Tabus, Tretas e Troças

Violência contra a mulher, homofobia e mais: veja principais destaques que marcaram a semana no futebol

Noticiário esportivo mostrou mais a nossa dura realidade que a alegria da bola rolando

Sílvio Tudela
09/05/2022 às 8h00

4 min de leitura

Pareceu até que a emblemática Caixa de Pandora foi aberta e todas as assombrações sociais resolveram disputar o protagonismo nesta semana. Para quem não é familiarizado com a Mitologia Grega, o tal objeto se refere a uma espécie de jarro em que os deuses colocaram todas as perversidades do mundo, entre as quais a guerra, a discórdia, a fome, as doenças do corpo e da alma, e a morte. Contudo, nela havia um único dom: a esperança. Assim como nessas lendas, em meio a tantas notícias ruins, como machismo, violência contra a mulher, homofobia, racismo e celebração da roubalheira, a justiça parece ter, por algum tempo, triunfado em alguns casos.

Comecemos com a suspensão por 200 dias do ex-técnico da Desportiva Ferroviária, Rafael Soriano, que agrediu a assistente de arbitragem Marcielly Netto no intervalo da partida contra o Nova Venécia, pelo Campeonato Capixaba. O treinador foi condenado por ter ido tirar satisfações com a arbitragem e dar uma violenta cabeçada na bandeirinha.

Foto: Pixabay / Divulgação

Foi notícia também um outro episódio de violência em que uma mulher acusou o jogador corintiano Robson Bambu de estupro para satisfazer o desejo de um amigo, que a observava. Não demorou para que aparecessem pessoas atacando a vítima que, nesses casos, precisa de muita coragem para vencer a humilhação que a situação impõe. Em meio a isso, houve também o linchamento público dos acusados, sem a conclusão do inquérito policial, a elaboração do relatório final, e o oferecimento de denúncia por parte do Ministério Público.

Engrossando o caldo de vergonhas de machismo e estupro, ainda rolou homofobia. O goleiro pentacampeão mundial e ídolo palmeirense Marcos Reis teve um comentário removido pelo Instagram por ter infringido as regras da plataforma ao usar a expressão “viado”. E para piorar, ironizou a decisão e manteve seu discurso junto aos que se pronunciaram: “Tá’ me rotulando igual eu rotulei o cara. Portanto, só para te avisar, você não é melhor que eu, só é hipócrita mesmo”.

Foto: Divulgação

O repugnante racismo também mostrou suas garras na Libertadores da América com a justiça argentina banindo dos seus estádios um torcedor do Boca Juniors, até 2024, por imitação de um macaco no jogo contra o Corinthians, e outro do River Plate, pelos próximos dois anos, por ter atirado bananas contra torcedores do Fortaleza. O pior é que, no meio de tudo isso, houve quem relativizasse o racismo tomando como base uma possível xenofobia dos brasileiros contra os argentinos. Justificativa que caiu por terra, pois, na mesma semana, na partida do Flamengo contra a Universidad Católica, torcedores do clube chileno foram flagrados imitando um macaco para os rubro-negros.

E para completar, a camisa que Diego Armando Maradona vestiu no épico jogo contra a Inglaterra, pelas Quartas de Final da Copa do Mundo de 1986, foi arrematada em leilão da Sotheby’s por US$ 9,3 milhões (cerca de R$ 46,4 milhões na cotação atual). O valor quebrou todos os recordes para uma coleção de camisas esportivas. Tudo bem que o argentino foi um gênio e um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, mas chega a ser irônico ver a camisa que consagrou o escárnio de “La Mano de Dios” chegar a tal nível de adoração, pois premia o dia em que uma partida de futebol de Copa do Mundo se tornou um jogo de voleibol.

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