The Comedy House no Rio Vermelho é um intenso laboratório de humor


As apresentações são de quinta á domingo (Foto: Divulgação)

A atmosfera do espaço criada para as apresentações stand-up na casa de espetáculos The Comedy House, no Rio Vermelho, é muito apropriada a esse gênero das artes cênicas: um pequeno palco num salão, com serviço de bar e um desenho de ambiente que permite ao público acompanhar de perto às cenas. O clima de humor vai se instalando desde o início do espetáculo, através de uma locução irônica gravada pelo ator Ivan Santos, que também se apresenta no local, dando as orientações e as boas-vindas ao público. E assim, já na abertura, o riso é provocado.

Palco aberto para comediantes novos e veteranos, com destaque para a cena baiana, o espaço mantém uma programação semanal e diversa, tanto em formatos quanto em temas, elencos e estilos, a exemplo dos stand-ups “Preto Básico” (formado por artistas negros), “Noite das Mulheres” (com as mulheres comediantes) e “Um Drink no Inferno” (carregado de humor ácido).

Mas a experiência que conto aqui é a que vivi numa quarta-feira com a “Noite de Comédia”, um intenso laboratório de humor que me cativou por diversos aspectos: pelo tom equilibrado dos atores, pela variação de nuances de voz, pela interpretação e pelo cuidado com os temas escolhidos, sem ofensas e sem excessos. Na minha opinião, uma dinâmica que não cansa, com um tempo na medida e um ritmo que contempla bem o timing da comédia. E aí é abrir o coração para a amostragem de piadas inéditas – ou em fase de testes – que compõe o repertório dos convidados de cada edição. O desafio é fazer rir.

Tratando ainda da “Noite de Comédia”, os comediantes anfitriões Vitor Magalhães e Marcos Musse, um historiador e o outro fotógrafo, fazem um rodízio de elenco que nos dão um panorama da diversidade baiana de atores de stand-up e nos apresenta um painel de motes e temas que versam sobre notícias, polêmicas, política, comportamento e uma série de situações cotidianas, corriqueiras e populares, que falam a nossa a língua. Não só isso: como já é peculiar nesse gênero, piadas de caráter autobiográfico predominam. E o efeito cômico se beneficia justamente dessa fórmula de tirar sarro, de fazer rir de si mesmo. Porém, é na interação com o público que a piada realmente se realiza e se completa.

Na sessão que tive a oportunidade de conferir o desempenho dos comediantes Ivan Santos, Lanni, Marcos Musse, Pedro Duarte, Roberjan Magalhães e Vitor Magalhães, o cardápio incluiu piadas de “buzu”, de paredão, de dilemas entre mães e filhos, blitz, “baculejos” e outras resenhas. Cada um deles com a sua veia cênica, temperamento e identidade, muito autênticas. Embora o cenário ainda seja majoritariamente masculino, as mulheres estão abrindo e delimitando espaço, com muito talento e propriedade, nesse terreno cênico, como é o caso da atriz Lanni, que organiza na casa a “Noite das Mulheres”. As opções da programação você pode conferir no instagram @thecomedyhouseoficial e aproveito para indicar aqui algumas sugestões:

  • Sábado, 30/04, às 19 e às 20h – “Noite de Elenco” com Tiago Banha, Diego Andoliver e Daniel Ferreira;
  • Domingo, 01/05, 19h – “Um drink no inferno” – com Lucas Dumas, Raoni Beta e Vitor Magalhães;
  • Quinta, 05/05, 20h – “Noite das mulheres” – com Lanni e convidadas;
  • Quartas, 04 e 18/05, às 20h – Noite de Comédia – com Marcos Musse, Tiago Magalhães e convidados;
  • Quinta, 19/05, 20h – “Preto Básico” – com Hamilton Júnior, Ivan Santos, Maurício Ramos e Raoni Beta

Arlon Souza* – @arlonsouza
Arlon Souza é ator e jornalista. Entre o jornalismo cultural e a vida artística, acumula experiências em diversas TVs e cenário artístico cultural. Já dirigiu e produziu uma série de trabalhos para a TVE Bahia, TV Brasil, TV Globo Internacional, SBT Brasil, Band SP e TV Aratu. Como ator, passou pelo Curso Livre de Teatro do SESC, Teatro Gil Santana, Goethe-Institut, pelo 30º Curso Livre de Teatro da UFBA e pelo Teatro Vila Velha. Em 2012, foi um dos selecionados para o Programa de Incentivo à Crítica de Artes (Funceb) e em 2017, pela Oficina de Crítica com a jornalista Beth Néspoli.

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