‘Figuraças’, curiosidades, micos e mitos das Copas do Mundo
Paulo Cézar Gomes, em mais um texto do Baú do Mundial, relembra alguns fatos marcantes dentro e fora de campo na história dos Mundiais


Muita coisa interessante aconteceu nas 22 edições da Copa do Mundo. Cães que que viraram protagonistas em dois episódios inusitados, sheik árabe que invadiu o campo e mandou anular um gol; camisas improvisadas de última hora para a disputa da final da competição e muito mais.
Confira agora algumas dessas curiosidades trazidas por Paulo Cézar Gomes:
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"Meus amigos, não foram somente gols, partidas emocionantes, jogadas espetaculares e craques que fizeram da Copa do Mundo uma competição espetacular. Fatos inusitados até mesmo inacreditáveis ganharam os holofotes e entraram para a história dos mundiais. Vamos relembrar alguns deles:
1958 – CAMISA AZUL É FEITA NA VÉSPERA DA FINAL
Na Copa na Suécia o Brasil e os donos da casa chegavam a grande final. Os nossos adversários, que também possuem a camisa amarela como principal, não abriram mão de usar o uniforme número 1.
Nós não tínhamos o segundo uniforme com cor alternativa e o jeito foi a chefia da delegação brasileira ir às pressas comprar em lojas de Estocolmo camisas na cor azul. O escudo e os números tiveram que ser cortados do uniforme principal e costurados nas novas camisas de maneira heroica e em tempo recorde pelo massagista Mário Américo. O curioso é que ficou linda, e, na minha opinião, muito melhor do que as que fabricam hoje com toda a tecnologia as ‘nikes da vida’.
1962 – O CACHORRO QUE DRIBLOU ATÉ GARRINCHA
Na Copa do Chile, durante o jogo entre Brasil x Inglaterra, um cachorrinho invadiu o campo e virou por alguns minutos a principal atração do espetáculo. Policiais, jogadores ingleses e brasileiros tentaram em vão capturar o simpático e rápido cãozinho, que pasmem, driblou até o “rei do drible” Garrincha.
Finalmente o atacante inglês Jimmy Greaves conseguiu se aproximar e “hipnotizar” o invasor e capturá-lo. O bichinho ganhou a simpatia dos brasileiros que venceram o jogo por 3x1 e virou uma espécie de “pata-quente” e mascote do Brasil. Ele foi adotado pelo casal Elza Soares e Garrincha, ganhou o nome de “Bi”, em alusão ao título vencido pelo Brasil e veio morar definitivamente em terras brasileiras.
1966 – CÃO RECUPERA A TAÇA DA COPA ROUBADA
Quatro anos depois do show do cãozinho na Copa do Chile, outro cachorro ganhou as manchetes esportivas de todo o mundo. É que a Taça Jules Rimet chegou na Inglaterra em janeiro, seis meses antes da realização da Copa do Mundo.
No dia 20 de março, ladrões aproveitaram uma distração dos seguranças e efetuaram o roubo do troféu que estava em exposição pública na Igreja Metodista Westminster Central Hall, em Londres. O caso passou a ser investigado pela Flying Squad, uma divisão da polícia de Londres especializada em roubos. Sete dias depois, no dia 27 de março, um senhor chamado David Corbett e seu cachorro Pickles passeavam tranquilamente em um parque de um subúrbio no sul de Londres. O cão farejou um arbusto, chamando a atenção do seu dono. Era um embrulho enrolado em folhas de jornal. Quando Corbett rasgou o papel, viu a linda taça de ouro que havia sido roubada. De imediato procurou a polícia para entregar o troféu.
Logo que a notícia ganhou as manchetes do noticiário, Pickles se tornou uma celebridade nacional. Foi dada como recompensa uma grande quantidade de ração para o consumo de um ano do animal e uma gratificação no valor de 5 mil libras. O cão também ganhou uma medalha de prata da Liga Nacional de Defesa Canina.
1970 – SINAL DA CRUZ DO COMUNISTA
Na Copa do México no jogo de estreia do Brasil contra a Tchecoslováquia, os adversários saíram na frente logo aos 11 minutos de jogo com um gol do atacante Ladislav Petras. O fato curioso é que na comemoração o jogador ficou de joelhos e fez o sinal da cruz, gesto religioso, sobretudo dos católicos. A surpresa foi grande, sobretudo para os propagandistas de que “comunista não acredita em Deus”. A Tchecoslováquia era um dos países da chamada “Cortina de Ferro”, da antiga União Soviética. O mundo vivia a “Guerra Fria” entre o mundo capitalista simbolizado pelos EUA e pelos socialistas da antiga URSS, atual Rússia.
1970 – TODOS CAMISAS 10?... MITO!
Até hoje se fala da maravilha que foi a nossa seleção na conquista do tricampeonato mundial. De fato, nossa equipe era brilhante e cheia de craques e gênios. Mas não é verdadeira a informação de tínhamos uma linha de meio-campo/ataque só com jogadores que eram os camisas 10 nos seus clubes.
Relembrando, na seleção Gérson era o 8, Rivelino o 11, Pelé o 10, Jairzinho, o camisa 7 e Tostão foi 9. De fato, Gérson era o 10 do São Paulo; Riva o 10 do Corinthians e Pelé, o mais 10 de todos, do Santos. Mas Jairzinho nem sempre era o 10 no seu time, o Botafogo. Pela sua posição de atacante, às vezes vestia a 7 ou a 9. Tostão no Cruzeiro era o 8 e às vezes o 9. A 10 era do outro craque do time: Dirceu Lopes.
1982 – SHEIK ENTRA EM CAMPO E MANDA ANULAR GOL
O abuso de autoridade sempre se fez presente no esporte de um modo geral, mas nada se compara ao que fez o sheik Fahid Al-Ahmad Al-Sabah, do Kuwait que entrou em campo na partida entre a seleção do seu país e a da França na Copa de 1982 na Espanha.
Inconformado com a marcação de um dos gols dos a favor dos franceses, o cidadão desceu da Tribuna de Honra do estádio com alguns seguranças e de olho firme e ameaçador, ordenou que o árbitro soviético Miroslav Supar anulasse o gol do meia Giresse. Diante da pressão, o juiz teve amor à sua vida e voltou atrás anulando o quarto gol dos franceses. O jogo terminou 4x1 para a França
Como se vê, no famoso Baú dos Mundiais está repleto de lembranças de fatos bizarros, engraçados e curiosos. Viva a Copa!
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