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Cinco filmes de animação que trazem conexão com a Bahia e os adultos

Do encanto das tradições ancestrais à reflexão sobre a vida adulta: animações transcendem o público infantil e dialogam com a identidade baiana

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Vanessa Brunt

30/06/2026 às 15:11 - há XX semanas
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Quem ainda associa animação apenas ao universo infantil provavelmente está deixando passar algumas das histórias mais profundas do cinema. Nos últimos anos, o gênero se consolidou como um espaço para discutir ancestralidade, identidade cultural, espiritualidade e memória coletiva, levando para as telas tradições que atravessam gerações.


					Cinco filmes de animação que trazem conexão com a Bahia e os adultos
Fotos: Divulgação

Em muitos casos, essas narrativas encontram pontos de contato com elementos que fazem parte da formação cultural da Bahia. Seja pela influência africana, pela relação com o mar ou pela valorização da oralidade, algumas produções mostram que diferentes povos podem compartilhar símbolos, histórias e formas semelhantes de enxergar o mundo.

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Confira cinco animações que ajudam a construir essas conexões:

Menção Honrosa: o novo Toy Story 5


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Toy Story 5. Foto: Divulgação

Toy Story 5 pode ser considerado o capítulo mais adulto da franquia desde o terceiro filme. Desta vez, Woody, Buzz, Jessie e os outros brinquedos não enfrentam apenas o medo de serem esquecidos: eles encaram um rival que faz parte da vida real de milhões de famílias: as telas. A nova trama coloca Bonnie dividida entre seus brinquedos e a tecnologia, transformando uma história aparentemente simples em uma reflexão delicada sobre infância, pertencimento e conexão humana.

Mas é um ledo engano quem pensa que a profundidade da trama mora apenas na discussão sobre crianças e tecnologia. Em meio a referências que conversam até com memes brasileiros como o eterno “Já acabou, Jéssica?”, a narrativa arranca risadas enquanto traz críticas sociais e aborda identidade, criatividade, amizades alinhadas aos seus valores e a poesia que mora no dever de uma família atenta.

Tudo isso enquanto os brinquedos funcionam como metáforas para aquilo que escolhemos preservar em nós: as artes, os sonhos, os afetos e as histórias que nos conectam.

É nesse emaranhado de entrelinhas que reside uma das mensagens mais bonitas da obra: aprender a reconhecer o valor das passagens que já vivemos, mesmo quando elas chegam ao fim. Porque, como o filme parece nos lembrar o tempo todo, às vezes não é questão de melhorar ou piorar, mas apenas não ser mais o lugar para você.

A condução, especialmente através de Jessie, fala sobre encontrar pessoas que compartilham dos mesmos valores e tornam os processos mais leves. Há uma delicadeza ao mostrar que o mais fundamental não está apenas em vindas para acrescentar, mas também para ampliar o que existe de positivo.

Afinal, o talento só é talento se fluir fácil. O amor só é amor se permanecer fácil. O encanto só é encanto se nascer fácil. O prazer só é prazer se durar fácil. O caráter só é caráter se persistir fácil. O que pede demasiado ardor só é tesouro se, no caminho, mostrar algo fácil. Paciência somente para o que der paz e ciência. A obra reforça a reflexão.

A produção mergulha em como crescer não significa abandonar tudo o que veio antes, compreendendo o papel que cada fase teve na construção de quem somos. O filme parece sugerir que aquilo que é verdadeiro não exige guerra constante para existir; exige presença, constância e paz.

Como toda grande animação da Pixar, Toy Story 5 ensina as crianças enquanto anima os adultos. Os pequenos sorriem com a aventura dos brinquedos; os pais saem da sessão com inúmeras conversas para continuar em casa. É um filme sobre tecnologia, sim, mas principalmente sobre afeto, presença e pertencimento. Um lembrete de que o lazer, a imaginação e os momentos compartilhados são guardiões silenciosos das principais memórias que carregaremos para sempre.

Agora veja as tramas conectadas à Bahia e também a esse cunho reflexivo para adultos e todas as idades:

1. Òrun Àiyé: A Criação do Mundo (2016)


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Òrun Àiyé. Foto: Divulgação

Produzido em Salvador, Òrun Àiyé: A Criação do Mundo é um dos exemplos mais interessantes de como a animação pode servir como ferramenta de preservação cultural. Dirigido por Jamile Coelho e Cíntia Maria, o curta utiliza técnicas de stop motion e animação 2D para apresentar o mito da criação do universo segundo a tradição iorubá.

Lançada em 2016, a produção percorreu festivais nacionais e internacionais ao transformar uma narrativa ancestral em uma linguagem acessível para diferentes públicos. O resultado é uma obra que une cinema, arte e educação, aproximando espectadores de um dos pilares das tradições africanas presentes no Brasil.

A escolha do filme para esta lista acontece justamente por sua origem e relevância cultural. Ao retratar uma cosmologia que influencia religiões, manifestações artísticas e costumes preservados ao longo de gerações, Òrun Àiyé reforça o papel da Bahia como um dos principais centros de difusão da herança iorubá no país.

2. Kirikou e a Feiticeira (1998)


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Kirikou e a Feiticeira. Foto: Divulgação

Considerado um clássico da animação mundial, Kirikou e a Feiticeira conquistou reconhecimento por construir sua narrativa a partir de contos tradicionais africanos.

Dirigido pelo francês Michel Ocelot, o filme acompanha um menino que enfrenta os desafios de sua aldeia usando inteligência, curiosidade e sensibilidade. Ao longo da história, a transmissão de conhecimento entre gerações ocupa um papel central, reforçando a importância da memória coletiva e da oralidade.

Não é difícil perceber por que a produção desperta identificação em um estado cuja formação cultural também carrega profundas raízes africanas e onde muitos saberes continuam sendo preservados justamente pela tradição oral.

3. Moana (2016)


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Moana. Foto: Divulgação

O ponto mais refrescante de indicar uma trama já tão conhecida é citar o lembrete de que o live action também está para ser lançado.

Enquanto animação, para desenvolver Moana, a Disney reuniu pesquisadores, historiadores e líderes comunitários da Polinésia em um amplo processo de pesquisa cultural. O resultado foi uma narrativa construída sobre tradições locais, respeitando costumes, lendas e formas de organização social da região.

A história acompanha uma jovem que atravessa o oceano em busca de respostas sobre seu povo e sobre si mesma. Embora ambientada do outro lado do planeta, a jornada desperta uma sensação de familiaridade para quem conhece a força que o mar exerce sobre a identidade cultural baiana. A ligação com as águas, o respeito aos ancestrais e o sentimento de pertencimento aproximam universos geograficamente distantes.

4. Uma História de Amor e Fúria (2013)


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Foto: Divulgação

Vencedor do principal prêmio do Festival Internacional de Animação de Annecy, na França, Uma História de Amor e Fúria é um dos maiores representantes da animação brasileira voltada ao público adulto.

Dirigido por Luiz Bolognesi, o longa acompanha um personagem que atravessa diferentes períodos da história do país, testemunhando conflitos, transformações políticas e disputas por liberdade.

Ao revisitar momentos decisivos da construção nacional, o filme também estimula reflexões sobre episódios fundamentais para compreender o papel histórico desempenhado pela Bahia em diferentes fases do Brasil.

5. Você Já Foi à Bahia? (1944)


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Foto: Divulgação

Muito antes de investir em grandes pesquisas culturais para suas animações, a Disney já havia colocado Salvador no centro de uma de suas produções mais conhecidas. Lançado em 1944, Você Já Foi à Bahia?, ou The Three Caballeros, surgiu durante a Política da Boa Vizinhança, iniciativa criada para fortalecer as relações entre os Estados Unidos e países latino-americanos.

Misturando animação e live action, o filme contou com a participação de Aurora Miranda e apresentou músicas, paisagens e referências culturais brasileiras para espectadores de diferentes partes do mundo, ajudando a projetar internacionalmente a imagem da capital baiana.

Décadas depois, a obra continua sendo um registro curioso de como o cinema de animação também contribuiu para difundir aspectos da cultura brasileira além das fronteiras.

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