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Esportes

Podia ter sido a gente, mas não tivemos a gana furiosa da Espanha

Título inédito desafiou o ranking da Fifa e mostrou que não é preciso obedecer cegamente ao treinador e/ou amá-lo incondicionalmente

Silvio Tudela • 21/08/2023 às 9:38 - há XX semanas

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					Podia ter sido a gente, mas não tivemos a gana furiosa da Espanha
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A chegada de Espanha e Inglaterra pela primeira vez à final da Copa do Mundo de Futebol Feminino não chega a ser surpreendente, pois as duas seleções têm construído uma sólida história de crescimento, com investimentos maciços e renovação progressiva de seus talentos, seja através das categorias de base e estruturais (Espanha) ou das equipes da milionária Premier League (Inglaterra). Toda essa reformulação vem gerando resultados muito bem sucedidos em campo, com títulos expressivos, recordes de público e de audiência na última década nos dois países.

Em ritmo crescente, a Inglaterra (quarto lugar no ranking da Fifa) é a seleção que mais investe no futebol feminino atualmente. Vice-campeã mundial em 2023, foi semifinalista nas Copas de 2015 e 2019, e quadrifinalista em 2011 e 2007. As inglesas chegaram à final na condição de favoritas, como atual campeã na Eurocopa e invictas na competição. Tendo como principais referências as atacantes Lauren Hemp, Alessia Russo e Lauren James, foi a goleira Mary Earps o grande destaque da equipe e eleita Luva de Ouro do Mundial, brilhando na final, quando defendeu até pênalti no segundo tempo. Amada pelas atletas, a Inglaterra ainda conta com a competência e o carisma da técnica holandesa Sarina Wiegman, considerada até então como a melhor treinadora do mundo, vinda de dois títulos da Eurocopa (2017 e 2022) e agora por dois vice-campeonatos mundiais, ambos por Holanda e Inglaterra. Sarina Wiegman é cotada para assumir a seleção dos Estados Unidos após o Mundial 2023. Mas, mesmo com todo esse conjunto, não foi desta vez que o futebol voltou para a “casa onde nasceu”, como dizem os torcedores ingleses.

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A Taça Fifa ficou mesmo e merecidamente com a Espanha, apesar de crises internas escancaradas entre as jogadoras e o treinador Jorge Vilda com sua comissão técnica. As atletas da Península Ibérica também já vinham cotadas como uma das favoritas no começo do torneio, mesmo disputando somente a sua terceira Copa do Mundo. Tendo como destaque a meio-campista Aitana Bonmati, que foi eleita a melhor jogadora da

Copa do Mundo 2023, a Espanha teve ainda Salma Paralluelo, premiada como a melhor jovem do torneio, e Alexia Putellas, escolhida como a melhor do mundo nos dois últimos anos pela Fifa. A artilheira Jennifer Hermoso e a capitã Olga Carmona, autora do gol do título, também foram decisivas para a conquista espanhola.


				
					Podia ter sido a gente, mas não tivemos a gana furiosa da Espanha
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Tendo como principal investimento o destaque na formação da base, especialmente a do Barcelona, a Espanha (sexto lugar no ranking da Fifa) já chegou à Oceania como a atual campeã mundial sub-20 e sub-17, o que não é pouco. Some-se a isso o sucesso da equipe catalã, que conquistou dois títulos e um vice-campeonato da Champions League nos últimos três anos, com recordes de público no futebol feminino, ao levar mais de 90 mil pessoas ao Camp Nou por duas vezes no ano passado. E há ainda a promessa de um futuro brilhante para a equipe espanhola, pois o Real Madrid já começa a se mobilizar na modalidade e contribuiu com oito jogadoras para o elenco agora campeão mundial.

O que pode definir o brilhantismo ou não desta geração é a aposta da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) na permanência do técnico, considerado extremamente controlador e pivô de um e-mail em que 15 atletas teriam pedido "mudanças estruturais", incluindo a demissão do comandante, em setembro do ano passado. Todas ameaçaram sair da equipe na época e 12 boicotaram a Copa. Apontado como "de terceira divisão" por algumas dessas atletas, Jorge Vilda permaneceu, a equipe foi renovada, deu a volta por cima e conquistou o título, mas a relação entre atletas e treinador segue distante publicamente, inclusive nas comemorações vistas em campo após o título, quando nenhuma jogadora foi cumprimentá-lo de imediato.

A Maior de Todas as Copas

A "maior Copa do Mundo de Futebol Feminino da história", nas palavras de Gianni Infantino, presidente da Fifa, teve uma decisão 100% europeia – a primeira após 20 anos, quando a Alemanha venceu a Suécia por 2 a 1, em 2003. A disputa da taça colocou frente a frente duas seleções que chegaram à final pela primeira vez na história – Espanha e Inglaterra. Realizada na Austrália e Nova Zelândia, foi também a primeira edição com 32 seleções, mesmo número do futebol masculino adotado no

Qatar 2022. A competição foi marcada pela queda de equipes favoritas ao longo do torneio, reforçando o discurso de que há maior equilíbrio entre as seleções atualmente. O Mundial teve recorde de público e audiência.

A Copa do Mundo trouxe resultados inimagináveis antes do início da bolar rolar pela torcida e especialistas: a Austrália e a Nigéria despacharam o Canadá (sétimo no ranking da Fifa), a Jamaica eliminou o Brasil (oitavo no ranking da Fifa), a África do Sul desclassificou as sempre poderosas Itália e Argentina, e num grupo tumultuado, Colômbia e Marrocos superaram a Alemanha (segunda no ranking da Fifa) e a Coreia do Sul logo na fase classificatória. A favoritíssima seleção tetracampeã dos Estados Unidos (primeira no ranking da Fifa) caiu nas Oitavas de Final e amargou a pior campanha da história, sendo eliminada pela fortíssima Suécia (terceira no ranking da Fifa) nos pênaltis. Já nas Quartas, a anfitriã Austrália também derrubou nas penalidades a França (quinta no ranking da Fifa), outra favorita ao título. A taça parecia seguir a partir de então o roteiro planejado, com uma decisão entre seleções europeias e foi o que aconteceu.

Os últimos confrontos entre as finalistas, no ciclo entre os dois últimos mundiais, foram os seguintes: vitória da Inglaterra, por 2 a 1, na prorrogação, pelas Quartas de Final da Eurocopa 2022, empate em 0 a 0 em 2022, e uma vitória espanhola por 1 a 0 em 2020. Agora, no jogo mais importante, deu Espanha por 1 a 0, placar inédito em finais de torneios femininos e mesmíssimo resultado da final da Copa do Mundo de Futebol Masculino 2010, que deu o primeiro triunfo ao país ibérico. A Espanha é agora, ao lado da Alemanha, a única seleção a contar com títulos em suas seleções de homens e mulheres.

Imagem ilustrativa da coluna Tabus, tretas e troças com Sílvio Tudela
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