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Tabus, Tretas e Troças

Quem é o rei não coroado das Supercopas que não existiram?

Atual campeão do torneio, o Corinthians poderia ter sido o clube mais vencedor da competição se as finais entre 1992 e 2019 tivessem sido disputadas

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Sílvio Tudela

09/02/2026 às 15:34 - há XX semanas
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O futebol brasileiro adora criar mitos, mas também tem um talento raro para desperdiçar boas ideias. A Supercopa do Brasil - que desde 2024 homenageia Pelé e passou a se chamar Supercopa Rei - é um desses casos clássicos: um torneio óbvio, simples e de fácil compreensão para o torcedor (vencedor do Campeonato Brasileiro contra campeão da Copa do Brasil). O torneio simplesmente não existiu de forma contínua entre 1992 e 2019, ou seja, 28 anos, e o que se perdeu nesse intervalo não foi apenas um troféu a mais no calendário, mas um poderoso termômetro de hegemonia nacional.


					Quem é o rei não coroado das Supercopas que não existiram?
Quem é o rei não coroado das Supercopas que não existiram?. Foto: Reprodução / Redes sociais

Ao revisitar, ano a ano, os confrontos que poderiam ter acontecido nesse período, o resultado é revelador e até desconfortável para algumas narrativas consagradas. Se a Supercopa tivesse sido disputada regularmente, o clube mais presente em finais não seria, por exemplo, o São Paulo tricampeão mundial, nem o Flamengo da suposta maior torcida do país. Seria o Corinthians, que, coincidentemente, conquistou o título de campeão da Supercopa do Brasil contra o Rubro Negro na semana passada.

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Com nove finais possíveis, o Alvinegro Paulista lideraria com folga o ranking das presenças em decisões desse período esquecido, fruto de uma combinação que marcou sua história recente: constância em títulos nacionais e protagonismo em momentos-chave do futebol brasileiro. Logo atrás apareceriam Cruzeiro, com oito finais, e Palmeiras, com sete: dois clubes que, mesmo em fases de crise ou reconstrução, mantiveram relevância competitiva ao longo das décadas.

O dado ajuda a desmontar certas percepções seletivas da memória futebolística. Grêmio, com cinco finais possíveis; São Paulo, Flamengo e Santos, gigantes absolutos em tradição, torcida e conquistas internacionais, surgem empatados com quatro cada. Não é pouco, mas também está longe de uma supremacia em quase três décadas. A regularidade, muitas vezes, falou mais alto do que o brilho episódico.

Mais abaixo, surgem clubes como Vasco e Fluminense, com três chances. Já Athletico, Botafogo, Internacional, Sport e Atlético-MG poderiam ter disputado uma única final nessas quase três décadas. E uma constelação de campeões improváveis - Criciúma, Juventude, Paulista, Santo André - aparece como lembrança viva de que o futebol brasileiro sempre permitiu rupturas, surpresas e capítulos únicos, com conquistas pontuais, mas eternizadas. São essas exceções que tornam o jogo menos previsível e mais humano.

O que esse exercício histórico revela, acima de tudo, é que a Supercopa teria sido um espelho incômodo. Ela obrigaria o futebol nacional a confrontar números, ciclos e hierarquias reais; e não apenas discursos inflados por momentos isolados. Talvez por isso tenha demorado tanto a ser levada a sério.

Hoje, quando o torneio enfim volta a existir, ele carrega mais do que uma taça simbólica: traz o peso de décadas em que o “Rei do Futebol Brasileiro” poderia ter sido definido no campo e não apenas na retórica. Porque, no fim das contas, títulos contam histórias. Mas a regularidade é quem constrói reinados. E nesse trono que nunca foi oficialmente ocupado, os números indicam que alguns clubes sentariam com mais frequência do que gostam de admitir.

Abaixo, os campeões do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil que disputariam a Supercopa do Brasil, caso o torneio fosse jogado.


					Quem é o rei não coroado das Supercopas que não existiram?
Foto: Reprodução

Quantas vezes cada clube teria disputado a Supercopa do Brasil nas finais possíveis entre 1992 e 2019? Em parênteses as finais efetivamente disputadas:

9 – Corinthians (+2)
8 - Cruzeiro
7 – Palmeiras (+3)
5 – Grêmio (+1)
4 - São Paulo (+1), Flamengo (+7), Santos
3 - Fluminense, Vasco (+1)
1 - Criciúma, Juventude, Athletico (+1), Botafogo (+1), Santo André, Paulista, Internacional, Sport, Atlético Mineiro (+1)

No recorte geral, o ranking ajuda a responder, com números, a provocação que atravessa gerações: quem realmente poderia ter sido o “rei” da Supercopa do Brasil se ela tivesse existido desde os anos 1990?

As finais que valeram:

Nas nove edições em que foi disputada, os maiores vencedores foram Flamengo (2020, 2021 e 2025), Corinthians (1991 e 2026), Grêmio (1990), Atlético Mineiro (2022), Palmeiras (2023) e São Paulo (2024). O Flamengo também lidera a lista de vice-campeões (1991, 2022, 2023 e 2026), Palmeiras (2021 e 2024), Vasco (1990), Athletico (2020) e Botafogo (2025).

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