Cacique do Candeal fala sobre Carnaval 2023 e influências do axé no sertanejo
Wanda entrevistou Carlinhos Brown durante festival de percussão LALATA


Só mesmo uma pandemia para ficar sem ver Carlinhos Brown. Faz mais de dois anos que eu e o Cacique do Candeal não nos encontrávamos. Eu estava com uma saudade enorme de sua alegria, de sua criatividade efervescente. Conversar com o artista é sempre um prazer. E no último fim de semana fui vê-lo durante a segunda edição do Lalata - um festival que trouxe artistas, multi instrumentistas do Brasil, Caribe e do Continente Africano.
Depois do show, dei um abraço apertado no amigo. O bate-papo rolou na "Ilha dos Sapos", um dos estúdios do músico baiano. A timbaleide Patrícia Gomes me deu uma força e filmou tudo. Eu fui logo elogiando. "Carlinhos, me diga: que trilha sonora, hein?" Ele me devolveu a pergunta: “Você gostou? Que bom!"
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Na verdade, explicou Brown, "essa trilha foi construída por nós. A melhor trilha sonora que apresentamos aqui é a da percussão", prossegue o artista, frisando ainda que quando chegar o carnaval a sociedade recebe uma coisa preparada, pronta, ela não sabe o trabalho que as comunidades exercem para que o carnaval seja afinado em sete dias.
"O Lalata é para esclarecer a presença de Neguinho do Samba aqui (eu disse presença) de Nana Vasconcelos, de Mestre Prego, Mestre Jackson, Valdir Lascada, Senac, Boca de Mãe, e tantos outros que nós temos, que edificaram a percussão para o mundo. Porque é notório a influência da percussão e da música baiana na música do mundo. E o tempo inteiro eu estou batendo nisso, que a gente tem que tomar consciência de que nós estamos na primeira cidade da América Latina, é muito bacana isso. Vejo todo mundo dizendo isso, a música baiana é caribenha. Eu digo, é também! O Caribe começa aqui", concordou Carlinhos.
Nesse momento de reencontro, Brown interrompeu a entrevista para receber uma pessoa especial. O pai dele, seu Renato, de 86 anos, é torcedor do Vitória, e mais conhecido como Seu Bororó. Ele chegou com os olhos cheios de lágrimas para abraçar o filho famoso.
Também emocionado, o apresentador do "The Voice Kids" brinca com o pai, que vestia uma camisa do Flamengo. Seu Bororó retruca que o filho, que é Bahia. Brown ri, e leva o pai até o sofá: “Senta aqui, meu amor.” Cena linda. E continuamos a entrevista.
Carlinhos, fala com entusiasmo sobre o Carnaval 2023: “Estamos nos preparando para a festa. No verão vai ser algo surpreendente, um grande retorno ao Carnaval da Bahia. Acho que a música brasileira é bonita. A pandemia nos ensinou a rever o fato de como somos clássicos, e como a nossa música tá sendo recorrida no pós-pandemia. A música brasileira é muito bonita e o axé music é especial, é como um filho dos movimentos que fez com que seus pais fossem revistos", considerou o cantor.
Carlinhos Brown também comentou sobre a música sertaneja: ”Eu chamo de Axertanejo. É uma música muito boa de dançar e cantar. O sertanejo é uma das músicas que mais recorrem aos nossos ritmos, ao nosso jeito de cantar. Uma coisa que eu tenho reparado é como o samba duro mais lento está na música sertaneja, e isso é uma honra pra gente saber que estamos conversando com o Brasil. Agora falta muito pouco discurso em relação a essa matriz, porque às vezes as pessoas confundem o sucesso do artista com o sucesso de um movimento", diz o instrumentista.
Para ele, o axé music está fazendo o maior sucesso na música mundial, diluído no reggaeton, no funk, tá em tudo, em todas as ações musicais; e sendo necessário. "Que a gente continue aprendendo, mas também ensinando o que aprendemos com a Pracatum, Didá, Olodum, Malê, Muzenza, Cortejo Afro, Filhos de Ghandy, que são os movimentos matrizes para que a gente tenha uma matriz rítmica, feliz e acertada", finalizou.
Em meu nome, Ópraí agradece o carinho do mestre Carlinhos Brown. Até a próxima, amigo. E que a gente possa se encontrar em breve!

DENDÊ NO AUDIOVISUAL
A 'Tem Dendê Produções' comemora 23 anos de fundação e é homenageada pela Expocine - Convenção Latino-Americana para a Indústria do Cinema e do Audiovisual, realizada em São Paulo. A produtora comemora e anuncia novos produtos. Serão lançadas as séries “Bar do Paixão “, em oito episódios, que conta a história de uma herança pra lá de disputada.
"Iceberg" que é uma trama onde o psicopedagogo Nelson busca caminhos para ajudar seus pacientes, e "Carnaval em cada esquina“. As apostas são novas formas de contar enredos sem perder a identidade, com um olhar para um Brasil de Norte a Sul, principal marca da Dendê, assegura Vânia Lima, diretora de conteúdo da empresa.

APLAUSOS PARA O MAESTRO AZUL
Maestro da “Cor do mar", o instrumentista Luciano Calazans, vai ser homenageado no Praia do Forte Hostel, com um mural contendo a letra da canção "Lábios Vermelhos", de autoria do próprio Luciano e de Gerônimo Santana. A música foi escrita há 12 anos.
O Hostel também ostenta na parede um violão de Luciano. O multi instrumentista já trabalhou com vários artistas da Bahia e do Brasil e tem uma trajetória de sucesso. Merecida essa homenagem prestada por seu Marco Luneri. Pra quem ficou curioso sobre essa história, a música ‘’ Lábios Vermelhos’’ será lançada hoje! Vá lá em todas as plataformas digitais e curta o som do maestro azul. A canção foi gravada por Ricardo Chaves, Cris Mendes e Saulo Fernandes, que usaram o mesmo arranjo da primeira versão.
A PELE PRETA DE DJA LUZ
O cantor Djalma Luz está no palco da Sala do Coro do TCA com um show autoral . Dja que já tocou em várias bandas baianas tem a música no sangue. É filho do compositor Djalma Luz, autor da canção Coracão Rastafari gravada por Lazzo Matumbi.

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