Longe de tabus, padrastos conquistam espaço no ‘Dia dos Pais’: ‘Filho não é só pelo sangue, mas também pelo coração’


Padrastos
Antônio Clovis dos Santos e família. Foto: Reprodução

Há quem pense que o termo “padrasto” carregue uma estigma de má convivência e outros problemas, mas a história pode e deve ser bem diferente.

A recomposição de famílias têm se tornado cada vez menos tabu na sociedade e se torna mais natural do que em tempos passados.

Como é o caso de Antônio Clovis dos Santos, de 47 anos, morador de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, e que conheceu a atual companheira há cinco anos. “A gente se conheceu numa festa, saímos, conversamos, e aí deu tudo certo. Começamos a viver juntos”, iniciou.

Por conta da união com Rose Cardoso, de 50 anos, Antônio Clovis se tornou pai de Larissa, Bruno, Henrique, Suelen, Lilian, Laura e Henrique, que possuem idades entre 12 e 28 anos.

“Ela tem sete filhos, a gente não convive com todos eles porque uns já tem família, mas mesmo assim estamos sempre juntos. Aí tem as festas que reúne todo mundo, como agora mesmo que ela fez 50 anos e reunimos a família toda. Eu sou como pai, eles me tratam super bem, me tratam como o pai deles e eu também trato como meus filhos”, completou.

Além dos sete enteados, Antônio possui mais dois filhos e garante que o tratamento dado é igual para todos. “Se chamam Thiago e Thaíse, não moro junto com eles também, mas eles convivem bem com todo mundo. Não trato com diferença nenhuma, todos eles eu trato sempre igual”, finaliza.

Amor de pai

A história de Rafael Nascimento também é um exemplo de padrasto que possui uma forte relação de paternidade com a filha, Brida Souza, de 22 anos.

Ele nasceu e foi criado em São Paulo até receber uma proposta de mudança para Ilhéus, onde teve a vida mudada para sempre.

“Numa festa de confraternização da empresa, onde eu nem ia, pois uma dia antes havia ido numa festa e estava cansado, fui convencido a ir pelos colegas, e chegando lá foi uma das maiores alegrias da minha vida, conheci o amor da minha vida, e foi muito legal que estava com vergonha dela, mas no final deu tudo certo”, disse.

“Desde o momento que eu a conheci, e soube da história dela a primeira coisa que me contou foi que tinha uma filha, no primeiro momento me assustei, pois pensei em várias coisas, medos, mais tudo aquilo que eu pensava não era”, continuou Rafael.

Padrastos
Brida Souza e Rafael Nascimento. Foto: Reprodução

Ele revela que a relação entre padrasto e enteada não foi tão fácil no início, mas aos poucos ambos foram cativados pelo amor.

“No início a relação de padrasto é de agradar, de ser bem legal, de ser bem sociável, mas não era bem assim. Ela tinha o gênio forte, e eu também, mas no fundo ela me cativou muito pelo jeito dela, amorosa, simpática, família, gulosa (risos). Nada que o tempo não se encarregou para nós nos conhecermos e para podermos saber lidar um com o outro”, explicou.

“E isso nos trouxe parceria, amor, carinho, cuidado, prazer em estar junto, pra resumir um amor sem fim, pois filho não é só pelo sangue, mas também pelo coração”, completou.

Para ele, a melhor parte de ser padrasto está em ser reconhecido como a figura de pai na vida da filha. “Ser reconhecido como pai, ser chamado de pai, sem vergonha de ninguém, é uma demonstração enorme de sentimento, é ser amado, ser cuidado e ser respeitado”, finalizou.

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