Cinco mulheres que cuidam de outras mulheres em Salvador
Da saúde à geração de renda, elas transformam conhecimento, escuta e acolhimento em caminhos para fortalecer outras mulheres

O cuidado pode assumir diferentes formas: promover saúde, ampliar oportunidades, fortalecer a autoestima ou criar espaços de escuta e acolhimento. Em Salvador, mulheres à frente de diferentes iniciativas mostram como esse trabalho pode transformar trajetórias e alcançar famílias e comunidades inteiras.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar a importância desse trabalho. Em 2022, as mulheres brasileiras dedicaram, em média, 21,3 horas por semana aos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos, enquanto os homens dedicaram 11,7 horas.
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O cuidado, portanto, não é apenas uma questão doméstica, ele atravessa a vida profissional, financeira e emocional desse grupo de pessoas. Diante desse cenário, conheça cinco mulheres que fizeram desse compromisso uma forma de ampliar possibilidades para outras mulheres em Salvador.
1 • Márcia Lemos (@aesosbahiaoficial)

À frente da Associação Educacional Sons no Silêncio (AESOS), Márcia Lemos acompanha de perto uma realidade que costuma permanecer invisível: a sobrecarga de mães que dedicam grande parte da vida aos cuidados dos filhos.
Em Salvador, ela coordena o projeto Empreender para Viver, iniciativa voltada à autonomia econômica de mulheres, com atenção especial a mães atípicas, mulheres com deficiência, negras, chefes de família e integrantes de famílias monoparentais.
O projeto oferece formação empreendedora e busca transformar habilidades já existentes em possibilidades de geração de renda. Em 2026, a iniciativa beneficiou 40 mulheres e foi pensada justamente para enfrentar a sobrecarga de mães que muitas vezes precisam deixar o mercado de trabalho para cuidar dos filhos.
2 • Narcisa Góes (@narcisa.goes)

Há cerca de 10 anos, Narcisa atua como maquiadora especializada em pele negra e cabelos crespos e cacheados. Mais do que produzir uma estética, ela oferece um cuidado que ajuda cada mulher a reconhecer e valorizar a própria beleza.
Por meio de um atendimento atento aos diferentes tons de pele, texturas de cabelo e identidades, Narcisa amplia o acesso de mulheres negras a serviços pensados para suas características. Sua atuação transforma maquiagem e cuidado capilar em ferramentas de autoestima, pertencimento e valorização pessoal.
3 • Alcione Balbino (@pretaspardaspotentes)

Criar uma rede de apoio é outra forma de cuidado. É essa ideia que está no centro do trabalho de Alcione Balbino, CEO da Pretas Pardas Potentes.
A proposta se conecta a uma necessidade que aparece também em iniciativas desenvolvidas em Salvador: fortalecer mulheres economicamente significa oferecer não apenas capacitação, mas também informação, contatos, orientação e pertencimento.
4 • Flávia Santana (@euflaviasantana01)

Na Liberdade, o cuidado aparece por meio da beleza e da valorização da identidade. Flávia Santana, fundadora do Instituto Essência dos Cachos, criou um espaço voltado ao cuidado com cabelos crespos e cacheados.
Ao trabalhar com a valorização dos fios naturais, Flávia também construiu uma rede de apoio entre empreendedores negros de bairros populares de Salvador. O trabalho foi destacado pela Agência de Notícias das Favelas como uma iniciativa de afirmação da beleza natural e de fortalecimento do empreendedorismo negro.
5 • Priscila Oliveira (@tentaramcalaranossavoz)

Professora, pedagoga e psicopedagoga, Priscila Oliveira encontrou na educação uma forma de cuidar de mulheres e fortalecer sua comunidade. Moradora de Paripe, ela fundou o Instituto Oliver e criou o projeto Tentaram Calar a Nossa Voz, que utiliza a escrita como instrumento de expressão, autonomia e transformação.
A iniciativa parte de uma ideia potente: histórias marcadas pela dor não precisam permanecer silenciadas. Quando encontram espaço e acolhimento, podem se transformar em conhecimento, voz e novas possibilidades.
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