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ÓPRAÍ WANDA CHASE

'Coloquei minha essência', diz nova Deusa do Ébano em entrevista para Wanda Chase

Vencedora passou dias ensaiando uma coreografia, mas na hora mudou. Veja detalhes

Wanda Chase • 02/02/2023 às 10:30 • Atualizada em 02/02/2023 às 11:44 - há XX semanas

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					'Coloquei minha essência', diz nova Deusa do Ébano em entrevista para Wanda Chase
Foto: Divulgação

"Eu vou ganhar, eu vim aqui buscar esse título e levar pra minha casa. Eu sairei daqui com o troféu de Deusa do Ébano de 2023“

Era só no que Dalila Santos de Oliveira pensava na noite de sábado passado, no momento de se apresentar, de concorrer com outras 14 mulheres ao título de Deusa do Ébano, concurso realizado pelo Bloco Afro Ilê Aiyê. E não é que ela ganhou!

A vencedora passou dias ensaiando uma coreografia, mas na hora mudou. “Coloquei minha essência, com o que saiu do meu corpo, pra homenagear minhas irmãs mulheres. Dancei com a alma”. Deu certo!

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Quem é a Deusa do Ébano?

Dalila é filha caçula de uma família de cinco irmãos, sendo três homens e duas mulheres. A moça bonita do bairro de Pernambués, de 20 anos, é dançarina, coreógrafa e educadora social. Nunca tinha participado de um concurso de bloco afro. Nem conhecia a sede do Ilê até ganhar o concurso. Ela abre um sorrisão quando lembra a primeira vez que viu o Ilê. Guarda na memória um fato que aconteceu quando a soteropolitana tinha 12 anos de idade. Ela e uma amiga foram ver o carnaval de Salvador no Campo Grande e o Ilê desfilava. A menina caiu no samba, imitando os movimentos que a Deusa do Ébano fazia do alto do trio.

Até então, Dalila não conhecia nada de bloco afro. Não sabia que a moça que dançava lindamente era a Deusa do Ébano. Mesmo não entendendo gostou do que viu, ficou encantada. Vendo aquela criança dançar tão bonito, um cantor do bloco, de posse do microfone, elogiou a menina e a chamou para dançar em cima do trio, mas ela decidiu que não. Na volta pra casa, Dalila e a amiga comentaram a performance do Ilê, que chamou a atenção também por só desfilar com pessoas negras. Foi o suficiente para Dalila acreditar que um dia ela estaria naquele lugar. Finalmente, em 2023, aconteceu.

Deusa do Êbano é um concurso consolidado, mais importante para Bahia do que o tradicional Concurso de Miss Bahia. Os critérios são diferentes porque os objetivos são outros. O concurso representa uma ação afirmativa que mexe com toda a cidade, negros e brancos. É uma celebração. No caso de Dalila, por exemplo, foi montada uma rede de vários profissionais negros que contribuíram tanto diretamente quanto indiretamente.

Para chegar ao reinado, a Deusa contou com uma rede de professores e amigos que estudaram o tema do carnaval do Ilê para este ano: Angola, o Centenário de Agostinho Neto.


				
					'Coloquei minha essência', diz nova Deusa do Ébano em entrevista para Wanda Chase
Rosangela Nascimento (Estilista), Dalila de Oliveira (Deusa do Ébano) e Givanildo Neri (Estilista) / Foto: Divulgação

O figurino foi criado pelos estilistas Givanildo Neri e Rosângela Nascimento, que levaram uma semana trabalhando na peça. Missão prazerosa, dizem eles, e Dalila segura de que iria brilhar na Senzala do Barro Preto. Como Dalila tem 1,50m, os estilistas pensaram de imediato em criar algum acessório para ser usado na cabeça e valorizar ainda a candidata. Os dois profissionais buscaram uma forma para que ela se sentisse confortável e crescesse no palco. Chegaram a uma conclusão: criar uma coroa confeccionada com um chapéu de palha de abas grandes. A coroa foi forrada com tecido vermelho simbolizando o sangue derramado pelos irmãos angolanos.

Os búzios e os braceletes de palha da Costa são uma homenagem ao centenário da matriarca do Ilê Aiyê, Mãe Hilda de Jitolú. O bordado dourado é uma reverência a Oxum, numa lembrança às mulheres negras. Dalila trouxe na mão uma escultura do Pensador, um símbolo angolano, em madeira preta, foi a forma de homenagear o médico, poeta, ativista e primeiro presidente de Angola Agostinho Neto. Na saia e na peça de cima, bordados de galinha da Angola, ave trazida do Continente africano, mais precisamente de Angola. Os invasores portugueses achavam a ave feia e agressiva e despacharam pra cá.

Dalila é antirracista e engajada no combate ao machismo e a lgbtqia+fobia. Temas, que para ela estão sempre em pauta. Quer respeito às religiões de matriz africana, já frequentou a Igreja Católica e uma Igreja Evangélica, mas foi no Candomblé que se encontrou. É uma jovem de personalidade forte e determinada e diz que sempre se achou bonita. Olhava para o espelho e dizia: eu sou uma gata, sou uma preta bonita.

Pra finalizar a entrevista, ela conta um fato que passou despercebido de muita gente que estava na Noite da Beleza Negra. “Pode parecer estranho, mas eu ficava pensando assim: eu vou brilhar, vou ganhar esse concurso, no dia quando anunciarem o meu nome eu vou cair de tão emocionada. E assim aconteceu. Arany Santana anunciou o terceiro lugar, o segundo e eu tremi, quando citou o meu nome eu caí. Caí no palco de emoção, levantei rápido e dancei saudando e agradecendo aos meus ancestrais”. Dalila agora só pensa no carnaval, sonha em puxar aquele cortejo negro. Diz que a ficha ainda não caiu.

E mais, tá solteira. “Agora só quero namorar o Ilê’’.


				
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Imagem ilustrativa da coluna ÓPRAÍ WANDA CHASE
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