Chegou ao fim a paralisação que travou o transporte público na capital baiana nas primeiras horas do dia. Após cerca de oito horas de braços cruzados, os rodoviários de Salvador (BA) anunciaram a suspensão da greve nesta sexta-feira (22), por volta das 8h20. De acordo com informações divulgadas pelo g1, a decisão foi tomada após o Sindicato dos Rodoviários fechar um acordo que garantiu um aumento salarial de 4,11%, reajuste no tíquete-alimentação e outras mudanças trabalhistas.
A greve havia sido oficialmente anunciada na quinta-feira (21) e teve início à meia-noite de sexta. Com isso, os ônibus, que costumam iniciar a operação diariamente às 4h30, só começaram a deixar as garagens a partir das 7h, gerando um grande impacto na rotina da cidade.
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Assim que a greve foi anunciada, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA) determinou que o sindicato respeitasse o funcionamento de pelo menos 60% da frota de coletivos nos horários de pico e 40% nos demais períodos. No entanto, segundo a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) informou ao g1, essa determinação judicial não foi respeitada nas primeiras horas da manhã.
Sem os ônibus convencionais nas ruas, a população soteropolitana precisou recorrer a transportes alternativos para conseguir se deslocar. O metrô registrou um fluxo intenso de passageiros, e houve grande procura por vans e carros ou motos por aplicativo. Para tentar amenizar o impacto, a Semob colocou em operação emergencial 180 ônibus do Sistema de Transporte Complementar (STEC), conhecidos popularmente como "amarelinhos".
Drama dos passageiros para chegar ao trabalho
A paralisação pegou muita gente de surpresa e exigiu jogo de cintura de quem precisava trabalhar. De acordo com o g1, a design de interiores Cristiane Dias teve que desembolsar um valor extra para não perder o dia de serviço. Ela mora em Arembepe, em Camaçari, na Região Metropolitana (RMS), e trabalha a cerca de 28 km da capital baiana. "Nós pagamos um valor para uma pessoa que já vem trabalhar em Salvador para nos deixar em pontos de ônibus. Foi a solução para chegar no trabalho", contou Cristiane.
A situação não foi diferente dentro das estações de transbordo. Na Estação Mussurunga, o ajudante de pintura Jeferson Rocha enfrentou uma longa espera de mais de 30 minutos para tentar pegar um coletivo - em dias normais, o tempo de espera não ultrapassa 15 minutos. Caso o sistema não normalizasse, ele já cogitava uma alternativa exaustiva: caminhar 2,5 km até o bairro de São Cristóvão. "Pedi ao patrão para vir me buscar, mas se ele não vier, vou precisar ir andando", explicou Jeferson ao g1.
Detalhes do acordo aprovado
O desfecho da greve foi selado durante uma assembleia geral da categoria realizada na manhã desta sexta-feira, no bairro de Nazaré. Após debates sobre a contraproposta apresentada pelas empresas, os trabalhadores votaram pelo fim do movimento.
Segundo o g1, o Sindicato dos Rodoviários divulgou que a categoria conseguiu aprovar uma pauta com diversas conquistas e mudanças:
- reajuste de 4,11% no salário e também no tíquete-alimentação;
- horas extras opcionais aos fins de semana;
- redução da telemetria para 1 BIP;
- mulheres fora do regime de pernoite;
- garantia de 10% de isenção no plano de saúde;
- implantação do ponto eletrônico em até 90 dias na empresa OT-Trans;
- desconto de horas para o café da manhã passa a ser de 30 minutos;
- criação de um grupo de trabalho entre a empresa Integra, o sindicato e a Semob para discutir as cargas horárias dos trabalhadores.
Mesmo com a aprovação das medidas e a consequente suspensão da greve, as lideranças rodoviárias e os representantes patronais agendaram uma nova reunião para as 11h desta sexta-feira para alinhar os detalhes burocráticos do acordo.
Impasse que gerou a paralisação
Ainda conforme apurado pelo portal, as negociações estavam travadas devido à distância entre o pleito inicial dos trabalhadores e a oferta dos empresários. Inicialmente, os rodoviários pediam um ganho real de 5% sobre a inflação em vigor, que era de 4,18%. Na prática, eles queriam que o salário fosse corrigido para manter o poder de compra e, em seguida, acrescido dos 5%.
Por outro lado, os empresários ofereciam um ganho real de 2,36% calculado sobre uma inflação de 4,11%. Com o meio-termo alcançado na assembleia desta manhã e a assinatura do acordo, o serviço de transporte público em Salvador começou a ser normalizado gradativamente ao longo do dia.
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