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Tabus, Tretas e Troças

Os times que construíram as Seleções campeãs do Brasil

Da parceria entre Santos e Botafogo até o Tri ao protagonismo do São Paulo e Corinthians no Tetra e Penta, conheça as bases nacionais vitoriosas

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Sílvio Tudela

18/05/2026 às 14:58 - há XX semanas
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A lista definitiva com os 26 escolhidos que tentarão o Hexacampeonato na Copa do Mundo 2026 será anunciada pelo técnico Carlo Ancelotti nesta segunda-feira (18), a partir das 17h, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Contudo, as seleções têm até a data da abertura do Mundial, dia 11 de junho, para fazer as alterações na lista de jogadores.


					Os times que construíram as Seleções campeãs do Brasil
​Foto: Reprodução / Redes sociais

Vinte jogadores que atuam em clubes brasileiros foram anunciados na pré-lista com 55 atletas enviada à FIFA na semana passada e quem lidera a lista é o Flamengo com sete (Léo Pereira, Alex Sandro, Danilo, Leo Ortiz, Pedro, Samuel Lino e Lucas Paquetá), seguido pelo Cruzeiro com cinco (Fabrício Bruno, Kaiki, Kaio Jorge, Gerson e Matheus Pereira), e pelo Botafogo com dois (Vitinho e Danilo). Com um representante estão Bahia (Luciano Juba), Corinthians (Hugo Souza), Grêmio (Weverton), Palmeiras (Andreas Pereira), Santos (Neymar) e Vasco (Paulo Henrique).

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A trajetória da equipe canarinha nos Mundiais também pode ser decifrada através das camisas que pavimentaram o caminho de cada estrela. Bem antes de o mercado internacional transformar o time nacional em um aglomerado de profissionais radicados no Velho Continente, as principais potências locais sustentavam a estrutura da Seleção. Em determinados torneios, quase metade do grupo vencedor pertencia a uma única agremiação, ou vinha da clássica rivalidade existente no eixo Rio-São Paulo, moldando a essência do futebol do país.

As principais bases da Taça Jules Rimet

Estatísticas do passado comprovam que certas instituições exerceram papel crucial nos anos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, fornecendo peças que não somente preencheram vagas, mas se consagraram como símbolos eternos das maiores glórias nacionais.

Na conquista pioneira na Suécia, em 1958, o elenco brasileiro se apoiava em dois pilares indiscutíveis: Alvinegro Praiano e Glorioso. O clube carioca enviou um trio vital para o sucesso: o defensor e lateral esquerdo Nilton Santos, que revolucionava a dinâmica de sua posição; o meio-campista Didi, que ditava o ritmo com uma classe incomum; e Garrincha, que avançava ao ataque e quebrava as linhas defensivas pelo flanco direito. Pelo lado santista, os destaques eram Pelé, o futuro Rei do Futebol que, com apenas 17 anos, impressionou o planeta; Zito, volante que se firmava como voz de comando e ponto de equilíbrio tático; e Pepe, um dos maiores ponta-esquerda do futebol mundial.

Outras agremiações que colaboraram fortemente foram o Tricolor Paulista, representado por De Sordi, Mauro e Dino Sani, e o Cruzmaltino, que teve Bellini, Orlando e Vavá no grupo. Coube ao capitão vascaíno Hilderaldo Luís Bellini inaugurar o tradicional gesto de erguer o troféu em direção aos céus.

No Bicampeonato de 1962, sediado no Chile, a equipe da Vila Belmiro praticamente se fundiu ao esquadrão nacional. O time paulista disponibilizou nada menos que sete atletas: Gylmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pepe e Pelé. Embora tenha sofrido uma lesão logo no início do torneio, o camisa 10 integrava aquele plantel de forte DNA santista.

A estrela solitária do Botafogo voltou a brilhar intensamente com a convocação de Nilton Santos, Didi, Garrincha, Zagallo e Amarildo. Diante da ausência do Rei por contusão, o "Anjo das Pernas Tortas" chamou para si a responsabilidade e guiou o país ao segundo título com exibições memoráveis.

Já no lendário Tricampeonato de 1970, no México, o talento estava mais distribuído geograficamente, embora algumas forças ainda dominassem o núcleo da equipe. O Santos reafirmou sua importância ao ceder Pelé, Clodoaldo, Joel Camargo, Edu e Carlos Alberto Torres, o "Capita" e autor de um dos gols mais marcantes das decisões de Copa do Mundo, sacramentando a goleada de 4 a 1 sobre a Itália após uma troca de passes impecável. O clube de General Severiano marcou presença com o "Furacão" Jairzinho, que garantiu seu nome na história ao balançar as redes em todas as partidas daquela edição, Paulo César Caju e Roberto Miranda.

Paralelamente, o São Paulo contribuiu com Gérson, o cérebro da armação daquele time, e o Corinthians foi representado por Rivellino, dono de um chute de canhota temido pelos adversários.

Cenário modificado no Tetra e no Pentacampeonato

Após um hiato de 24 anos, o Tetracampeonato de 1994 nos Estados Unidos expôs um panorama modificado. O mercado doméstico passava a exportar suas principais revelações, mas as equipes locais ainda sustentavam um peso considerável. Bicampeão mundial, o São Paulo liderou o envio de jogadores na Copa do Mundo daquele ano, com o lateral-direito Cafu, que começava a saga como recordista em decisões de Mundiais; o ala-esquerdo Leonardo, titular até receber o cartão vermelho contra os donos da casa; Müller e Zetti. O Palmeiras também ofereceu sustentação tática importante com Mazinho e Zinho, fundamentais para o esquema do técnico Carlos Alberto Parreira. O Timão colaborou com Viola, e o Vasco levou Ricardo Rocha.

Na campanha do Pentacampeonato em 2002, na Ásia, as ligas europeias já ditavam as regras, contudo, o futebol interno manteve aparições de destaque. O Tricolor do Morumbi novamente sobressaiu entre os nacionais, fornecendo Rogério Ceni, Belletti e o jovem meia Kaká que, com duas décadas de vida, iniciava ali seus primeiros passos no cenário global. Campeão Mundial em 2000, o Alvinegro Paulista cedeu Dida, Vampeta e Ricardinho, ao passo que o Verdão teve em Marcos uma das figuras mais determinantes daquela trajetória, atrás apenas de Ronaldo Fenômeno. As intervenções do arqueiro alviverde diante de Bélgica, Inglaterra e Alemanha foram cruciais para assegurar o quinto e último caneco brasileiro.

Esse resgate cronológico evidencia que certas instituições se misturam com a própria mística da Seleção Brasileira. O Santos da era Pelé, o Botafogo de Mané Garrincha, o São Paulo vitorioso da década de 1990, e os rivais Palmeiras e Corinthians do início do século não apenas emprestaram seus craques, mas ajudaram a desenhar o estilo vitorioso do país nos gramados do mundo.

Atualmente, com os convocados concentrados nos gigantes do exterior, esse vínculo entre os clubes locais e o esquadrão principal parece menos evidente. No entanto, por muito tempo, o torcedor via o início de um Mundial sabendo que havia uma parte viva de sua paixão diária vestindo a amarelinha. Vamos acompanhar se esse fenômeno se repetirá nos gramados da Copa do Mundo da América do Norte pelas próximas semanas.

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