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Kátia Vargas: veja o que disseram as testemunhas de acusação

Próximas testemunhas a serem ouvidas serão as de defesa

Redação Correio 24h, com informações de Thais Borges
- Atualizada em

O júri popular da médica Kátia Vargas começou nesta terça-feira (5), no Fórum Ruy Barbosa. As cinco testemunhas da acusação foram as primeiras a serem ouvidas e já encerraram seus depoimentos.

Veja abaixo os principais pontos das falas dessas testemunhas:

1ª testemunha -  Álvaro Lima Freitas Júnior

Primeira testemunha da acusação, Álvaro contou que fazia uma caminhada quando presenciou o acidente. "Eu estava participando de uma caminhada e estava no meu trajeto de retorno, quando ali perto do Salvador Praia Hotel passou por mim um veículo branco, para na sinaleira como se fosse fazer uma conversão à esquerda. Passa uma moto, desvia do carro, dá um tapa na lateral como que reclamando. E aí, desvia. O carro acelera. Eu acompanhei e lá na frente aconteceu", diz.

A testemunha destacou que a moto seguiu em linha reta e que o carro da médica foi atrás. "Não acompanhei mais a trajetória da moto. A saída do veículo é brusca. Acelerou forte". Apesar de afirmar que testemunhou o tapa no carro de Kátia dado por Emanuel, ele diz que não viu a briga entre eles. 

"O tapa foi suficiente para me chamar atenção que era alguma reclamação.  A moto segue adiante e o veículo vai atrás. Fiquei acompanhando a uma determinada distância. A moto tomou a dianteira. É muito difícil estimar a distância". Ele diz ainda que percebeu que aconteceria algum problema entre os envolvidos.

"Eu percebi que o momento em que há um choque o veículo perde o controle. Fiquei preocupado, mas não consegui dizer se houve choque entre os veículos. Quando eu percebi que o veículo perde o controle, fiquei preocupado para prestar algum socorro. Me deparei com a situação mais grave do que eu poderia imaginar".

Álvaro contou que não viu a moto fechando o carro, mas imagina que isso foi o que ocorreu. Ele foi repreendido pela juíza, que afirmou que a testemunha só devia falar o que viu. "Eu fiz uma construção mental para entender o tapa e imaginei uma fechada na moto, mas não foi o que vi".

(Foto: Arquivo CORREIO)

2ª testemunha - Maria Antônia Souza

Esta testemunha afirmou que viu um desentendimento entre o piloto da moto e motorista do carro. "Eu estava vindo no sentido Barra quando presenciei um carro branco e uma moto numa discussão. Eu estava na rua paralela (da escola Dorilândia). O carro estava sentido apart hotel e a moto como se estivesse ao lado do carona. Tinham duas pessoas na moto. Eu vi que quem estava pilotando teve um conflito com a motorista".

Ela contou ainda que viu uma gesticulação da parte de Emanuel, que em seguida suspendeu a viseira do capacete. "No momento do tapa no carro eles estavam parados". O advogado de defesa Rodrigo Dall'Acqua questionou o local que a testemunha estava, já que ela deu informações conflitantes sobre isso em seu depoimento à polícia e no júri.

Rodrigo pega um trecho do depoimento da testemunha onde ela fala com bastante convicção que estava na sinaleira que permite acessar Ondina através da Barra quando, na verdade, estava na segunda sinaleira. Ela confirma e depois diz que quando foi convidada a participar da perícia viu exatamente onde estava, que não era na segunda sinaleira.


3ª testemunha -
Arivaldo Lima de Souza.

Ele estava dirigindo e diz que viu o carro da médica bater na moto. Ele foi categórico sobre se houve choque. "Não tenho dúvida nenhuma. Eu estava muito próximo, a uns cinco metros talvez um pouco menos". E detalhou: "A frente do carro, lado direito, bateu no fundo da moto, e depois a lateral arremessou a moto contra o poste. Foram dois toques sequenciais e bem rápidos".

Depois do acidente, ele diz que desceu e foi até o local em que os irmãos estavam caído, "mas não tinha mais nada a fazer. Tirei a moto de cima dos corpos". O advogado de defesa Rodrigo Dall'Acqua questiona a Arivaldo qual a real distância que ele estava do carro da médica. Arivaldo afirma que estava distante cinco metros do Kia Sorento dirigido por Kátia.

O advogado rebate a testemunha: "A imagem mostra que o senhor não estava a cinco metros, mas muito atrás", diz. O advogado diz também que as imagens mostram que a moto não estava perto do meio-fio, ao contrário do que disse a testemunha. A testemunha reforça sua versão.

4º testemunha - Denilson Silva Souza, técnico de equipamentos audiovisuais

A testemunha relatou que estava trabalhando em um evento no hotel Othon no dia do acidente. "Por volta de 8 e pouca me pediram para ir no outro hotel. Eu estava esperando para atravessar quando ouvi um barulho muito alto. Algo chamou minha atenção e eu vi aquele carro em alta velocidade. Não deu para ver que era uma mulher, pensei 'Esse cara está louco'.

Quando passou por mim, vi que era uma mulher. Nisso encostou e empurrou a moto. Eu estava a uns 40, 50 metros, porque estava na sinaleira. A colisão foi logo em seguida", diz.

"A moto estava em velocidade razoável. O que chamou minha atenção foi o barulho alto de motor do carro. Foi muito rápido e o carro veio desenvolvendo uma velocidade muito rápida. Sabe quando um leão vem correndo pegar a presa? Foi a impressão que eu tive. Ela chegou no fundo, o carro balançou um pouco e ela jogou para a esquerda e pareou. No que pareou, encostou de vez", afirmou.

Denilson afirmou ainda que depois do acidente ligou para a mãe e falou: 'presenciei um assassinato'. Ele continuou com sua rotina e só foi até a delegacia na segunda-feira, três dias após o acidente. Ele afirmou que viu uma reportagem com Marinúbia, mãe dos irmãos, pedindo que quem tivesse visto algo procurasse as autoridades.

O advogado de defesa, Dall'Acqua, também questionou a distância em que Denilson estava. Segundo ele as imagens de reprodução do dia indicam que Denilson estava a uma distância de 110 metros do poste onde ocorreu o acidente, enquanto ele estimou que estaria a cerca de 40 metros de onde foi a colisão. "Não posso dizer que me equivoquei porque não calculei. Era a minha sensação mas não tenho como precisar. 'Se o senhor esta dizendo (110m), então é', diz a testemunha.

O defensor também sinalizou que a testemunha Ariovaldo, ouvida pela manhã, afirmou estar a cinco metros do carro de Kátia. "Não me lembro de ter visto esse carro não. Tão próximo assim, não. Se ele estivesse aí, eu não teria como ver o que eu vi. Ele podia estar passando, mas no momento

da colisão ele não estava aí", responde Denilson.

(Foto: Arquivo CORREIO)

5ª testemunha -  Felipe Martins de Almeida Souza, jornalista

A testemunha contou que tinha acabado de deixar a esposa no trabalho e seguia de carro. "Retornei no sentido Barra e estava passando na localidade. Pude presenciar uma moto e um carro seguindo atrás da moto em alta velocidade. O carro se choca com a lateral e a dianteira da moto", diz. Ele não tem dúvidas de que houve choque. 'O carro colidiu com a moto pela lateral'.

De acordo com o jornalista, depois do acidente ele foi até o local para tentar ajudar os feridos. "Eles se chocaram ao poste. Me dirigi até as vítimas para ver o que podia fazer ou ajudar. Quando cheguei as vítimas não respiravam".

O advogado voltou a questionar a posição da testemunha no momento do acidente, exibindo um vídeo. "O senhor confirma que o senhor estava exatamente onde colocou na reprodução simulada? Exatamente ao lado do poste? Virando a cabeça e vendo as vítimas se chocando? Isso é possível de acordo com o vídeo?". Felipe reafirma que estava onde indicou.

"Eles estão fazendo movimento no ar e se chocando. Eles não saem direto e batem no poste. Eles praticamente voam. Acredito que a lateral direita do carro se chocou com a lateral esquerda da moto".