Tecnologia

Apple retira aplicativos de VPN da loja virtual na China

Era por esses programinhas que chineses escapavam dos filtros governamentais e acessavam serviços e conteúdos proibidos

Agência O Globo
- Atualizada em

As autoridades chinesas receberam uma ajuda improvável na luta contra ferramentas usadas pelos internautas para burlar a censura on-line. A Apple retirou durante o fim de semana dezenas de aplicativos de redes virtuais privadas, conhecidas pela sigla VPN, da App Store no país. Era por esses programinhas que chineses escapavam dos filtros governamentais e acessavam serviços e conteúdos proibidos, como Google e Facebook.


De acordo com a BBC, pelo menos 60 aplicativos foram retirados. A Apple confirmou, alegando que a companhia foi requisitada judicialmente a removê-los porque eles estavam em desacordo com novas regulações, mas não revelou os números. Os desenvolvedores que criaram os programas criticaram a decisão e prometem apelar.

“Se a Apple enxerga a acessibilidade como um direito humano, nós esperamos que a Apple reconheça o acesso à internet como um direito humano, como as Nações Unidas já reconheceram, e escolha a defesa dos direitos humanos aos lucros”, disse Sunday Yokubaitis, presidente da produtora Golden Frog, que distribui o aplicativo VyprVPN.

A ExpressVPN publicou em redes sociais a carta que recebeu da Apple, dizendo que o aplicativo havia sido derrubado “porque inclui conteúdo que é ilegal na China”. A empresa considerou a remoção “surpreendente e infeliz”.

“Nós estamos desapontados com os acontecimentos, que representam a medida mais dramática do governo chinês para bloquear o uso de VPNs, e estamos preocupados em ver a Apple ajudando nos esforços de censura na China”.

Em comunicado, a Apple informou que o governo chinês anunciou neste ano que todos os
desenvolvedores que oferecessem VPNs deveriam obter uma licença do governo.

“Nós fomos pedidos a remover alguns aplicativos de VPN na China que não se enquadram nas novas regulações. Esses aplicativos continuarão disponíveis em todos os outros mercados onde atuamos”, disse a companhia, em comunicado.

O governo chinês opera um forte sistema de censura sobre o conteúdo que circula na internet. Com um poderoso filtro, conhecido como Great Firewall — em referência à Grande Muralha —, termos são simplesmente banidos. De acordo com a ONG Great Fire, 24.431 buscas no Google são proibidas, 878 verbetes da Wikipédia são inacessíveis e quase 80 mil sites são bloqueados. Para conseguir informações on-line a partir da China sobre os protestos na Praça da Paz Celestial, por exemplo, só usando uma VPN.

Em janeiro, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação alertou que apenas serviços registrados poderiam operar, e pediu que as corporações limitassem o uso dessas redes para uso interno. As operadoras de telefonia estatais, incluindo as três maiores, China Mobile, China Unicom e China Telecom, receberam ordens para bloquear acessos individuais a VPNs a partir de fevereiro do ano que vem.