Taxidermia revela, em primeira mão, detalhes sobre próximo EP e do primeiro álbum


Foto: Divulgação

Nem a chuva espantou o público que foi ao Pelourinho no último sábado (6) assistir ao Mais MPB Festival. O line-up do evento contou com a banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado, o cantor e compositor baiano Pedro Pondé, o guitarrista Igor Gnomo, que se apresentou com participação da cantora e compositora Laiô, e o duo Taxidermia.

Às vezes se abrigando debaixo dos toldos, às vezes se jogando na chuva e às vezes se espalhando pelo Largo Quincas Berro D’Água (quando a chuva dava uma trégua), o público curtiu apresentações empenhadas de todos os artistas. A coluna aproveitou a oportunidade para conversar com o duo formado pela cantora e compositora Jadsa e o músico e produtor João Milet Meirelles.

Ela é um dos novos nomes do pop baiano que tem circulado nacionalmente e chamado atenção no midstream nacional, com um diálogo muito forte com a cena paulistana. Ele, por sua vez, é um dos integrantes do BaianaSystem, banda que o jornalista paulista Alexandre Matias definiu como “a cara do midstream brasileiro”.

Juntos no Taxidermia, palavra que ao pé da letra nomeia o ofício de empalhar animais para conservar-lhes as características, Jadsa e João já lançaram dois EPs. O duo já prepara também o lançamento do terceiro EP para setembro, além de um álbum para 2023. Sobre os projetos que estão por vir, a dupla falou em primeira mão para a Pop Bahia, numa rápida entrevista concedida no último sábado (06) nos bastidores do festival.

Apesar de vocês já terem tocado aqui no Pelourinho com outros projetos, hoje foi a primeira vez que o Taxidermia se apresentou aqui. A gente sabe que este é um espaço muito importante para a cena de Salvador. Como foi para vocês fazer a estreia desse projeto aqui?

João Milet Meirelles: É muito especial para a gente tocar no Pelourinho, porque tem toda a História do lugar, toda a formação musical que tem aqui; tem também a minha história com o BaianaSystem, que nós fizemos muitos shows aqui e foram sempre muito especiais; e também por entender que o Taxidermia é uma coisa muito daqui de Salvador, apesar de estar super conectada com a música contemporânea mundial, com a música pop e a música eletrônica, mas tem essa conexão com essa música nossa daqui. Então bate muito forte para mim tocar aqui no Pelourinho, justamente pelo entendimento dessa importância cultural.

A gente surgiu na pandemia e começou a fazer show agora, então ainda estamos entendendo como apresentar essas músicas ao vivo. Poder apresentar no Pelourinho é muito especial, porque tem uma conexão profunda que tem a ver até com a motivação da gente fazer essas músicas, ao que está por trás das letras, o entendimento de timbre, de arranjo, dos ritmos.

Jadsa: Sinto que essa relação do Taxidermia com o Pelourinho é foda, tocar aqui foi incrível, ainda mais com uma caixa de som big monster, porque a gente já fez uns seis shows e nunca tínhamos feito com um sistema de som tão grande assim. E o Pelourinho é uma grande região taxidermizada, pois parece que parou no tempo, na história, e as pessoas se esqueceram de algumas coisas que foram se perdendo no tempo. Então, eu entendo que o Pelourinho faz uma relação metafórica com o Taxidermia por conta da palavra, que carrega esse lance de conservar (seja um corpo, seja uma ideia ou mesmo uma música).

A parceria de vocês já vem de longe, né?! Desde o primeiro EP de Jadsa, mas o Taxidermia foi um projeto que surgiu durante a produção do álbum Olho de Vidro, que Jadsa lançou em 2021 com produção musical de João. Como foi esse processo que extrapolou o trabalho no disco e se tornou um projeto independente de vocês dois?

Jadsa: O Olho de Vidro para mim é maior do que o que tem nele, porque eu sentia que várias músicas já estavam apertadas ali dentro querendo um outro significado, um outro jeito de se conservar. Aí eu tive a ideia da gente poder trocar mais em dupla, ele com a pesquisa que ele já faz há muito tempo (da música eletrônica, dos synths e tudo mais) e eu com a parte do canto, entender como eu posso movimentar meu corpo…

… sem a guitarra e sem o violão…

Jadsa: …isso… Sem a guitarra e o violão, e também me expressando um pouco diferente com relação às letras. Elas são muito mais sentimentais, no lugar de paixão, de amor, de raiva, enfim… Tem muito esse foco em algo, meu, nosso, que eu acabo expressando ali nas letras. E o Olho de Vidro é uma peça montada, um espetáculo montado mesmo. Então, as músicas não couberam no Olho de Vidro, porque elas são de outro espaço de dentro de mim e de outro lugar de dentro de João. A verdade é que a gente não consegue entender muito bem como é que resultou essa parada, do Taxidermia, mas começou dessa maneira, dessa sensação de que sobrava músicas e delas tentarem ser outro corpo também.

Vocês definem o Taxidermia como um projeto de pesquisa e experimentação. O que é que vocês estão pesquisando e experimentando?

João: A gente entende as coleções de faixas que nós já lançamos cada uma como uma obra, e agora em setembro vamos lançar o terceiro EP que é uma pesquisa que está rolando agora. Mas também tem relação com as nossas pesquisas particulares, que se unem, se fundem no Taxidermia de uma maneira muito livre. A gente faz junto as coisas todas: a produção musical, criamos as coisas, pensamos a mixagem, como vamos lançar, qual vai ser a imagem, como vamos nos comportar no show… A gente fica pirando em cima disso. E as pesquisas específicas de cada um tem relação com o entendimento da música brasileira eletrônica, da música pop nova, que não está buscando repetição, mas que quer propor um pop brasileira eletrônico contemporâneo.

Jadsa: A gente costuma chamar de pop curioso, porque ele sai desse lugar que a gente pensa do pop, talvez pela timbragem, pelo BPM [batidas por minuto, que determina o andamento da música, se mais rápido ou mais devagar], pelos efeito, enfim… O que é utilizado para para fazer a base. A gente parte muito do nosso interior… A gente pesquisa dentro da gente e tentamos nos alinhar enquanto um corpo taxidermizado. No trabalho que a gente vai lançar agora em setembro, tem uma pesquisa minha de percussão, que está sendo muito importante. Então, coisa que eu não fiz nos dois primeiros volumes, que é tocar percussão.

E, além do terceiro EP, vocês estão preparando ou já estão com planos, projetos, ideias de algo?

João: A gente tem o EP que estamos trabalhando para lançar em setembro e para 2023 vai vir um álbum do Taxidermia, que nós já estamos fazendo. Estamos preparando os dois. O EP está quase pronto, tem essa pesquisa de Jadsa com a percussão e estamos experimentando coisas que a gente ainda não tinha testado. Estamos experimentando instrumentos que a gente não experimentou antes, como por exemplo, Jadsa tocando o sintetizador Yamaha dela, daqueles pequeninos dos anos 1990. Então, vai vir um trabalho com sonoridades que a gente ainda não tinha trabalhado nos dois primeiros EPs. Tem também participação de Jamberê tocando tuba…

Jadsa: Com certeza teremos colaboradores conhecidos, que a gente já quer trocar há algum tempo…

João: Está mais solar também…

Jadsa: Não sei se está mais religioso, mas a gente fala de algumas entidades específicas ou de sonhos específicos, em que houve um encontro com essa entidade. Acho que já estou falando demais…

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