Um ano após a primeira motofaixa de Salvador (BA) entrar em operação, a prefeitura da capital baiana estuda a implantação desse tipo de corredor exclusivo em outras avenidas de grande fluxo, como a Juracy Magalhães e a Antônio Carlos Magalhães (ACM). O espaço destinado especificamente à circulação de motociclistas foi inaugurado nos dois sentidos da Avenida Mário Leal Ferreira, popularmente conhecida como Bonocô, no dia 10 de março de 2025.

Segundo dados levantados pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e divulgados pelo g1, até o final de abril deste ano foram registrados 85 acidentes na via, sendo que 79 deles envolviam motocicletas. Apesar do número expressivo de ocorrências na avenida, nenhum desses acidentes aconteceu de fato dentro da área delimitada para a motofaixa.
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De acordo com o órgão de trânsito, as colisões que envolveram motociclistas fora do espaço segregado deixaram um total de 102 pessoas feridas, mas felizmente nenhuma morte foi registrada no período. O superintendente da Transalvador, Diego Brito, destacou ao portal que esses dados iniciais são fundamentais para direcionar as próximas etapas da política de segurança viária do município direcionada aos motociclistas, ressaltando que a ausência de óbitos comprova a eficácia de intervenções que organizam o tráfego e resguardam os condutores.
O cenário atual aponta uma melhora em relação ao retrospecto da via, já que no ano anterior à criação da motofaixa a Bonocô teve 65 acidentes, com 41 motocicletas envolvidas, resultando em 56 feridos e duas mortes.
Com a implantação da estrutura, Salvador tornou-se a terceira capital do país a receber autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para adotar a estratégia. O corredor foi projetado entre as faixas 1 e 2 de cada sentido da pista, a partir do canteiro central, e recebeu uma demarcação visual com linhas tracejadas nas cores azul e branco. Para que o espaço fosse viabilizado, não houve redução do número de pistas para os demais veículos, de modo que cada sentido da avenida permaneceu com quatro faixas de rolamento. Contudo, por exigência da Senatran, a velocidade máxima permitida na Bonocô precisou ser reduzida para 60 km/h, limite que deve ser rigorosamente respeitado pelos motociclistas mesmo transitando no espaço exclusivo.
Diante dos resultados obtidos na Bonocô, a Transalvador confirmou ao g1 que mantém estudos técnicos em andamento para avaliar a viabilidade de expandir o projeto para novos eixos viários da cidade. Na análise de corredores como a Av. ACM e a Av. Juracy Magalhães, os engenheiros de tráfego consideram critérios específicos como o volume diário de veículos, as características geométricas de cada pista, a segurança viária local e o comportamento habitual dos motoristas. Conforme sinalizado pelo superintendente Diego Brito, o município inclusive já encaminhou um ofício formal à Senatran com o objetivo de obter o aval federal necessário para dar andamento às novas implantações assim que os projetos forem concluídos.

A busca por soluções que reduzam a letalidade no trânsito se mostra urgente diante das estatísticas do município, visto que nos dois primeiros meses de 2025 a Transalvador contabilizou 464 acidentes com motos na capital, resultando em 11 mortes. No mesmo período do ano anterior, foram registrados 467 acidentes e 18 óbitos.
O balanço consolidado de todo o ano de 2024 aponta que ocorreram 3.063 acidentes com motos em Salvador, deixando um saldo de 84 vítimas fatais. Esse número de óbitos representou sozinho 59% do total de mortes violentas no trânsito da cidade naquele ano, que fechou com 142 vítimas no total.
Essa realidade crítica coincide com o crescimento acelerado da frota de duas rodas na capital baiana nos últimos anos. De acordo com os registros do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o ano de 2024 bateu recorde de vendas de motocicletas em Salvador, somando 16.851 novas unidades emplacadas.
Quando analisado o acumulado dos últimos cinco anos, o crescimento do setor fica ainda mais evidente, pois o total de motocicletas registradas na capital saltou de 160.661 unidades no ano de 2020 para uma frota que atualmente supera a marca de 200 mil veículos emplacados, montante que desconsidera os milhares de motociclistas de cidades vizinhas que circulam diariamente pelas vias soteropolitanas.
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