Ópraí Wanda Chase

Carnaval 2023: Beija-Flor conta a história do 2 de Julho na Bahia

E mais: Nenê de Vila Matilde apresenta enredo 'Faraó Bahia', Magueira visitar blocos afros na Bahia, projeto 'Deusa do Amor' e Dog Murras na Bienal

Wanda Chase
07/07/2022 às 15h11

4 min de leitura
Foto: Divulgação

Durante anos, “aprendemos” nas escolas e lemos nos livros que a Independência do Brasil aconteceu, no dia 7 de setembro de 1822, com o grito de D. Pedro I, no Rio Ipiranga. A verdade é que as tropas portuguesas ainda continuaram na Bahia e só então, no dia 2 de julho de 1823, houve a expulsão definitiva com a participação dos negros escravizados, libertos, indígenas, do povo baiano pobre. Esse é o enredo com que a Escola de Samba Beija Flor vai sacudir a Sapucaí em 2023: “Brava Gente: O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”. É o povo “aprendendo” ou reaprendendo a nossa verdadeira história. 

A história oficial é contada em grande parte pelos opressores, subestimando o povo. Cada vez mais tomamos conhecimento que não é assim. Um exemplo básico disso é a invasão do Brasil em 1500 pelos colonizadores portugueses e propagada por eles como descoberta. A cultura tem essa missão, ensinar, levantar nossa autoestima. Saber de onde viemos e quem somos é fundamental. Nossos feitos precisam ser contados, os que morreram lutando devem ser reverenciados. 

O movimento social e cultural tem esse papel. Os carnavalescos da Escola, Alexandre Louzada e André Rodrigues, em parceria com o pesquisador e antropólogo Milton Cordeiro chegam com um enredo intrigante, polêmico. A ideia – diz André Rodrigues – “é provocar a mente das pessoas que a independência não deveria ser comemorada em 7 de setembro de 1822 e sim em 2 de julho de 1823 com a expulsão definitiva das tropas portuguesas das nossas terras.”

DEUSA DO AMOR FAZ TRINTA ANOS

Quem nunca cantou ‘Deusa do Amor’?  Uma canção de Adeilton Poesia e do compositor falecido Valter Farias é um clássico do Olodum, e vai ser festejado com todas as pompas. O projeto é da produtora do Olodum, Rita Castro. Ela vai reunir as ‘Deusas do Amor’ da Bahia e do Brasil no verão de Salvador. Vai ser “o verão do Olodum “Mas … quem são as deusas? Até agora ninguém revela . É um mistério!!!

A MANGUEIRA SAIU DO RIO E FEZ DUAS PARADAS NO PELOURINHO

E os mistérios que rondam o Olodum continuam. O que se sabe é que “Daria pra escrever uns dez enredos”, disseram os carnavalescos Guilherme Estevão e Annik Salmon, para o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues.

A conversa durou quase três horas. A vice-presidente da Didá, Débora Souza, e o coreógrafo Negrizu, também participaram dessa “chuva de ideias”. Negrizu é o moço lindo do Badauê, citado na música Beleza Pura de Caetano Veloso. Ele trabalhou durante anos com Pierre Verger, francês, antropólogo, fotografo e escritor. Enfim, os cariocas saíram munidos de informações. Mas não parou por aí.

Na quarta-feira, dia 06, a reunião foi na sede dos Filhos de Gandhy com a participação de lideranças dos blocos Afro e Afoxés, entre eles:  Vovô do Ilê, João Jorge do Olodum, Jorge do Muzenza, Alberto Pitta do Cortejo Afro, Claudio dOo Malê, Jorginho Comancheiro dos Commanches, Glicéria Vasconcelos das Filhas de Gandhy, Tonho Matéria do Bloco da Capoeira, o anfitrião Gilsoney de Oliveira dos Filhos de Gandhy e a curadora do enredo da Mangueira, a baiana Jô Queiroz. O grupo ainda visitou terreiros de candomblé da capital baiana e a Fundação Pierre Verger. Os carnavalescos vão voltar a Roma Negra, para conhecer mais da nossa cultura. Boa sorte Mangueira! 

DOG MURRAS LANÇA LIVRO NA BIENAL

Foi um sucesso o lançamento do livro Matemática da Coerência, do músico e escritor angolano Dog Murras, na Bienal do Livro de São Paulo. Dog é um ativista e defensor da cultura angolana, já se apresentou em vários carnavais da Bahia ao lado de Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Daniela Mercury e Psirico. A meta do escritor é lançar o livro em Salvador. Que seja logo!        

FARAÓ BAHIA

Os carnavalescos do Rio e São Paulo, estão focados na Bahia. Agora é a Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, de São Paulo que vem com o tema Faraó Bahia. A Escola tem 73 anos, 11 títulos, e em 2006 homenageou nosso Estado com a ópera Mama Bahia: Lídia de Oxum.

Foto: Divulgação

Leia mais sobre Ópraí Wanda Chase no ibahia.com e siga o portal no Google Notícias