Calcinha Preta, outra parceria com Marquinhos Maraial, e adiantou que pretende contar a história completa dessa música no livro "Minha Vida por Trás das Canções", previsto por ele para o fim do ano.

Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!


