Brasil não vence equipe do velho continente em jogo decisivo desde 2002


Foto: Divulgação

Embora as disputas dos clubes estejam no foco do torcedor brasileiro neste momento, a Copa do Mundo do Qatar vai se desenhando no horizonte e começará a ser o tema de nossas conversas: quando a Seleção Brasileira buscará seu sexto título, após mais de 20 anos de sua última conquista? Vista de longe e sem cegas paixões, parece que a equipe atual ainda não tem a confiança do torcedor, que já viu times muito mais empolgantes se darem mal nesse período de jejum.

A tensão da primeira fase

Todo apaixonado por Copa do Mundo sabe que a fase de grupos, a depender do nível dos adversários, da ordem dos confrontos e da combinação de resultados após o clássico nervosismo da estreia, pode, por detalhes, eliminar gigantes. À espera do Hexa, tivemos três vitórias e nove pontos apenas em 2006 (1 a 0 na Croácia, 2 a 0 na Austrália e 4 a 1 no Japão). Desde então, foram sete pontos conquistados com dois triunfos e um empate (2 a 1 na Coreia do Norte, 3 a 1 na Costa do Marfim e 0 a 0 contra Portugal em 2010; 3 a 1 na Croácia, 0 a 0 contra o México e 4 a 1 em Camarões com o primeiro lugar decidido no saldo de gols em 2014; e um empate em 1 a 1 contra a Suíça e duas vitórias por 2 a 0 contra a Costa Rica e a Sérvia, em 2018).

Entre a facilidade e o desespero nas Oitavas

O fato de passar em primeiro lugar desde o Penta quase sempre assegurou o confronto com times frágeis nas Oitavas (3 a 0 contra Gana em 2006, 3 a 0 contra o Chile em 2010, e triunfo por 2 a 0 contra o México em 2018). A exceção coube à fatídica Copa do Mundo de 2014, quando o empate em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação contra a fortíssima seleção do Chile levou a decisão aos pênaltis. O Brasil venceu por 3 a 2 na cobrança das penalidades e o jogo entrou para a história com os atletas brasileiros aos prantos em campo.

O pesadelo europeu das Quartas

  • Quem não se lembra do Quadrado Mágico, formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano, que caiu perante a França, por 1 a 0, em 2006, na Alemanha, “por desatenção e culpa do Roberto Carlos estar arrumando as meias num momento extremamente complicado do jogo”?
  • Ou do exuberante primeiro tempo da equipe verde e amarela contra a Holanda e a eliminação de virada por 2 a 1 em 2010, na África do Sul? Houve trapalhadas de Felipe Melo e Júlio César na área durante o empate adversário, bolas aéreas convertidas em gols pelos baixinhos dos Países Baixos, sem trocadilho, descontrole emocional, erros bobos, faltas em excesso e a expulsão de Felipe Melo. O drama tomou conta dos minutos finais e a Holanda, que soube conduzir o desespero brasileiro, por pouco, não marcou o terceiro.
  • Sem um europeu pela frente, enfim passamos por esta fase em 2014 contra a Colômbia, um rival indigesto e que jogou de forma combativa e muitas vezes agressiva. Apesar da vitória brasileira por 2 a 1, a imagem que marcou o jogo foi a violenta entrada de Zuniga em Neymar ao final da partida. A partida terminou com a macabra cena do principal jogador brasileiro carregado numa maca que mais parecia um caixão funerário e parecia nos mostrar o desfecho que viria.
  • Mesmo favoritos, tínhamos em 2018 o trauma psicológico de repetir o vexame da edição realizada no Brasil. E paramos novamente no primeiro europeu num jogo eliminatório. A algoz da vez foi a Bélgica, que conseguiu fazer um primeiro tempo brilhante com grandes atuações individuais, enquanto o Brasil fazia o roteiro inverso, seguia opaco e sem vida em campo. Apesar da esperança ter renascido após o gol de Renato Augusto que diminuiu o placar para 2 a 1, o relógio acabou por nos eliminar na Rússia.

Semifinal para (nunca) esquecer…

Depois da crise emocional dos pênaltis contra o Chile, do terremoto psicológico de traumas e sequelas que se abateu após a perda de Neymar contra a Colômbia, o pior ainda estava por vir. O apagão na semifinal em casa perante a Alemanha, com o inacreditável placar de 7 a 1 (5 a 0 apenas no primeiro tempo), parece não nos ter causado tanta tristeza como nas eliminações dolorosas de 1950 e 1982, mas sim trazido perplexidade, vergonha e sensação de humilhação.

Réquiem na disputa do terceiro lugar

Como na liturgia, a vitória da Holanda por 3 a 0 sobre o Brasil, ainda em 2014, pareceu mais a prece que se faz para os mortos de uma Seleção que vivia o pior momento de sua brilhante história.

Cenários para o Qatar 2022

Para complicar a busca do Hexa, o grupo classificatório do Brasil terá os europeus Sérvia e Suíça logo de entrada, mesmos adversários de 2018, além de Camarões, com quem a Seleção jogou em 2014. Nos panoramas analisados por sites esportivos e casas de apostas, caso a classificação do Brasil seja confirmada para as fases decisivas e levando-se em conta somente a possibilidade de encontrar europeus pelo caminho, Portugal pode pintar nas Oitavas; Alemanha (2014 de novo), Bélgica (repetindo 2018), assim como Espanha ou Croácia nas Quartas; Holanda (algoz em 2010) na Semifinal; e Inglaterra ou França (que adiou o sonho do Penta em 1998 e acabou com o do Hexa em 2006) na Grande Final. Passaremos? 

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